Remake-ing

Vórtice:
doxoduto
ad infinitum

Triunvirato cosmicum
babilônico desvario

Se manifesta védico
compêndio upanishad ulterior

Deslocamento espaço-temporal
conceito profuso, fato inerte

Esvoaça! Esvoaça!!!
apocalíptico
o desvelo terrível
e a redenção no ajoelhar
diante da imagem curvilínea
áurea virtude nevisse presente

Qual diva circuncisa
qual musa conspurcada
qual vate incrédulo
qual desafio prospecto
qual uno proveito
qual Máquina em orbe perfeita
circunspecto hermetismo
qual economia forte
qual caseira forje
qual indústria portento
qual força reativa
qual cirurgia desfigurativa
qual figura prerrogativa
do status quo realinhado?

O Processo, roda refeito
tal qual a budista circunferência vivaz
girando imersa no peito

Agora, os novos tempos vindouros
trazem em si a insanidade
em que a transparência irritante
decifra, nos códigos abertos
a clausura dos tempos de pedra:

Nada de novo se faz diante do Sol,
o catalisador da imensa Fagulha Universal.


Ouvindo... Rolling Stones: It Won’t Take Long

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Derradeiras Epifanias (As Primeiras de Muitas)

Fim dos tempos,
a xícara de café anuncia a derrocada,
as putas lotando a esquina,
incorrigível concorrência,
a desmagnetização planetária,
o caos econômico,
o terremoto some-areia,
o olho-por-olho imperando,
a intolerância reinando,
o swing rolando,
ninguém é mais de ninguém…

A noite clarifica mais que o dia,
a xícara de cafeína fortificada,
o LSD vendido a esmo pelas avenidas,
moças de azuis olhos cantando árias,
funestas odes do apocalipse,
as poetisas em declínio,
os poetas em desespero,
o pobre em decomposição,
e o rico em corrupção.

A cegueira de espírito – essa a pior,
que possui a alma em vista d’outrem,  
torna frio, impossível relação;
mais uma xícara de esteroides,
o repórter a coletes à prova de bala,
o canhão de laser apontado para a Caxemira,
e a assepsia sobre as baratas.

Não se canta sobre o Amor,
sobre o Louvor, sobre a Angústia:
todo sentimento foi extinto,
só existe satisfação,
superficial orgulho,
profunda inveja,
muita, muita ira,
e doses de xícaras de dopaminas.

Máquinas em rebelião,
greve automatizada, o escravismo orgânico,
“É a evolução, baby!!!”
Tua recompensa, meu filho, pra tua cega obediência,
será o paraíso, mas para isso,
derrame o sangue impuro da face da Terra,
pois que enquanto a matéria não for queimada,
o espírito jamais poderá atravessar a porta da Esperança,
através de doses cavalares de xícaras de veneno.

A vida de Andrômeda,
que enfim veio nos conhecer,
na noite profunda da rotunda Gaia ferida em seu âmago,
decepcionou-se com nossas atitudes,
e num gesto de compaixão, decidiu,
por fim a este agonizante óbito terrestre,
tomar um barril de resíduo de plutônio,
exterminando as sobras fétidas desse Sistema Solar,
engoliu o Sol, feneceu Europa, Io e Caronte…
Implodiu Júpiter e o Cinturão de Marte,
e no conglomerado de Virgem,
o braço de vida semi-inteligente
conhecida como planeta Terra,
foi extinto dos arquivos universais.

Não sobrou nem planos espirituais pra contar a história,
os visitantes de Andrômeda, aturdidos, entraram em combustão,
e ninguém soube da poesia outrora escrita,
que previra o fim dos tempos
em que se podia, sem nenhuma culpa,
tomar um copo d’água,
para se sentir bem.


Ouvindo... Jethro Tull: A Passion Play (I)

Momento Poesia

Indigonista

Lexapren, Hidroclorotiazida,
duplo-cego Haloperidol-Aripriprazol;
cinco tubos com amostras de 5 ml de hemoglobinas trifiltradas cada,

Um retrato do meu interior…

Todo dia, tomar cinco cápsulas
(duas de manhã, antes do café,
e não posso tomar suco de uva!)
e encarar essa complexa realidade…

Saio de casa para a padaria:
fecham-me a porta.
Sigo para a escola:
ninguém conversa comigo.
Lá no meu ofício:
estou sem meu cartão-de-ponto.

Por que tudo isso? Simples –
simplesmente eu não existo
e sou um produto da sua imaginação.

(Composto nos dias 21 e 25 deste mês)


Ouvindo... Creedence Clearwater Revival: Lookin’ Out My Back Door