Radar Musical: Sessenta

Oasis

Don’t Believe the Truth

[Sine / Sony Music, estúdio]


Terminando a empreitada que fiz em busca de completar a discografia da banda, este foi o último que me restava a conseguir tal objetivo. No entanto, chegar a tal ponto não foi tarefa fácil… Foram necessárias várias viagens, esperando que essa remessa, vinda de uma loja de outro estado, chegasse via encomenda à loja que solicitei – eventuais críticas e queixas estiveram presentes nesses momentos, com as vendedoras da lojinha de shopping de Osasco – com direito a uma expectativa ao ver determinado dia aparecer uma van amarela dos Correios, provavelmente trazendo, dentre outros embrulhos, o meu… Outras aquisições nesse meio tempo na livraria da vez foram precedentes, numa época em que eu tinha que ser ninja o suficiente pra chegar em Osasco ao mesmo tempo em que meu pai saía do serviço, para evitar ociosidade.

Mas enfim, dado muito tempo, devido a uma greve dos correios, eis que tomo posse do meu álbum, e já não era por tardar. Muito obviamente, eu já o ouviria pela primeira vez no carro, fazendo a odisseica viagem de volta para Ibiúna.

Como traçar uma diretriz pra esse álbum? Bom, digamos que a grande público pouca coisa emplacou dele… Alguns hits passageiros, algumas músicas-padrão e impressões tais como as seguintes apresentadas.

Setlist

  1. Turn Up the Sun: com alguma grandiosidade, mas peca com a falta de versatilidade da banda;
  2. Mucky Fingers: uma daquelas músicas-de-ciranda, mas com uma qualidade vocal contestável. Seria possível esperar algo melhor da banda, como uma percussão menos violenta;
  3. Lyla: … mas deslizes iniciais são compensados por essa suntuosidade característica do Oasis – e não é por ser uma tentativa de hit – com direito a muito riff bem pontuado;
  4. Love Like a Bomb: alguma coisa desencontrada na linha do Standing… Mas com um quê de curioso pelos teclados;
  5. The Importance of Being Idle: numa pegada hard blues, uma boa historieta, e uma possibilidade de hit não emplacado;
  6. The Meaning of Soul: uma ligeira música-de-ciranda, para proporcionar uma distensão, mas não muito efetiva;
  7. Guess God Thinks I’m Abel: enfim (!) as acústicas (que me perseguem), instrumentos de percussão mais rudimentares, noises finais, e um Oasis vocal comparável aos seus primórdios;
  8. Part of the Queue: uma canção expurga-males, da qual há muito tempo não ouço, embora não tão intensa e cheia de feelin’ tal como outras que outrora ouvi;
  9. Keep the Dream Alive: até aqui, a mais densa das canções… Mas considerando que os hits radiofônicos se esgotaram, esta se sustenta com propriedade no conjunto da obra, grandiosamente, como um bom Oasis merece;
  10. A Bell Will Ring: e é impressão minha, ou as coisas mais surpreendentes foram reservadas pros finais do álbum? Ok. Temos que concordar que não há nada de novo aqui, mas importa é que o Oasis ousado nas guitarras e no conjunto harmônico no Rock Alternativo vigora enfim de uma tal forma que cria expectativas pro grand finale
  11. Faixa de destaque Let There Be Love: … plenamente cumprido por uma canção que bebe das fontes de All Around the World e Champagne Supernova. Digno!

Crível e Confiável?

Não seria um álbum agradável de dar loops intermináveis num mesmo dia… No entanto, há momentos de acerto, sobretudo no final, que não permitem que o álbum se torne um fiasco-pedra-no-sapato.

EstrelaEstrelaEstrela e 1/2


O Shuffle é meu amigo:

Ouvindo... Oasis: Lyla

E com este álbum, terminamos as resenhas de álbuns de estúdio do Oasis – pelo menos enquanto a banda estiver desfeita, – restaram algumas poucas músicas avulsas pertencentes a coletâneas, e lados-B de singles não catalogados após The Masterplan.

Radar Musical: Cinquenta e Nove

Oasis

The Masterplan

[Estúdio (lados B), Sony BMG / Helter Skelter]


Encorajado pelo álbum anterior, como já dito, passei a correr atrás dos que faltavam. Me vêm à lembrança que tanto este quanto o anterior vieram simultaneamente. A primeira audição deste seguiu o mesmo velho esquema de antigamente. Um aparelho de áudio comum… Sem distrações! Apenas a estrada com meu pai e as músicas do Oasis. Por uma questão de ordem de audição – este já pelo fim da viagem – este passa a ser considerado o segundo da lista, numa recorde compra de três, do qual o próximo rende outra história.

Não sendo caracterizado tal como os anteriores como de estúdio numa mesma sessão de gravação por determinado tempo, este compõe-se de lados-B presentes nos singles dos anos anteriores ao álbum anteriormente resenhado. [Para fins de avaliação, será considerado sem nenhuma adição ou subtração de conceito final, por questões de sequencialidade da obra ou presença de feelin’ dos fãs]. Explica, ainda por cima, duas faixas soltas inominadas do álbum já resenhado, e ainda tem direito a um cover dos Beatles. Simplesmente, o confessionário das influências da banda. Sem mais devaneios, veremos o que há do outro lado desta banda ilustre dos memoráveis – para mim – noventa.

Setlist

  1. Acquiesce: tapes rasgados, muita experimentação, e vocais contrastantes;
  2. Underneath the Sky: a boa dose guitarra + violão, o contraste suave proporcionado e uma alegria típica de Oasis;
  3. Talk Tonight: nem mesmo numa coletânea de lados-B me livro dessas acústicas… Tão belas!…
  4. Going Nowhere: a baladinha básica, pontuadas de ooohs e melodias boas para uma tarde ensolarada de domingo;
  5. Fade Away: uma quebra na vibe, trazendo algo mais enérgico, cheio de saúde, até dançante, se arriscar;
  6. Faixa de destaque The Swamp Song: algo ao vivo, pra começar… Que exige um volume bem alto, e traz à tona enfim o caráter de banda pesada que algum dia o Oasis poderia investir. Ah… Pros desavisados, está aqui aqueles dois anexos soltos e inominados em … Morning Glory?;
  7. I Am The Walrus [Live]: o desvario ao vivo, muita distorção e algo que realmente traz um detalhe Beatles aos vocais;
  8. Listen Up: com certeza, dos tempos de Definitely Maybe… ecos vocálicos, guitarras “espaciais”… E uma microssuíte melódica;
  9. Rockin’ Chair: nova baladinha, pontuada, exigente, melodramática por exagero… Mas toca nosso âmago passional;
  10. Half the World Away: ainda na linha das toadas – e mais uma vez, destaque ao violão – e dos teclados ambientados, um jogo-de-sons interessante de se ouvir;
  11. (It’s Good) To Be Free: um meio-termo entre o Oasis suave e o Oasis “cru”, com nuances expressivas e representativas de seu tempo… Ah, e não esqueçamos do realejo;
  12. Stay Young: uma alegre música-cirandeira, que parece não se sustentar sem os efeitos sonoros pontuados;
  13. Headshrinker: uma pegada forte, enfim, pra animar a pista – mas não parece haver muita quebra de expectativa – uma música para os neutros momentos, onde nem o amor nem o ódio dominam tuas emoções;
  14. The Masterplan: e, pra fechar o disco, algo mais na linha de Champagne Supernova, orquestrações divinas, violão – sempre! – e uma velha canção-expurga-males de arrebatar. Digno!

E o outro lado…

Apesar de ter sido escolhido por fãs mais versados, possui seus altos e baixos, e embora este não seja um simples ouvinte de Oasis, confessa que o conjunto não costuma ser muito atrativo, desgastando-se pelo pouco mais de hora que possui. Mas, há momentos-chave que seguram a peteca, então…

EstrelaEstrelaEstrelaEstrela


Curiosamente, o shuffle me dá uma de minhas jams preferidas:

Ouvindo... Oasis: The Swamp Song

Radar Musical: Cinquenta e Oito

Oasis

(What’s the Story) Morning Glory?

[Sony BMG / Epic / Helter Skelter, estúdio]


Como dito anteriormente, me empenhei nos tempos seguintes em completar a discografia de estúdio da banda. O maior impulsionador desse fato foi justamente o álbum presente: bagatela apesar do caráter antológico que ele possui.

Este álbum certamente lembra-me uma época apaixonante, das poucas em que vivi em minha rasa vida. Meu curso se mostrava apaixonante, minha condição de recente veterano também, conhecer uma faceta literária da qual adotei em minha vida, idas constantes à terrinha osasquense. Vivia um entremeio entre a paixão edificante da cultura e o frenético consumismo superficial – em livros e CDs, depois de muito tempo.

Muito diferente de uma época em que o ato de adquirir CDs representava apenas um ato automático, o fato de relacionar a banda ao gosto de muitas das minhas amigas mais íntimas em universidade, pessoas nas quais ponho total confiança para ser quem sou – diferentemente de determinados ambientes que frequentei antes – sem máscaras, permitiu-me relacionar cada uma das canções ali postas, como significativas nos momentos que aí se prezam – o meu antológico batismo diurno numa Virada Cultural rolou regado a uma epifania gallagheriana.

Se é apenas porque este álbum é antológico? Não, acredito que não. Espero resgatar momentos nesta audição cautelosa que vão além do diz-que-diz-que.

Setlist

  1. Hello: o falso opening de Wonderwall para os desavisados – boa sacada para ouvintes de rádio? Os fervorosos fãs de moda? O ie-ie-ié dos anos 90? Tudo isso e um pouco mais.
  2. Roll With It: típico Oasis, feito pra animar festas. Mesmo assim, empolgante.
  3. Wonderwall: enfim, uma das antológicas e indescritíveis dos anos noventa – lembra-me muito mais que o ano de 2011. Lembra minha infância quando sequer sabia o que era o Rock…
  4. Don’t Look Back in Anger: o piano dividindo lugar com guitarra, baixo e bateria, dando seu ar da graça, na canção mais melancólica do álbum. De chorar (se eu pudesse)!
  5. Hey Now!: Riffs e baterias moendo, nesta que eu classificaria como Rock-de-ciranda. Parando e recomeçando vezes e vezes.
  6. O instrumental inonimado ligeiro e breve dá uma mostra que Oasis sabe fazer algum Hard Rock, à época.
  7. Some Might Say: intensa. Outra à moda cirandeira. Algo que o Oasis sabia investir muito bem sem se tornar piegas. Isso, sim, se chama Britpop.
  8. Cast No Shadow: só não é mais acústico por falta de ousadia. Doses certas de violão, que permitem que esta toada conquiste seu espaço dentro do álbum – e que eu não supere a estigma da canção acústica na minha discoteca. – Também foi uma das muitas que embalou a temporada fria de retornos ao meu cantinho de sono no interior, ao céu escuro [sinestesias à vista];
  9. She’s Electric: anacronicamente falando, esta é uma das que refletem trabalhos posteriores. Um Oasis que não deixa a peteca cair, mas que não investe muito em ousar. Tempos de recessão musical futuros… Talvez a única derrocada num álbum tão perfeito.
  10. Faixa de destaque Morning Glory: um prenúncio de ideias para o álbum de estúdio seguinte? Um ensaio para o Hard Rock? Um noise britpop, suntuosidade magnânima? Muitíssimo mais que isso – uma cirandeira espivetada regada a riffs potentes e distorções incríveis como nunca ouvi antes. A sinestesia dos pulsos visuais nas voltas noturnas, os fogos de artifício imaginativos estrada afora…
  11. O segundo instrumental breve, ligeiro e inonimável, na verdade é uma relação do primeiro, com cachoeira que introduz a chave de ouro…
  12. Champagne Supernova: … a grande suntuosidade e outro carro-chefe, maravilhoso, mini-suíte que reúne todas as características do álbum inteiro. Um nó condutor de todo o álbum. Se gravado antes, se depois, não importa… Estrategicamente, foi uma das melhores escolhas pra se encerrar um álbum que já ouvi até então.

Honra o nome do álbum?

Praticamente honra. Mas há algum momento que parece surgir um desgaste na disposição musical feita. Mas a antológica última faixa com característica de orquestra capacita e muito o álbum para ser um dos melhores que existem – e que eu já ouvi. Nada que decaia o conceito.

EstrelaEstrelaEstrelaEstrelaEstrela


Ouvindo... Oasis: Don’t Look Back In Anger

Radar Musical: Cinquenta e Sete

Oasis

Dig Out Your Soul

[Sony BMG / Big Brother, estúdio]


Há álbuns que me fazem lembrar bons momentos. Os que descrevi logo nos primórdios dessa seção do Radar Musical são, com certeza, os mais antológicos. Não sei se, a despeito da postagem anterior, me tornei um consumidor voraz de material fonográfico e deixei escapar a magia de ouvir um novo álbum. Apesar de ser contrário a parcela monstruosa da receita que um empresário toma do artista em si, há álbuns cuja produção artística merecem ser comprados, com todo o louvor. Esse do Oasis funcionou bem assim: era um daqueles extremamente cotados por todo o nonsense que um certo clipe saído de suas gravações proporciona [ah! gente… Eu amo psicodelia!].

No entanto, esse álbum é um paradoxo. Me faz lembrar de um péssimo momento em minha vida, em uma fase na qual certos modos de agir e certas filosofias práticas, não se mostravam tão práticas assim, tornando-se perturbadoras. Há certas coisas que, parando pra pensar tempos antes, descobri – uma descoberta pessoal, isenta da necessidade de ser verdadeira ou não – que muito mais vale ser sincero consigo próprio do que ostentar máscaras que não lhe condizem. As pessoas próximas sabem o que é isso…

Digressões à parte, embora essa seja uma prática não muito boa. Teve o bom momento de, em conjunto com outro álbum – esse de presente para um tio meu – poder adquirir (embora não no melhor preço, me descubro depois) e aliviar um pouco a tensão que um momento particular, relacionado a essa mudança de pensamento, antes tive, acima descrito.

Como sabem, foi devido a um clipe que adquiri esse CD… E não foi em nada uma perda. Esse álbum do Oasis é extremamente ousado, capaz de subverter a ordem das coisas da banda. Nada do ie-ie-ié a la Beatles… Nada dos excessivos acordes de violão (embora eles sempre são muito bons). É um enveredamento muito intenso da parte da banda neste derradeiro álbum. Uma pena que a geniosidade culminante aqui tenha se dissolvido. Uma pena… Que obras viriam a seguir?? Por ora, ficamos com a impressão desta aqui.

Setlist

  1. Faixa de destaque Bag It Up: no primeiro momento você ouve e se pergunta: “meu! Isso é Oasis por acaso?”, mas num certo momento você percebe que é… Guitarras fortes, baixo troncudo e uma bateria de moer. Isso sim foi uma repaginação, digna de destaque.
  2. The Turning: … e a sequência se dá com algo mais baladista, com atmosfera de teclados, uma retomada dos velhos tempos… Mas com uma maturidade incrível.
  3. Waiting For The Rapture: não fosse o tom, a gente pensa no começo em Five to One, de The Doors… Outra guitarra bem elaborada, ritmado ao extremo. Uma marcha suntuosa.
  4. The Shock of the Lightning: o carro-chefe e objeto de desejo – quem ouve pensa no hard rock, quem vê o clipe pensa nos desvarios dos anos 60. Capaz de ocasionar arrepios profundos em estado de imersão musical. A guitarra no limiar do noise, o baixo bem encaixado, e a velha voz de sempre. E um dos melhores bridges escutados até a época!
  5. I’m Outta Time: e depois de uma experiência sinestésica, encontramos – mais uma vez, meu suplício musical – uma canção bela, com atmosfera acústica, mas na verdade bem elétrica – os teclados que te digam.
  6. (Get Off Your) High Horse Lady: a pegada blues corta a atmosfera melosa da anterior, com percussão a mil, e vocais dignos de nota.
  7. Falling Down: aqui sim, podemos tratar livremente de ares de psicodelismo musical. Fragmentos operísticos, ambientação de ecos, riffs epifânicos…
  8. To Be Where There’s Life: … e a psicodelia prossegue em instrumentação oriental (citarística?) e uma canção cujo vocal lembra muito bem os primórdios da banda.
  9. Ain’t Got Nothin’: a retomada da pegada mais hard, nesta que é uma das mais breves do álbum. Possivelmente, diante de tanta ousadia apresentada antes, essa tenha sido ofuscada ou mal disposta na formação do álbum. Mesmo assim, a experiência elétrica, os quase-berros valem a pena.
  10. The Nature of Reality: indescritível… Nada do que tenhamos ouvido antes. Um aspecto sombrio, quase dark, permeia a música…
  11. Soldier On: não muito elaborada diante de outras musicalmente… O interessante aqui é o eco permanente e alguma instrumentação não-ortodoxa, mas digamos que encerrar o último álbum solo com cinco minutos muito redondos causa uma sensação de que algo melhor podia ter sido feito.

Epifania Musical Digna de Fechamento de Carreira?

Isso não posso dizer com garantia… O álbum investe muito no começo, mas perde um pouco o fôlego no fim. Se bem que a ousadia foi intensa, e um possível ressurgimento da banda vai, com certeza, exigir algo mais inovador que isso.

EstrelaEstrelaEstrelaEstrela e 1/2


Esclarecimentos para quem chega agora nesta seção: Radar Musical é uma seção dedicada aos álbuns físicos e/ou adquiridos online que foram pagos os direitos autorais – e, mais principalmente, a lucratividade do selo, o que não concordamos a respeito. – Não serão postados links direcionados a download nem foram nos álbuns anteriores. Fica a critério e consciência do usuário decidir de qual forma possuirá acesso aos álbuns aqui apresentados. Essa seção não é também uma análise profissional sobre o álbum, tampouco se vale de um critério estritamente musical, senão o de um leigo, um simples usuário/ consumidor/ ouvinte de música, feito você. As faixas de destaque indicadas não necessariamente indicam algum sucesso comercial, mas tão-somente uma escolha do autor por haver algo de essencial na faixa em questão.

No fim de cada álbum, da avaliação, também subjetiva, uma música executada aleatoriamente após o fim do álbum, é postada, para efeito de se conhecer mais sobre o álbum em sites provedores de música.


Ouvindo... Oasis: To Be Where There’s Life

Com esse álbum, começa a maratona Oasis, primeira banda da qual completei minha discografia de estúdio.