Ave, pantaneira

Saúdo-te
Inajar, Caapora irmã:
terra que me cedeu
essa linda correspondência

Beldade
cor de canela
dizia o Amado…
mas não é Gabriela, seu Jorginho!

É um lindo sorriso!
Muito especial
muito amor
muita cumplicidade
irmãos-amigos-rivais-apaixonados?

Quem sabe? Só o tempo sabe
a distância é muito extensa
você no córdio verde, terra de Tuiuius
e eu no concreto, terra dos tatus-buzineiros

Diferença em tudo isso,
até mesmo em nós
mas de tão diferentes
chegamos a nos completar…

Feito o queijo e a goiabada,
como o sal e o açúcar
que bem dosados,
fazem o melhor
pão de cada dia das nossas vidas

Pão que, com ti, ó canelinha
realidade plausível pós-lilianesca
aurora de novos tempos
sinceros afagos, mesmo que longínquos
é capaz de me proporcionar

Verdade, eu sei! Estou sendo um poeta
de palavras garbosas e de lindos elogios
mas, antes, prefiro a mais sublime poesia
dos afagos
dos toques
dos silêncios ouvintes
de olhar pro céu
e ver
a revoada de Jaburus
cruzar o céu panteneiro
e colorir
a Paulista caótica
das cores do interior
dessa Terra tão assolada
que mesmo assim nos aproximou

Canelinha, canelinha
meu poema
é apenas uma amostra
da recíproca desse sorriso
que tu veio em cumplicidade
e me deu…


Ouvindo... Marisa Monte: Cantinho Escondido

Confissões [13]

I

… Amiga… quase irmã…

Já adianto que sentirei saudades de você…

Percebo há quanto tempo o mal que unicamente foi feito de nosso convívio… A saudade será tamanha, e já sentirei estas saudades.

Esse processo de irmandade… Foi tão inevitável… Tua voz de veludo, tão melíflua – aprendi essa palavra na prática – foi meu chamariz pessoal para saber que você existe… Amiga! Te tomei como irmã, agora já é tarde. Muito melhor lhe tomasse de outro jeito, mas agora é tarde…

Sentirei saudades de você… Algum dia…

Você foi tão profética… Nem sei se já assumo: irmã, cúmplice amistosa, amicíssima… Sabes muito bem que amiga não pode ser, já que sabes muito o que ser amiga implica para mim. Tudo, menos amiga.

Sinto saudades de você… quase irmã.

Agora, falta menos tempo do que eu imagino. Cada um segue seu caminho, você, irmã, o teu; eu sigo o meu. Ei-me lembrar que perguntara a mim: estará sempre presente em minha vida? Eu digo, Claro que sim, se acaso você o quiser.

E que queira, e muito, quase-irmã, estar presente em minha vida, pois eu sentirei saudades de você, algum dia.


II

E você, amiga, que mal te conheço direito, por que me fazes sofrer? Que terrível intuito o teu… Por que justo naquela tarde de chuva? Por que tua face me instigou? Por que tua indumentária? Por que nossas coincidências geográficas? Por que todo esse conjunto, sua… sua… Helena de Tróia! Pandora dos tempos míticos! Não há explicação! Pões à prova minha constância, constância augustina, feito aquela descrita por Macedo… Mas você não é meu amor de infância… Dentre todas as amigas, não-irmãs que tenho, você é a que conheci amanhã… Amanhã…! Nem agora, nem ontem… Você é a amiga do futuro! Nada há que te iguale! Droga!!! Mil vezes droga!!! Não fazes a mim usar verbos na perfeita segunda conjugação, não faças com que me sinta um escravo diante de ti, estou pasmo, vicioso e terrivelmente açoitado por tua singularidade, amiga! Agora é tarde! Agora é tarde… Construí tantos cartões de visita em minha mente, já bem conhecidos, e de último minuto apresenta o teu!

Agora que faço?! Muitos amores estão ofuscados diante de teu efêmero brilho… Um brilho efêmero que posso tornar permanente em minha órbita celestial. Beldade etérea! Algo sem igual… Não faças isso mais comigo amiga… Esconda estas janelas da alma no recôndito de tua intimidade… Pelo menos diante deste sôfrego cantador de virtudes estéticas e essenciais.

Não faças, do meu louvor, hinos de sofrimento! Não, não, não, favor, amiga!…


Ouvindo... Alanis Morissette: Flinch

Momento Poesia: Intitulável por sua Causa…

Dedicada a alguém que não sei se conheço ou que sei que não conheço


Olhares transpassados sempre em vista
que desvanecem ao passar do tempo:
como podem intuir razão quista
debaixo de inglorioso lamento?

Vislumbres divinos, égide feita
rosáceas plumas conferem ardor
desta queixa insolúvel imperfeita
desata num nó noturno calor.

Concede teu afeto tão glorioso,
a este galante tão mal resolvido
que te quer por singelo desvario?

– Não! Muito antes quero-te tão prestoso:
cante em mim teu verso amado e querido
ora aceito, mas depois contrario…


Ouvindo... Aphrodite’s Child: Such A Funny Night

Momento Poesia

Triunvirato cósmico

Que força é essa? Energia que pulsa aos excessos em nossas veias, e que fagulha num ignóbil instante em alguns versos simples, porém expressivos. A quem convir leia, e sinta-se à vontade, como em sua casa.

(Dedicado a uma amiga…)

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