Visionaridade (ou Manifesto Visionarista)

Douglas Potingatu

Alea jacta est.


Eis-me, de alegoria fantasiosa
simples Lilith Gott, simulacro da beleza feminina:
pus-te em pedestal ultraportentoso
num lugar sagrado uma profana fescenina
de poeta pretensão quase a vida tangenciou
e de sublime enredo quase me olvidou

É que, no tocar do masculino e feminino
coisa vária revelação onanista me ocorreu:
o alucinado transcendente conluio do mundo moderno
pedindo respostas me desafiou e, pasmem
por um instante me obedeceu

Respondo-te, ó mundo aflito
à altura do desafio proposto:
quer uma resposta rápida e pronta
vos digo, achando minhas referências
com parcimônia e deveras paciência,
que o tempo não urge, e digo fato…
Leia São Mateus, Dante, Petrarca, o Puro Sagrado
o escatológico inefável e indizível
as grandes obras que não escandalizam
porque o instante-já do desperdício
o mau uso hipertextual
fenece, oblitera e aterra nosso presente
Verdadeiramente Presente
porque
queremos tocar o Supremo Deus
o Deus transcendental de Kant
o Ding-an-sich, o Zeitgeist hegeliano
e não podemos!

Profetizam os Cristos de hoje:
os radicalismos idiotas já não prestam
porque eles matam, em ênfase
como mataram a Grécia Antiga
pela híbris excessiva e perva
sim! Perva!
Sócrates, onde tu fostes parar!!!

Não é o imediato, o irrefletido
o artificialmente modificado…
a Sabedoria proclama:
o homem não é Deus!!!
O homem não sabe disso
mas eu
pessoa
sei disto!
Não sou eu, aedo
– hoje gosto de assim dizer –
que somente testemunha todos os tempos em um
loucos, esquizofrênicos, deprimentes
os corpos cyborguizados de modo errôneo
os superficiais que acham o trino sexto
que fora outrora revelado a João
e apedrejam
matam
destituem a pessoa de si
mas sim
todos nós!

Divina Providência,
portentosa potestade dantesca que me grita com serenidade:
dá-nos as Pazes!
dá-nos nossos descansos de cada dia
dá-nos os nossos humoristas do Nordeste
olhemos a África e o Oriente Médio
assolados pelo Supremo Ódio
o Mal Absoluto
que Hannah Arendt tanto insistiu conosco
e faça, Javé, Shekinah
ou o que tu queiras chamar…
isso é o de menos,
meu caro sujeito pós-moderno
que não sabe dizer algo do seu tempo
parai e pensai
no bom senso e na semiótica:
se é uma palavra que tu precisas,
meu filho,
(porque sei que precisas de palavras)
pense um pouco, questione e enfim
me responda:
ela pode ser “visionaridade”?


(Nota de cocheira: Papa Francisco logo lançará sua encíclica. Que Deus o abençoe.)

Ouça: Anotação The Byrds: Turn! Turn! Turn!

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