Confissões [16]

Eis que me encontro à deriva, inestimada amiga, pois que está tão perto, e ao mesmo tempo, tão distante. Falta incentivo, falta ação, falta muita coisa…

E agora? Me vejo no meio de tantas palavras e agora me vejo prisioneiro delas… Descobri que tudo o que antes fiz, antes construí por elas, nada mais foi do que uma forma de me cativar à solidão. Eu? Estou estou bem comigo mesmo, mas acho que você está certa: nada supera o agir prático, os sentimentos aflorarem sem ruídos. Enfim, mais ação e menos blábláblá… Chega de enrolações, nem que isso custe toda a capacidade poética que construí.

Sim… Quero colocar toda essa escrita a túmulo, se preciso, pra ficar contigo, porque acho injusto a alegria dos apaixonados ser feita dos meus insucessos amorosos. Não é justo tantos casais se aprumarem tendo como base meu amor que manifesto por ti. Não é justo que o motor da compaixão sentimental do mundo se componha do meu inatismo afetivo. Chega disso!

Fala pra mim, amiga, que sim; e vivenciemos a poesia com menos palavras e mais carinhos.


Ouvindo... Stone Temple Pilots: Creep

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Marasmo

Solidão,
nenhuma canção
correndo ecos afora

Percepção,
esperando outrora
uma resposta do longínquo

Dimensão,
espaço agora findo
aberto diante da perspectiva

Negação,
do calor que ao seu lado ativa
a concessão desse marasmo

Vazio em seu antro,
a solitária Terra antes com o infindo Céu
há muito deteve seu orgasmo

E em tempos passados fenece,
de posturas cansadas do mesmo canto.


Ouvindo... Pearl Jam: No Way