À José J. K.

Caro Especialista:
para ti
tenho um servicinho…

Vide esta moça (mostro a foto),
Não! Não é execução: trabalho um cadinho diferenciado
Porta de entrada, caríssimo pórtico
para a paranoia social existente
na farmaconspiração.

Eis! Madeixas alvas, feito tua Kirsten
– hey! Não me aponte essa tua Glock aí –
missão: faça-se convalescente
feito um desvario aporético
mas faça bem como o Hamlet
afinal, como tu mesmo diria:
Hominis insania lucidum est
– se alguém o disse, creio que sim,
também almejo ser latinista…
tá tá… Latim só pra quem conhece, entendi!

Enfim, meu caro, chamo-a de Babilônica…
crime? Nenhum, a não ser
ser algoz de minha fármaco condição
pois a ela me rendi
a ela dei minha capacidade de imaginar
a ela dei meu potencial
a serviço da ciência
sim! Essa maldita tecnicidade
que laboratiza os corpos
e põe no bolso encangalhado seus quinhões.

Hum, tu tá entendendo – calma aí!!!
Não estoure os miolos dela –
use-a como pórtico de entrada…
encontre o filho da puta que assina
as bulas de Depakote
essa pequena cápsula robotizada
que vira um Leviatã em nossa rede neural
e impede a telepatia entre pobres mortais
– sim, sabe o que acontece depois que você toma teu antidepressivo, Especialista?
… isso mesmo… Você tá ficando velho em tua função, sua mira não está tão boa assim –
estoure, isso sim, os miolos daquele rabo-mole que age em duas linhas:
a primeira, esta de Natrium Divalprohatum, financiamento ativo,
a segunda, a ode à Cultura do Perfeito, essa pérfida e horrível
capciosa maneira de pensar dos nossos dias, do tudo-contente
do nada-falho, do nunca-descansar…

Aham! Tu compartilha o mesmo…
mas calma aí, Especialista!
munição pouca é bobagem
– não falo em latim porque eles não tinham armas de fogo –
Melhor quatro, não! cinco pentes! Talvez seis ou sete
mil câmeras serão seus primeiros executados
use a Babilônica como seu escudo humano
e tua senha de entrada no pavimento A+³

Eis, lá, o filho da mãe, cagando ouro
e limpando com notas de euros
vai no seu helicóptero
e mora em Alphaville
sim! São Paulo é tua área de ação
e esta, José – falo assim porque você sabe que
isto é absolutamente sério – será
a tua mais difícil missão.

Pago bem: eu
e os tantos milhões
aprisionados por essa bosta de Cultura
e também por essa rósea
cápsula pútrida da vigilância!

Ah! A linda Babilônica?
Faça o que bem quiser,
só não a execute
– afinal, ela também sabe latim.

(Continua)


Ouvindo... Bad Religion: The Hopeless Housewife

Mnemósine Encarnada

No vigésimo trino
do segundo ciclo lunar
do décimo, trino-milenar

Eis que surge
brônzeas madeixas
animação efusiva

Fã de desenho
me lembrou
dos tempos de infância

De maneira oitentista
os seus mais vinte vividos
sabem o que quer

Decidiu conhecer
o Olímpico Panteão
da infindável investigação

Ela é
a desconstrutora
do discurso frágil

Ela é
a referência
do animo estudantil certiro

Ela é
a referência prima
confessa contra-parte de ânimo

Mal sabem os demais
que seu helênico apreço
nada mais é
que a metempsicose mais elementar

Foi esta a rememorança
dos épicos feitos
dos românticos planos
e dos desvarios modernos

Ela está em oculto
pois o mundo hoje é árduo
intolerante à antiga cosmogonia
crucifica deidades pagãs

Mas hei que vos digo
que a Mnemósine voltou
nesta citada que vos conto
pronta pro novo século

Desde
o vigésino trino
do segundo ciclo lunar
do décimo, trino-milenar.


Interessante a sugestão do Shuffle, fosse daqui a algumas horas…

Ouvindo... Morrissey: It’s Not Your Birthday Anymore

Beatriceida (vv. 76-100)

Quedas, convulsões estridentes, vagando ao vazio
agonizam no peito em difusa cisão descomplacente e estéril
que processam em ilógicos atos, possessos que confio
metafísicos sofreres, imundos e queimantes, projétil
sádico tal qual ardência que persegue em profusão.

Será que as baixas em estima em nosso entorno capazes
desse frágil vínculo acadêmico desfazer?
Não farás de tal vitupério assombros algozes
que mutuamente procedem fortuito arrefecer
neste impresso compêndio sorriso que em ti me admira.

Uma música te descreve? Sim! Declaro
haver muitas que declamam cada dourado momento:
desde as odes ao conjunto estelar, ou raro
pesares que falhas instáveis causam fenecimento,
desse misto sentimento confuso que prescreve.

Não mais aqui faço um sincero apelo sufocado então
que mesmo sem ter ressonância em ti, persevere condição
ansiando, liberta, uma digna e feliz saída alegre
observando mítico olhar, inalterável benesse
casual Fortuna procure em si material de vida.

Eis uma amostra deste dual cingente
canto belo, Musa-Mor, cedido à impassível
Citereia de orbes cristais-salinos reticente
que um termo escuso quis delimitar: face intangível
pan-esbelta que atende ao clamor de Beatriz…


Essa elegia poderia continuar indefinidamente por ser indefinível e insuficiente, mas acredito que ela é o mínimo suficiente para demonstrar meu apreço por esta pessoa em especial. Como disse Chico algum dia…

Sim… Me leva para sempre Beatriz,
me ensine a não andar com os pés no chão,
para sempre é sempre por um triz…
Diz quantos desastres tem na minha mão,
diz se é perigoso a gente ser feliz…

Ouvindo... Eurythimics: Sweet Dreams (Are Made of This)

Beatriceida (vv. 51-75)

Por mais que assim me disponha, não consigo bem conter
a explosão que conflita continuamente em mim,
semblante inabalável, à nada semelha contrário querer
incursões de aura indecifrável cor de carmesim
concorrem à tua vista, face de giz bem-quista.

Tuas madeixas lisas de ônix, perpassantes
deixaram-me impressas um fluído aroma denso e intrigante
em meio a resmas de gravuras, sons e poemas,
mitos vampirescos, grifos, harpias, gôlens e ravenas
que encontram em ti uma narradora complexa em desatino.

Rubor este, incrível, qual atúrdio me assombra em gravidade
decênio nunca presencio de modo maneira,
torpor me assoma em síntese pretérito impulso em verdade
que confuso razão desvanece e executo besteira,
em seguir luz feliz de singular alegria em curso.

Impulso em decurso, vórtice somático, apresentar
indizível percurso, emblema incrustado em dantesca motivação
quintessência inexplorável do profundo mar
ao inatingível céu, eterno teto sem limitação;
estou em devaneio, de Fortuna declarar: comporte-se!

Ando fazendo tremendo estrago: horrível demais
sofrimento que lampejo diante de minha ciência.
Peço a este silêncio tortuoso que reprime tanta clemência
que profetize singela sentença… Não! Jamais
torture com tua ausência este aedo em profuso conclavo.


Em breve, o que suponho ser o término (do começo Smiley virando os olhos) desta elegia em gestação.

Ouvindo... Icehouse: No Promises

Beatriceida (vv. 26-50)

Proponho renascer melhor condição, bem amiga
os conluios confessos nossos em tempos juntos amáveis
construindo essa aliança forte como viga
de forma inexpressível, celeste, sobremodo incríveis
excelso convívio que ruínas declarei reversos.

Que vínculo é este, me pergunto, secreta resposta que angustia?
Tal fato fascina, me corrobora, intrigante,
dados teus olhos salinos-cristais que, únicos, incutia
um ardor divino há muito não contristante:
o dia na noite, seu reverso e seduzente morte na vida.

Teu signo, ainda imerso em curiosa névoa
arrebata irresistível esta qualificada vontade
de saber quem tu és, graciosa borboleta que revoa
e pousa em minha janela, permitindo gran’ curiosidade
deste, natureza amante, em fenômeno plausível.

Que canção te traduz, qual obra te indica, pintura representa,
manifesto artístico melhor teu retrato complementa?
Nada sob o sol consegue amainar esse pálido protesto,
nem mesmo as Nove Musas, que ajoelho e reteso
condição servil e escrava, me consome, que me dissolve e abusa.

Eis o retrato da ruína, em códice feita
por uma mulher onde etérea leveza, apenas um detalhe:
bastam alguns minutos de prosa: perfeita
em sobre-humana compreensão que supera o entalhe
corporal da matéria bela que procurou escolher.


Continua…

Ouvindo... Coldplay: Violet Hill

Beatriceida (vv. 1–25)

Beatriz, excepcional bela Musa
Citereia dos harmônicos versos
de outrora, franco aprendizado excelso,
essa charmosa língua se disponha:
seja a Roxanne d’algum Cyrano
que, em sua imersa angústia esteticista
possa romper desta barreira, vivo
sem que tal flagelo do tempo absorva.

(USPn, 1748-55)

Espero que esse Cyrano não seja justo eu, após essa elegia de 100 versos que me proponho a fazer, a uma pessoa quintessencialmente especial…


Novamente, Musa-Mor, contigo, façanha
grandiosa e ambivalente digno proponho
a cantar quintessente diva de remoto sonho,
sorriso etéreo, olhos cristal que me assanha,
tal maneira que este belo cantar, insuficiente.

Que Fortuna desditosa ou sorte assim me inflige
saber de tua presença, irremediável, vir asseverar
em tempos idos, preclaro insano estar
absorto em tua singular personalidade que aflige
meu conflito poético que desaba em abalo.

Quem dera, se soubesse desse sofrer, roer maligno
antecedente impor razão contendora
nem sequer vislumbrava estes olhos azuis salinos
que suponho incógnita lógica vil e avassaladora
deixando meu juízo afetivo louco, descompasso coração.

Mas tal desejo, o cruel tempo me impede
desta concessão de afastar-me da pessoa que, logo, feliz
convalesce minha consciência, inefável, pede
que pelo bem mútuo, insista em tua condição de atriz
e despeça esse ignóbil poeta em inútil demência.

Faria este favor em primazia desta amizade?
Sim! Assino por sobre, mas agora, tarde
demais pedir ao meu Ego semelhante benesse saudável:
nesta guerra psíquica eterna, inesgotável,
acordo para o fim deste maldito conflito renego.


Continua…

Ouvindo... Oasis: Hey Now!

Elopeia (vv. 83-100)

Mas é certo vê-la mais uma vez? O tempo dirá
os reencontros que daqui em diante teremos:
cada “bom dia!” recebido, cada “obrigada!” valerá
o quinhão diário, sorte fortuita somenos;
outras beldades virão: será certo e inefável
admitir que concorrer terá tal simpatia;
mas asseguro, certeza, estas madeixas não esqueceria,
particulares, sem igual, beleza incopiável.
Mas teu estatuto maior de memória nada se compara
ao espírito alegre, juvenil, feliz que surpreende;
caráter íntegro, contente humor… Quem te vê, repara
e toda essa homenagem considera e entende.

Ventura seja seu caminhar, iluminada amizade
e ditosos os feitos que faça daqui por diante.
Multipliquem-se tais momentos, mesmo num instante,
esse duradouro e eterno convívio: verdade!

Encerro, Musa, este singelo poema, leve como canção,
e dedico à grande Eleonora, irmã de coração.


Ouvindo... Oasis: Where Did It All Go Wrong?

Projeto grande de férias concluído com êxito! Alegre