Crepúsculo a la Lilith

Adeus, dia…
seguirei meu caminho
no turno da noite

Eis, bela, ó notívaga
vontade primordial do envelo
tua urbanoide paixão
só noturna
pode vir a ser

Lilith, Lilith
teu som jamais será o amanhecer
eis que o Deus Hélio
deve deixar o caminho das orbes
para que tu, babilônica, se defina
nos vaga-luzes de sódio e neón

Eis, bela, ó soturna
na fulcra Rebouças via
noturna pauliceia desvairada
ah! o frescor de uma Fleur-de-Lis
de lítio serás teu soar
no maquinal orbe-mundo complexo
da geratricial fulminante venue

Lilith, Lilith
sei que adormeces de dia,
bem aí guarda teu segredo,
mas falta pouco, o Deus Hélio vai
e enfim mostrará o teu desvelo

… deve ser por isso,
que desde infante
Clair de Lune foi minha ode
dos sonhos que por ti
querer eu quereria,
ó, Fleur-de-Lis – lítio.


Ouvindo... Nazareth: Vancouver Shakedown

Momento Poesia

Tipicamente Paulistano

Desatino,
Destino Butantã…
As portas se abriram…
Tempo de entrar.

Soa o sinal,
e o minhocoçu subterrâneo,
trafega em vais e voltas,
até a Paulicéia desvairada.

Saída: Consolação.
A vida começa, vida cultural,
no pufe de uma grande livraria.

O sanduíche de trocentas combinações,
a loja com iPad,
a igreja para os fervorosos de fé…
Casa das Rosas! Eu nunca fui a ti.

Vão livre, rua intensa, artista de rua,
helicóptero com artista, antenas a esmo,
ônibus, carros, ônibus, carros…
o metrô da moça de voz sedutora
(sério… Eu casava com alguém de voz assim…)

Lá no fim, a Vergueiro,
Centro Cultural, Brigadeiro, Parque Trianon…

Mas tudo isso, sem alguém amigo,
é um tempo que se esvai,
e o aventureiro urbanoide,
tem de voltar à Butantã no minhocoçu…
Voltar para seu matagal.

– Quero meu assento de concreto!


Ouvindo... Alice in Chains: Angry Chair (’93 Live)