Radar Musical: Cinquenta e Seis

Tim Maia

Tim Maia (1971)

[Polydor, estúdio; relançado pela Abril Coleções]


Terminando a sequência do síndico que me interessa – depois desses três resenhados surge alguns Racionais que prefiro evitar – esse último foi para mim de uma surpresa tão grande ter encontrado em algum lugar que não poupei esforços e me pus a  adquiri-lo também.

A ocasião não foi daquelas extraordinárias: tinha decidido minha vida espiritual em caminhos mais conhecidos fazem tempos, havia decidido meus rumos acadêmicos, e esperava pela big-new-thing [que até hoje parece não ter plenamente acontecido].

Como supunha, algumas das minhas canções preferidas do Tim que me faltavam encontrei aqui. E, apesar do álbum não ter causado um impacto tão severo como os outros anteriores me fizeram, talvez não tenha dado a atenção necessária a ele. Veremos como isso fica nesta – leiga – resenha.


Setlist

  1. A Festa do Santo Reis: uma ode à cultura local cristã, ao estilo todo Tim Maia, com direito a onomatopeia de bode.
  2. Faixa de destaque Não Quero Dinheiro (Só Quero Amar): sem palavras – bem que o mundo hoje poderia ser tão hedonista como canta essa [palavras de um financeiramente desprovido de recursos].
  3. Salve Nossa Senhora: mais uma vindo de baião, e o ponto de contato entre o divino e o profano [hein, Tim safadinho…!]
  4. Um Dia Eu Chego Lá: confissões de operário / proletariado, esperançoso na prosperidade financeira.
  5. Não Vou Ficar: como o romper de uma relação pode ser elevado à condição de uma música up? Perguntasse ao síndico enquanto ele esteve entre nós.
  6. Broken Heart: a primeira em inglês – o soul latente, e a confissão de que aquela presença especial nos faz bem…
  7. Você: a melhor forma semiótica musical do Tim com certeza deve estar aqui, nesta balada incrível que mexe com toda a tensão necessária para criar contrastes.
  8. Preciso Aprender a Ser Só: não combinou com o resto do conjunto… Uma quebra no crescente de qualidade, com uma música deveras sombria.
  9. I Don’t Know What To Do With Myself: uma contida recuperação, com direito a backing vocal em português e voz principal em inglês.
  10. É Por Você Que Vivo: isso é um sanduíche cujo pão são músicas tipo lullabies? Ah, não… Há um arranjo estupendo – contido, é verdade – no final.
  11. Meu País: um retrato da breve passagem do Tim nos Estados Unidos?
  12. I Don’t Care: manda bala, malandro internacional, e destila uma boa pra terminar esse álbum – tarefa cumprida!

Chama o síndico (de novo??)

O álbum possui suas propriedades, mas acho que um ouvido apurado, mais soul music pode contribuir com suas opiniões.

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Technorati Marcas: ,,

Ouvindo... Tim Maia: Um Dia Eu Chego Lá

 

Termina aqui a tríade do Tim Maia, mas ainda há mais alguns álbuns a serem resenhados (minha estante que aguente tanto álbum assim…)

Radar Musical: Cinquenta

OasisOasis - Heathen Chemistry

Heathen Chemistry

[Epic / Big Brother, estúdio]


Este álbum do Oasis – meu quarto em aquisição e ainda de estúdio – não sei o que realmente me motivou para tê-lo? Preço barato (R$ 13,00)? Fim da banda (2009)? Influência duma amiga em especial (Hummm…)? Fico me perguntando até agora.

Talvez este seja o reflexo dum período conturbado escolar, onde imperam trabalhos, muito estudo, e uma severa e prejudicial comparação com o semestre passado. Comparação que me fez, acredito, perder muito do potencial que o atual semestre havia de me oferecer.

Óbvio, também criei meus lugares alternativos para permanecer. A Vergueiro é o dos mais fundamentais; Centro Cultural em efervescência. Alguns cafézinhos, bolos e quitutes de sobremesa… Osasco também fora mais presente nesses tempos, mas percebi enfim que o que liga em Osasco são os pontos de encontro – e as pessoas que você gostaria de encontrar neles. – Sem eles, aquilo também é uma cidade morta.

(Falo isso pela saturação de visitar lojas e lojas de shoppings. Até que enfim me despi desse vício).

Vamos ao álbum em si. A aquisição foi ocasional, visto que procurava numa livraria material sobre LIBRAS, o qual não encontrei. E, fuçando minha estimada prateleira de CDs, olha quem encontro com tal precinho? Este aqui.

Com um encarte lembrando muito o Tellin’ Stories dos Charlatans – já comentado aqui anteriormente – resta saber o quanto de interessante este álbum tem a oferecer.

Setlist

  1. The Hindu Times: começa suntuosa, com riffs a dar com pau, vocais característicos. Temo um começo bom assim equiparar um álbum inteiro…
  2. Force of Nature: uma fingida emenda, e vamos a algo que lembra mais Magic Pie na toada inicial, mas que se dissipa no decorrer da música. Ponto positivo pro enfoque vocal e pro swing que não desajustou da anterior.
  3. Hung in a Bad Place: sinto uma afetação de The Clash aqui… à moda Oasis…
  4. Stop Crying Your Heart Out: o carro-chefe propagandeiro do álbum. O piano permeando muito feeling vocal. Note violinos [hmm? Os escuto mesmo?] e toda uma orquestração por trás.
  5. Songbird: depois duma melosidade, nada como uma ciranda roqueira…
  6. Faixa de destaque Little by Little: …pra anteceder uma obra-prima que passou desapercebida aos olhos de muitos – a canção expurgatória de males, num crescente digno de estar a meio caminho do álbum pra dar um up de qualidade.
  7. A Quick Peep: difícil definir o que é esse recheio instrumental, curto e rápido como seu nome.
  8. (Probably) All In The Mind: as sobras de experimentalismos de tempos passados – quem disse que eles se foram?
  9. She Is Love: ahh, acústico que me persegue!!! Mas nada como algo assim, animado. Beira o POP de rádio.
  10. Born On A Different Cloud: a mais obscura do álbum até aqui. E certamente a mais pesada, mais cara-de-protesto, fazendo jus ao rótulo de alternativo.
  11. Better Man (inclui The Cage): algo bem groove chama a atenção nesta canção que relembra os velhos tempos de Manchester de dez anos antes do álbum. Amarra bem o álbum, e, se você é daqueles que não deixa o álbum se esgotar até o talo, perderá uma surpresa lááá… no final – uma canção por sinal muito diferente de tudo o que você ouviu antes, orquestração á moda faroeste americana.

Novidades na sua banda preferida até o momento?

Raros momentos, o álbum chamou verdadeiramente a atenção. Mas não está de todo ruim.

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Ouvindo... Oasis: The Hindu Times