Alice no País das Maravilhas

Por Lewis Carroll

Tradução de Márcia Feriotti Meira


Este livro é uma das mais famosas obras-primas da literatura universal destinada ao público infantil.

Alice no País das Maravilhas (1865) são fantasias oníricas e lúdicas sobre a realidade e a linguagem. Explorando a aparente ausência de sentido em sentenças gramaticalmente corretas, Lewis Carroll foi um dos pioneiros na pesquisa de uma nova ciência do discurso, por meio da simbolização.

Aparentemente destinada às crianças, na verdade oculta questionamentos de toda espécie, lógicos ou semânticos, problemas psicológicos de identidade a até políticos, tudo sob a capa de aventuras fantásticas.

Esta edição apresenta as famosas ilustrações originais, criadas por John Tenniel.

Fonte: divulgação; Ed. Martin Claret


Imagine aquele sonho desvairado que você teve na última noite [não falo do meu… ele pareceu mais um pesadelo Smiley chorando] em que nada se explicava, tudo começava e ficava pelos meados, você seguia para lugar nenhum e o mundo mudava à sua volta (e até mesmo você!).

Pois bem, Carroll fez disso enredo de livro.

Apresentando mini-histórias, a princípio desconexas, de uma garota imersa nos próprios sonhos, que curiosamente, e constrangedoramente, predica sobre todas as situações que a rodeiam numa terra bizarra, onde animais falam, apresentam comportamentos típicos do ser humano – ou por dizer na ótica do autor, bizarros – e que mal sabe fazer um juízo de si mesma naquele contexto de convivência – uma aparente falta de malícia, “tipicamente” infantil – que anteriormente poderia ser considerado motivo de chacota entre os clássicos escritores, onde enredos necessariamente devem ser concisos.

Por ser de uma leitura metalinguística muito complexa, distinções entre diversas versões são frequentes. Esta em mãos, apesar de dar uma ideia bem abalizada sobre as questões de pragmática, não aprofunda-se na complexidade que o original em inglês [dizem] aparenta. Outras versões do clássico abordam o problema dos dêiticos (as palavras que só ganham sentido pelo seu uso concreto) ou das inversões de conceitos arraigados em nossa sociedade (quem não se lembra do clássico exemplo dos “desaniversários” na releitura infantil do desenho dos estúdios da Disney?)

Uma rápida busca no mar da internet pode te conduzir às mais distintas versões de Alice. Mas o livro em questão traz uma leitura que rompe com o lirismo imaginário de quem está acostumado com a animação dos estúdios Disney, ou a releitura sombria de Burton no filme-animação lançado há não muito tempo.

De toda forma, qualquer que seja o material que você veja ou leia, fica aquela nossa clássica recomendação de leitura – principalmente se você tiver um arcabouço poderoso em inglês, para ler o original.

Qual o diferencial?

Contrariamente aos outros livros que aqui citamos, de todas as formas, assentemo-nos na tradição, qual seja ela, a reprodução das ilustrações à pena feitas para o original, por John Tenniel.

Avaliação

Uma posterior leitura de outra tradução na íntegra pode dar uma melhor noção de como avaliar esta com propriedade. No momento…

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Ouvindo... Madonna: Hung Up

Favor não perguntar sobre o sonho. Minha consciência agradece…

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Resenhas Filosóficas: Dez

Um Manual para a Masculinidade Erótica

KIERKEGAARD, Sören;
Escola Diário de Um Sedutor
ISBN 85-7232-525-5
Trad.: Jean Melville
Ed. Martin Claret
São Paulo, 2002


Misture a confiança de um sujeito em seu repertório argumentativo, e o frescor juvenil de uma moça ainda não experimentada: eis a receita que é feita de escopo a obras como essa.

O teólogo e filósofo dinamarquês, considerado canonicamente como o pai do existencialismo, faz um convite à imersão do universo desse sujeito, crente em sua missão, incólume, necessária e austera em conduzir uma donzela à vivência plena de seus gozos [sim, em outras palavras, meu amigo, trata-se dos passos necessários para deixá-la com vontade de ter sua primeira relação].

Através de muitas imagens evocadas – em figuras e em lembranças psicofísicas do próprio narrador –, o louvor àquela pessoa, alvo de suas investidas, é o tema central dessa digressão, meio literária, meio filosófica. Haveria sucesso nessas investidas? Ou seriam essas nada mais que cumuladas fantasias de méritos imaginavelmente obtidos?

Ao ponto de vista de quem narra, tem-se absolutamente o controle de tudo. Todos os passos são milimetricamente ponderados; as reações são previsíveis; há uma cartilha do que deve ser feito – e do que não deve também – e a mecanicidade dos atos é julgada própria de quem se ostenta como sedutor. Cabe nos dias atuais tal pessoa? Ou tais “vítimas”, que não se emendam mais a ser vítimas, mas sim, algozes de sua própria vitimicidade? Há um sedutor idealizado pelo próprio autor, presente em nosso meio, capaz de ostentar os mesmos sucessos por mérito próprio, e não apenas por uma concessão feminina?

A reflexo de sua época, em que convenções sociais reprimem as vontades primordiais e preservam uma artificiosa mocidade, Kierkegaard nos põe em xeque sobre nossas vicissitudes eróticas, sua amplitude e consequências.


Estrutura: LâmpadaLâmpadaLâmpadaLâmpada

Clareza: Smiley de boca abertaSmiley de boca abertaSmiley de boca abertaSmiley de boca aberta e 1/2

Contestatividade: Explodindo de raivaExplodindo de raiva

Avaliação Final: EstrelaEstrelaEstrelaEstrela


Ouvindo... Pearl Jam: Thumbing My Way