Colonturmérico

Que vá! Longe! Meu filho!
Meu pai! Meu pai!

Que não faça com que me humilho!
Meu pai! Meu pai!

Que não entrones na taça de vinho!
Meu pai! Meu pai!

O que eu pensei no meu ninho!
Meu pai! Meu pai!

Que vá! Longe! Meu filho!
Meu pai! Meu pai!

Plantar sabugos de milho!
Meu pai! Meu pai!

Criar uma dúzia de novilho!
Meu pai! Meu pai!

Fazer do filho o pai com brilho!
Meu filho! Meu filho!


Ouvindo... Aulas sobre Pessoa.

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Devaneios

A alguém em especial… Abraço pela esquerda

A procura das imagens que sempre expressassem o poder das palavras fomentou meu espírito nos últimos tempos. Espero que a imagem não supere o poder do verbo. Espero que o poder do verbo não supere o afeto.

E espero que meu contrário, meu oposto complementar, esteja diante da escrivaninha, opondo todos os meus diálogos, consagrando todos os meus interditos, e fazendo desta dialética que é a vida uma aventura digna de ser contada para a posteridade.

E espero que ela esteja munida de uma singela felicidade, assim como eu, dos eventos ordinários e corriqueiros da vida, que se apresentam no desabrochar duma flor ou no subir no pé de amora.


Ouvindo... Coldplay: Violet Hill

Momento Poesia

Tipicamente Paulista

Fumaça,
concreto,
vapores fétidos:
Vou me ao campo!

Deixo os arranha-céus do imediatismo
e projeto meu ser a si próprio,
nesta terapia do silêncio pastoril
da charrete na principal via.

Ah! A árvore de juazeiro, arbusto de madressilva,
os pés de amoras que nós e macaquinhos subimos
para catar os seus frutinhos arroxeados…
E, durante a tarde, um copo de leite saído direto do úbere de vaca.

Poesia bucólica,
que nesse mundão da Natureza,
acha seus mais expoentes figurões
nas imagens mais simples.

Na cadência da valsa,
não vejo o tempo passar…
Meio dia, um dia, dois…
E para o concreto, uma hora vamos retornar.

– Está frio. Quero ficar perto do meu fogão de lenha.


Ouvindo... Janis Joplin: Summertime