Radar Musical: Sessenta e Quatro

Pearl Jam

Vs.

[Epic / Sony BMG, estúdio]


Lembranças um pouco mais definidas vêm a seguir, noutra daquelas aquisições pechinchas, que realizei em tempos em que estava envolvido em leituras de vampiros – fato mais notável à época, e não por extremo voluntarismo, mas apenas sugestionado para tal – imagens que me vêm à época são os inícios de tarde que empreendia então na USP, os mais tardares em Osasco, sempre espreitando por algum consumisminho a ser feito, sobretudo na tríade CD – DVD – Livros. Aqui não foi diferente.

Numa época em que voltar pra casa sempre pedia um pão de queijo num shopping e um retorno no início de noite, sempre com música no carro e livro na mão para leitura – é bem de se notar que as leituras de curso não afetavam em nada as livres, misteriosamente não sabia dizer como, – me veio este, o qual fiz audição em carro, como de costume à época com quase todos os que assim foram. E pensar na banda que me consagrou nesse grande estilo é rememorar passados felizes, dinâmicos, e por vezes bizarros, que mais um álbum dessa banda – então grungeira – não poderia passar batida.

Pois bem, de comentários extras, posso me referir às capas e encartes sempre dignos que encontramos em obra – o famoso olho de peixe que aparece em alguma arte – e os vários arranjos dos líricos que encontramos neste.


Setlist

  1. Go: uma tendência ao hard se observa, mas que, pela época, não deixa de perder o teor punk de cadência rápida… Em suma, o grunge em boa forma. E, claro, Eddie Vedder…
  2. Animal: não ligue tanto para o cantado… perceba melhor a desenvoltura instrumental por aqui.
  3. Daughter: o sucesso radiofônico – e acusticizado – que faz com que não nos sintamos em estranhamento com todo o trabalho aqui desenvolvido. Mas, não nos esqueçamos, temos nossos quinhões de riffs nos entremeios.
  4. Glorified G: A arte do encarte esconde uma letras cheia de potência, bem encaixada nos devidos lugares em sua disposição do álbum. O instrumental também não deixa a desejar, e mantém a cadência do álbum lá em cima com bastante propriedade.
  5. Faixa de destaque Dissident: o semi-hit radiofônico e as boas lembranças de Even Flow, Black, Better Man e I Am Mine [anacrônicas], por todo o feelin’ ainda em vigor de Vedder nesta sublime canção. Nota para o esboço em encarte, como uma letra composta em processo-moto-contínuo na guitarra e no lápis. 
  6. W.M.A.: batidas tribais – baixo marcante – canção-ritual – uma quase-jam de um teor bastante complexo, com singelos riscos de se derrapar.
  7. Blood: o tapa-na-cara com toada punk do álbum. Simplesmente pesada , a ponto de deixar a garganta de Vedder em pinel – coisa que hoje não seria mais possível.
  8. Rearviewmirror: a cirandeira-melodiosa do álbum, dosadamente – e marcadamente – gostosa de ouvir…
  9. Rats: a leve sacada blues do álbum com um vocal absolutamente repugnante – como o título da canção.
  10. Elderly Woman Behind the Counter in a Small Town: ah… A legitimamente acústica na sua linha principal… Faltava algo assim para consagrar um álbum que corre gostoso de se ouvir…
  11. Leash: as distorções e os riffs de guitarras emplacam mais uma fase do álbum, revigorada com um quebra-gelo, mas que começa a pecar por algum ineditismo em falta. 
  12. Indifference: uma levada dark nos lyrics nos dá um singelo e devidamente interessante fim de álbum… A pegada dos teclados, a atmosfera elegíaca, o clássico feelin’ vedderiano…

Dotado de tensão?

O álbum sabe muito bem explorar as nuances do grunge. Mesmo não contando com uma boa distribuição dos hits radiofônicos, sabe manter com plenitude o álbum. No entanto, não sei se é estado de espírito, mas ainda não posso declará-lo como O Álbum daqueles…

EstrelaEstrelaEstrelaEstrela e 1/2


Ouvindo... Pearl Jam: Blood

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Radar Musical: Cinquenta e Nove

Oasis

The Masterplan

[Estúdio (lados B), Sony BMG / Helter Skelter]


Encorajado pelo álbum anterior, como já dito, passei a correr atrás dos que faltavam. Me vêm à lembrança que tanto este quanto o anterior vieram simultaneamente. A primeira audição deste seguiu o mesmo velho esquema de antigamente. Um aparelho de áudio comum… Sem distrações! Apenas a estrada com meu pai e as músicas do Oasis. Por uma questão de ordem de audição – este já pelo fim da viagem – este passa a ser considerado o segundo da lista, numa recorde compra de três, do qual o próximo rende outra história.

Não sendo caracterizado tal como os anteriores como de estúdio numa mesma sessão de gravação por determinado tempo, este compõe-se de lados-B presentes nos singles dos anos anteriores ao álbum anteriormente resenhado. [Para fins de avaliação, será considerado sem nenhuma adição ou subtração de conceito final, por questões de sequencialidade da obra ou presença de feelin’ dos fãs]. Explica, ainda por cima, duas faixas soltas inominadas do álbum já resenhado, e ainda tem direito a um cover dos Beatles. Simplesmente, o confessionário das influências da banda. Sem mais devaneios, veremos o que há do outro lado desta banda ilustre dos memoráveis – para mim – noventa.

Setlist

  1. Acquiesce: tapes rasgados, muita experimentação, e vocais contrastantes;
  2. Underneath the Sky: a boa dose guitarra + violão, o contraste suave proporcionado e uma alegria típica de Oasis;
  3. Talk Tonight: nem mesmo numa coletânea de lados-B me livro dessas acústicas… Tão belas!…
  4. Going Nowhere: a baladinha básica, pontuadas de ooohs e melodias boas para uma tarde ensolarada de domingo;
  5. Fade Away: uma quebra na vibe, trazendo algo mais enérgico, cheio de saúde, até dançante, se arriscar;
  6. Faixa de destaque The Swamp Song: algo ao vivo, pra começar… Que exige um volume bem alto, e traz à tona enfim o caráter de banda pesada que algum dia o Oasis poderia investir. Ah… Pros desavisados, está aqui aqueles dois anexos soltos e inominados em … Morning Glory?;
  7. I Am The Walrus [Live]: o desvario ao vivo, muita distorção e algo que realmente traz um detalhe Beatles aos vocais;
  8. Listen Up: com certeza, dos tempos de Definitely Maybe… ecos vocálicos, guitarras “espaciais”… E uma microssuíte melódica;
  9. Rockin’ Chair: nova baladinha, pontuada, exigente, melodramática por exagero… Mas toca nosso âmago passional;
  10. Half the World Away: ainda na linha das toadas – e mais uma vez, destaque ao violão – e dos teclados ambientados, um jogo-de-sons interessante de se ouvir;
  11. (It’s Good) To Be Free: um meio-termo entre o Oasis suave e o Oasis “cru”, com nuances expressivas e representativas de seu tempo… Ah, e não esqueçamos do realejo;
  12. Stay Young: uma alegre música-cirandeira, que parece não se sustentar sem os efeitos sonoros pontuados;
  13. Headshrinker: uma pegada forte, enfim, pra animar a pista – mas não parece haver muita quebra de expectativa – uma música para os neutros momentos, onde nem o amor nem o ódio dominam tuas emoções;
  14. The Masterplan: e, pra fechar o disco, algo mais na linha de Champagne Supernova, orquestrações divinas, violão – sempre! – e uma velha canção-expurga-males de arrebatar. Digno!

E o outro lado…

Apesar de ter sido escolhido por fãs mais versados, possui seus altos e baixos, e embora este não seja um simples ouvinte de Oasis, confessa que o conjunto não costuma ser muito atrativo, desgastando-se pelo pouco mais de hora que possui. Mas, há momentos-chave que seguram a peteca, então…

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Curiosamente, o shuffle me dá uma de minhas jams preferidas:

Ouvindo... Oasis: The Swamp Song

Radar Musical: Cinquenta e Sete

Oasis

Dig Out Your Soul

[Sony BMG / Big Brother, estúdio]


Há álbuns que me fazem lembrar bons momentos. Os que descrevi logo nos primórdios dessa seção do Radar Musical são, com certeza, os mais antológicos. Não sei se, a despeito da postagem anterior, me tornei um consumidor voraz de material fonográfico e deixei escapar a magia de ouvir um novo álbum. Apesar de ser contrário a parcela monstruosa da receita que um empresário toma do artista em si, há álbuns cuja produção artística merecem ser comprados, com todo o louvor. Esse do Oasis funcionou bem assim: era um daqueles extremamente cotados por todo o nonsense que um certo clipe saído de suas gravações proporciona [ah! gente… Eu amo psicodelia!].

No entanto, esse álbum é um paradoxo. Me faz lembrar de um péssimo momento em minha vida, em uma fase na qual certos modos de agir e certas filosofias práticas, não se mostravam tão práticas assim, tornando-se perturbadoras. Há certas coisas que, parando pra pensar tempos antes, descobri – uma descoberta pessoal, isenta da necessidade de ser verdadeira ou não – que muito mais vale ser sincero consigo próprio do que ostentar máscaras que não lhe condizem. As pessoas próximas sabem o que é isso…

Digressões à parte, embora essa seja uma prática não muito boa. Teve o bom momento de, em conjunto com outro álbum – esse de presente para um tio meu – poder adquirir (embora não no melhor preço, me descubro depois) e aliviar um pouco a tensão que um momento particular, relacionado a essa mudança de pensamento, antes tive, acima descrito.

Como sabem, foi devido a um clipe que adquiri esse CD… E não foi em nada uma perda. Esse álbum do Oasis é extremamente ousado, capaz de subverter a ordem das coisas da banda. Nada do ie-ie-ié a la Beatles… Nada dos excessivos acordes de violão (embora eles sempre são muito bons). É um enveredamento muito intenso da parte da banda neste derradeiro álbum. Uma pena que a geniosidade culminante aqui tenha se dissolvido. Uma pena… Que obras viriam a seguir?? Por ora, ficamos com a impressão desta aqui.

Setlist

  1. Faixa de destaque Bag It Up: no primeiro momento você ouve e se pergunta: “meu! Isso é Oasis por acaso?”, mas num certo momento você percebe que é… Guitarras fortes, baixo troncudo e uma bateria de moer. Isso sim foi uma repaginação, digna de destaque.
  2. The Turning: … e a sequência se dá com algo mais baladista, com atmosfera de teclados, uma retomada dos velhos tempos… Mas com uma maturidade incrível.
  3. Waiting For The Rapture: não fosse o tom, a gente pensa no começo em Five to One, de The Doors… Outra guitarra bem elaborada, ritmado ao extremo. Uma marcha suntuosa.
  4. The Shock of the Lightning: o carro-chefe e objeto de desejo – quem ouve pensa no hard rock, quem vê o clipe pensa nos desvarios dos anos 60. Capaz de ocasionar arrepios profundos em estado de imersão musical. A guitarra no limiar do noise, o baixo bem encaixado, e a velha voz de sempre. E um dos melhores bridges escutados até a época!
  5. I’m Outta Time: e depois de uma experiência sinestésica, encontramos – mais uma vez, meu suplício musical – uma canção bela, com atmosfera acústica, mas na verdade bem elétrica – os teclados que te digam.
  6. (Get Off Your) High Horse Lady: a pegada blues corta a atmosfera melosa da anterior, com percussão a mil, e vocais dignos de nota.
  7. Falling Down: aqui sim, podemos tratar livremente de ares de psicodelismo musical. Fragmentos operísticos, ambientação de ecos, riffs epifânicos…
  8. To Be Where There’s Life: … e a psicodelia prossegue em instrumentação oriental (citarística?) e uma canção cujo vocal lembra muito bem os primórdios da banda.
  9. Ain’t Got Nothin’: a retomada da pegada mais hard, nesta que é uma das mais breves do álbum. Possivelmente, diante de tanta ousadia apresentada antes, essa tenha sido ofuscada ou mal disposta na formação do álbum. Mesmo assim, a experiência elétrica, os quase-berros valem a pena.
  10. The Nature of Reality: indescritível… Nada do que tenhamos ouvido antes. Um aspecto sombrio, quase dark, permeia a música…
  11. Soldier On: não muito elaborada diante de outras musicalmente… O interessante aqui é o eco permanente e alguma instrumentação não-ortodoxa, mas digamos que encerrar o último álbum solo com cinco minutos muito redondos causa uma sensação de que algo melhor podia ter sido feito.

Epifania Musical Digna de Fechamento de Carreira?

Isso não posso dizer com garantia… O álbum investe muito no começo, mas perde um pouco o fôlego no fim. Se bem que a ousadia foi intensa, e um possível ressurgimento da banda vai, com certeza, exigir algo mais inovador que isso.

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Esclarecimentos para quem chega agora nesta seção: Radar Musical é uma seção dedicada aos álbuns físicos e/ou adquiridos online que foram pagos os direitos autorais – e, mais principalmente, a lucratividade do selo, o que não concordamos a respeito. – Não serão postados links direcionados a download nem foram nos álbuns anteriores. Fica a critério e consciência do usuário decidir de qual forma possuirá acesso aos álbuns aqui apresentados. Essa seção não é também uma análise profissional sobre o álbum, tampouco se vale de um critério estritamente musical, senão o de um leigo, um simples usuário/ consumidor/ ouvinte de música, feito você. As faixas de destaque indicadas não necessariamente indicam algum sucesso comercial, mas tão-somente uma escolha do autor por haver algo de essencial na faixa em questão.

No fim de cada álbum, da avaliação, também subjetiva, uma música executada aleatoriamente após o fim do álbum, é postada, para efeito de se conhecer mais sobre o álbum em sites provedores de música.


Ouvindo... Oasis: To Be Where There’s Life

Com esse álbum, começa a maratona Oasis, primeira banda da qual completei minha discografia de estúdio.