Confissões [16]

Eis que me encontro à deriva, inestimada amiga, pois que está tão perto, e ao mesmo tempo, tão distante. Falta incentivo, falta ação, falta muita coisa…

E agora? Me vejo no meio de tantas palavras e agora me vejo prisioneiro delas… Descobri que tudo o que antes fiz, antes construí por elas, nada mais foi do que uma forma de me cativar à solidão. Eu? Estou estou bem comigo mesmo, mas acho que você está certa: nada supera o agir prático, os sentimentos aflorarem sem ruídos. Enfim, mais ação e menos blábláblá… Chega de enrolações, nem que isso custe toda a capacidade poética que construí.

Sim… Quero colocar toda essa escrita a túmulo, se preciso, pra ficar contigo, porque acho injusto a alegria dos apaixonados ser feita dos meus insucessos amorosos. Não é justo tantos casais se aprumarem tendo como base meu amor que manifesto por ti. Não é justo que o motor da compaixão sentimental do mundo se componha do meu inatismo afetivo. Chega disso!

Fala pra mim, amiga, que sim; e vivenciemos a poesia com menos palavras e mais carinhos.


Ouvindo... Stone Temple Pilots: Creep

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Confissões [6]

Enfim, minha amiga, sinto sua falta… A negação da existência primordial, descendente da Noite Caótica, me cerca de uma tal maneira tão perturbadora, que jamais antes fez. Ela tomou, persuasiva, todos aqueles que à minha íntima volta convivem, prenunciando o fim dos tempos. Eu sei que sou forte, mas não sou uma muralha indestrutível. Se assim fosse, não sofreria, mas tampouco não amaria… A vida não teria sentido não-racional… Aquele sentido de satisfação que só algo etéreo, espiritual, nos forneceria. O “obrigado” de alguém… O “de nada” de retorno…

Por favor, amiga, não suma… A descendência funesta Noite Caótica quer de toda forma arrebatar você para um beco-sem-saída, te desencorajar a seguir em frente… Quer desencorajar todos à nossa volta! Quer anunciar o fim-dos-tempos que não existem como uma hecatombe material! Não permita que ela tire o sorriso de teu rosto, não permita que ela me faça deixar de sorrir pra você.

Não permita que ela me faça esquecer que, apesar de toda angústia que eu vivo, eu amo dialogar contigo, e na incerteza de mim, possa achar a certeza de que quero ainda ver o desabrochar da flor que tem um perfume, igual ao do teu carinhoso colo, amiga. Não permita que ela silencie estas palavras por uma cinzenta intenção, seja pelo derramamento de sangue alheio, seja pelo sentimento de vingança do ofendido que se acha no direito de revidar pela mesma moeda com que foi ferido.

Mostre-me o caminho da comunhão despretensiosa, amiga, pois que, apesar de ter dado a todos a sua vez, eu também desejo a minha; não por ser egoísta, mas é que a espera e dura, solitária… E amiga da descendência funesta da Noite Caótica.


Ouvindo... Faith No More: Everything’s Ruined