Radar Musical: Sessenta e Oito

Coldplay - A Rush of Blood to the HeadColdplay

A Rush of Blood to the Head

[Parlophone/Estúdio]

Por Douglas L. Melo


As últimas aquisições que pretendi tinham algum foco. Já percebia, então há tempo, que minha assiduidade musical seria insuficiente para adquirir todos os álbuns que me fossem desejados. Resolvi, diante dos fatos financeiros que me acometeriam, fazer foco em algumas aquisições específicas.

Anteriormente sabem vocês que completei, até então, a discografia de estúdio do Oasis, e decidi fazer o mesmo em razão de mais duas outras bandas de gosto: Coldplay e Pearl Jam. Destas que, possivelmente, se depararão as últimas resenhas.

Este, do Coldplay, mostra-se mais significativo da época que foi lançado do que da que foi adquirido, dez anos depois. À época do lançamento, ainda sonhava em ter meu primeiro álbum de rock, e me valia de alguns apetrechos caseiros para ter música à gosto – internet ainda era então um artigo de luxo – . Era uma época em que abria os portões para meu pai em retorno ao lar. Uma época em que talvez a maior preocupação fosse cumprir com as mínimas preocupações do ensino básico – uma época que já chamei de áurea, mas na qual acho, hoje, que superestimo demais, mas didaticamente teve lá sua importância. A hoje renascida 89 FM surgiu para mim, evidentemente, com algumas das faixas que aqui se apresentam.

Os dez anos depois do álbum físico? Nada além de uma pretensão de obter diplomas. Algumas coisas já não pareciam tão novas sob o sol. A cidade dos dez anos anteriores já não parecia a mesma e tinha se descaracterizado culturalmente para mim, se tornando apenas um entreposto de compras. Os livros de Stephanie Meyer eram a leitura curiosa dos tempos posteriores, e algumas concepções de autoestima, tão postergadas, seriam resolvidas em épocas próximas.

O descritivo afetivo já fora feito, falta apenas se concentrar no álbum…


Setlist

  1. Politik: grandiosidade e potência instrumental contrastando com o aspecto intimista dos vocais de Martin. Destaque para o piano. A falta aqui é a densidade de extensão da faixa que aparenta não terminar rápido.
  2. In My Place: a tétrade radiofônica começa aqui; em seu estágio um, algo nos conformes da maioria das rádios comuns. Começo bom para se esperar coisas melhores deixadas para o fim.
  3. God Put a Smile upon Your Face: estágio dois; menos conhecida e, por razão pessoal, mais preferida, pelo aspecto trovador e acústico, entremeado de riffs.
  4. The Scientist: estágio três; para os entendidos, algo entre a balada e o comercialmente conhecido pelo Radiohead.
  5. Clocks: estágio último da tétrade radiofônica; algo aqui pode ser lido na linha do álbum posterior, o tão-meu aclamado X&Y. Deve ser a atmosfera do eco contínuo. Ou o sempre-presente piano de melodia.
  6. Daylight: agora é onde um verdadeiro amante de música explora, e a surpresa aparenta boa ainda, com uma cadência interessante. Mais pela regularidade instrumental que propriamente pelos vocais do Chris, que não alcançam as oitavas da tétrade.
  7. Green Eye: ah… outra dessas excepcionalidades acústicas… e que experiência vocal! Um bom acerto.
  8. Warning Sign: aos que conhecem, começa com um bom dedo de Suede, vocaliza ao jeito da banda mesmo, e após uma longuidão encerra sem grandes surpresas.
  9. A Whisper: certamente o Radiohead inspira muito a banda, pelo contínuo clamejar do início. Mas ainda é o Coldplay, de todo jeito; d’outrora, ainda é muito regular – será que se espera o futuro imediato do Coldplay no que foi seu passado?
  10. A Rush of Blood to the Head: a música título conduz-se na balada, instrumentada à clássica no início. Espera-se um explodir musical que custa a chegar. Vale a pena ser auscultada.
  11. Faixa de destaque Amsterdan: chegamos à última faixa com uma expectativa de Grand finale, que se apresenta num solo de piano e vocal e um feeling particular. Com atenção se percebe uma discretíssima segunda voz… Lá pelos quatro minutos, quando esperamos pelo fim do álbum, temos uma magnífica surpresa digna daqueles grandes álbuns, somando estrelinhas lá adiante!

Sentimento vintage

A impressão que temos na organização do álbum é de se tratar de uma preparação digna de Long Play, com lado A e lado B, este último pouco digestivo para os menos preparados, por muitas das canções serem densas em extensão. Mas o Grand finale é justíssimo na cotação.

EstrelaEstrelaEstrelaEstrela e 1/2


Não fui eu que escolhi, soltei um livre shuffle e ele me deu este presente para finalizar a edição…

 Rindo

Ouvindo... Coldplay: Amsterdam

Entremeado nesta temporada, a próxima resenha vai ser do álbum do Pearl Jam.

Radar Musical: Sessenta e Quatro

Pearl Jam

Vs.

[Epic / Sony BMG, estúdio]


Lembranças um pouco mais definidas vêm a seguir, noutra daquelas aquisições pechinchas, que realizei em tempos em que estava envolvido em leituras de vampiros – fato mais notável à época, e não por extremo voluntarismo, mas apenas sugestionado para tal – imagens que me vêm à época são os inícios de tarde que empreendia então na USP, os mais tardares em Osasco, sempre espreitando por algum consumisminho a ser feito, sobretudo na tríade CD – DVD – Livros. Aqui não foi diferente.

Numa época em que voltar pra casa sempre pedia um pão de queijo num shopping e um retorno no início de noite, sempre com música no carro e livro na mão para leitura – é bem de se notar que as leituras de curso não afetavam em nada as livres, misteriosamente não sabia dizer como, – me veio este, o qual fiz audição em carro, como de costume à época com quase todos os que assim foram. E pensar na banda que me consagrou nesse grande estilo é rememorar passados felizes, dinâmicos, e por vezes bizarros, que mais um álbum dessa banda – então grungeira – não poderia passar batida.

Pois bem, de comentários extras, posso me referir às capas e encartes sempre dignos que encontramos em obra – o famoso olho de peixe que aparece em alguma arte – e os vários arranjos dos líricos que encontramos neste.


Setlist

  1. Go: uma tendência ao hard se observa, mas que, pela época, não deixa de perder o teor punk de cadência rápida… Em suma, o grunge em boa forma. E, claro, Eddie Vedder…
  2. Animal: não ligue tanto para o cantado… perceba melhor a desenvoltura instrumental por aqui.
  3. Daughter: o sucesso radiofônico – e acusticizado – que faz com que não nos sintamos em estranhamento com todo o trabalho aqui desenvolvido. Mas, não nos esqueçamos, temos nossos quinhões de riffs nos entremeios.
  4. Glorified G: A arte do encarte esconde uma letras cheia de potência, bem encaixada nos devidos lugares em sua disposição do álbum. O instrumental também não deixa a desejar, e mantém a cadência do álbum lá em cima com bastante propriedade.
  5. Faixa de destaque Dissident: o semi-hit radiofônico e as boas lembranças de Even Flow, Black, Better Man e I Am Mine [anacrônicas], por todo o feelin’ ainda em vigor de Vedder nesta sublime canção. Nota para o esboço em encarte, como uma letra composta em processo-moto-contínuo na guitarra e no lápis. 
  6. W.M.A.: batidas tribais – baixo marcante – canção-ritual – uma quase-jam de um teor bastante complexo, com singelos riscos de se derrapar.
  7. Blood: o tapa-na-cara com toada punk do álbum. Simplesmente pesada , a ponto de deixar a garganta de Vedder em pinel – coisa que hoje não seria mais possível.
  8. Rearviewmirror: a cirandeira-melodiosa do álbum, dosadamente – e marcadamente – gostosa de ouvir…
  9. Rats: a leve sacada blues do álbum com um vocal absolutamente repugnante – como o título da canção.
  10. Elderly Woman Behind the Counter in a Small Town: ah… A legitimamente acústica na sua linha principal… Faltava algo assim para consagrar um álbum que corre gostoso de se ouvir…
  11. Leash: as distorções e os riffs de guitarras emplacam mais uma fase do álbum, revigorada com um quebra-gelo, mas que começa a pecar por algum ineditismo em falta. 
  12. Indifference: uma levada dark nos lyrics nos dá um singelo e devidamente interessante fim de álbum… A pegada dos teclados, a atmosfera elegíaca, o clássico feelin’ vedderiano…

Dotado de tensão?

O álbum sabe muito bem explorar as nuances do grunge. Mesmo não contando com uma boa distribuição dos hits radiofônicos, sabe manter com plenitude o álbum. No entanto, não sei se é estado de espírito, mas ainda não posso declará-lo como O Álbum daqueles…

EstrelaEstrelaEstrelaEstrela e 1/2


Ouvindo... Pearl Jam: Blood

Radar Musical: Sessenta e Dois

Scissor Sisters

Scissor Sisters

[Polydor / Universal, estúdio]


Completada a coleção do Oasis e adquirido a preciosidade do Coldplay, pensava que não me empreenderia em outras aquisições. Contudo, nessas épocas, me deparei com preços promocionais neste e no que virá em sequência [resenha 63] que a resistência fora pouca. Naturalmente, essa foi uma daquelas aquisições que fiz no período que muito circulava pela Paulista.

Mas as lembranças que me remetem a esse álbum são muito mais remotas. Elas remontam ao ano de 2004, quando o público brasileiro tomou conhecimento da banda, a partir da cover de Pink Floyd. Nessa época, falando de mim, vigorava minha preferência pela Brasil 2000, rádio que julgo extinta pelo arsenal musical que fora abandonado anos após, e esta era minha companheira das jornadas de fim de tarde rumo ao ensino médio no Campesina. Junto com esta, outra, a The Darkness (que até o presente momento não possuo álbum em CD) recheavam em parcelas, junto com um arsenal de bandas indies, um estilo de ser meu que poderia muito julgar andrógino [tal como refletindo há pouco antes de construir essa nota com uma amiga] e voltado pra efervescente boemia da minha vida, dessa época que estudava pela noite, na então cidade de Osasco.

Latentes esses detalhes, posso me referenciar ao álbum em si, que tem um apelo ambíguo e peculiar, do qual faço notas, no velho estilo leigo que já conhecem de mim, a seguir.

Setlist

  1. Laura: teclados e sintetizadores – atmosfera envolvente – e uma voz que vai se tornar daqui em diante algo comum em todo o álbum. Apelo andrógino? Não… Mais que isso: uma historieta de sex appeal. – guitarra à moda glam;
  2. Faixa de destaque Take Your Mama: nítida lembrança de George Michael no início do álbum com os acordes acústicos (acústicos!!! Ahhhh!) – e o pedido pra levar sua mãe pra farrear fora de casa… Disco???
  3. Comfortably Numb: a cover de Pink Floyd, obscurantemente dançante, e com uma nítida lembrança de Bee Gees. Perfeito Frankenstein. E com muito direito a a-has, e tais.
  4. Mary: o piano, e uma reminiscência aos trabalhos do Pulp. O expurga-males melancólico do álbum até aqui.
  5. Lovers in the Backseat: essencialmente experimental, recitada… um algo voltado ao novo século.
  6. Tits on the Radio: quando o rock está a serviço da Disco… ou seria o contrário?
  7. Filthy / Gorgeous: mais outra que traz lembranças de Bee Gees… porém a temática é bem underground. E o elemento eletrônico se torna mais latente no fim.
  8. Music is the Victim: a big-new-thing do álbum: muita base, um convite ao Dancin’ Days, típico comportamento anos 80. Pena ser curtíssima.
  9. Better Luck: um apelo quase hedonista, com um sample muito familiar.
  10. It Can’t Come Quickly Enough: organística, traz uma nítida lembrança dos trabalhos do Suede.
  11. Return to Oz: e para fechar com chave de ouro, um convite à (des)fantasia numa de densidade sem igual, com direito a fundo acústico, crescente sonoro, descompassando estrategicamente o álbum para uma sequência linear surpreendente.

Atmosfera ímpar

Para quem curte coisas pouco ortodoxas, é uma grande pedida.

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Ouvindo... Scissor Sisters: Music Is The Victim

Na próxima, pela mesmo lote de aquisição, o álbum Born in the USA de Bruce Springsteen.

Radar Musical: Sessenta e Um

Coldplay

Viva la Vida or Death And All His Friends

[EMI / Parlophone, estúdio]


Seguindo a empreitada de aquisições valiosas, me lembro de uma nos idos tempos, áureos e vigentes, das idas à paulista, nas diversas lojas do ramo pra adquirir estas preciosidades, da qual este álbum do Coldplay faz parte.

Também este álbum lembra os despretensiosos tempos que me estabeleci nessa pacata cidade da qual vos falo aqui neste interior paulista, quando tinha dois colegas de uma loja de shakes, fãs declarados da banda.

Também a banda me traz à lembrança os primórdios da minha duradoura relação com o gênero maior. Durante esse período, músicas do segundo álbum caiam ao gosto do público, e foram dos sucessos mais recentes que se consagraram ao meu gosto, competindo com bandas recentes e antigas, simultaneamente (também chamado de fase de descoberta).

Voltando ao álbum em si, lembro esclarecido a ocasião em que o adquiri, na presença coincidida com colegas de curso, que lá passavam para namorar os mais diversos itens das mais diversas categorias.

[eu só namoro mais hoje em dia CDs, DVDs e livros, e só!]

E, muito versado nessas coisas de álbum, me surpreendi com as benesses melódicas concedidas pelo álbum… Não sei se pela influência dos colegas, se pelo tradicionalismo que impingi da banda pra mim nos primórdios, ou a atmosfera da paulista… Só sei que foi daquelas aquisições inarrependíveis.

Setlist

  1. Life in Technicolor: bela música ambiente, com um característico upbeat embutido e com direito a um breve oo-oohs;
  2. Cemeteries of London: clima pouco ortodoxo de teclados, atmosfera fúnebre inicial e um contraste musical intenso… e piano no final, arrebatador;
  3. Lost!: grandioso, empacotado pro sucesso, mas que parece mostrar pouco da inovação alcançado aqui pela banda. Boa por sinal, mas não tão boa frente ao que já mostrou de início;
  4. 42: isso não é um lullaby, mas uma legítima canção de ninar ajustada aos atuais tempos… Hahahaha! Coldplay surpreendendo… Depois de um tempo vira um agito!
  5. Lovers In Japan / Reign of  Love: vamos brincar de descobrir onde está a divisória? Grandiosa como costuma ser no começo… E quase que nos quatro minutos (fácil) suaviza no início e mantém o padrão de suavidade por todo o conjunto. O conjunto contrastivo merece uma atenção especial;
  6. Faixa de destaqueYes: orquestração oriental sem igual, voz contida, quase que nas oitavas mais reduzidas… Ouço cítaras? Violões? Violinos? Cordas à solta por todos os lados! E densidade sem igual nos intermináveis sete minutos gloriosos que se dividem entre as cordas e os sintéticos;
  7. Viva la Vida: a música polêmica – o riff coincidente e dito plagiado de Satriani; o violino e o videoclipe bela-arte… e a grandiosidade que anda se consagrando por aqui;
  8. Violet Hill: e a suntuosidade atinge seu ápice na mais grandiosa melodia expurga-males incessantes que há muito e desde sempre me conquistou, com uma deixa melódica de arrasar (merece emoticon); :’)
  9. Strawberry Swing: algo totalmente diferente, um quebra-gelo, diante de tanta coisa aproveitável, sem perder o pique;
  10. Death and All His Friends: algo denso, entretanto elaborado e com uma suavidade ímpar, contrastante com um peso de rock alternativo crescente, uma orquestração incrível digna de encerramento de álbum, sem falar na quase reprise do inicio do álbum… uma sugestão de looping.

De perder o fôlego

Tudo no lugar, poucos deslizes… tão poucos, dignos de considerar essa a obra-prima dos últimos dez anos até ela feita então. Suspeito eu, mas…

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Ouvindo... Coldplay: 42

Radar Musical: Sessenta

Oasis

Don’t Believe the Truth

[Sine / Sony Music, estúdio]


Terminando a empreitada que fiz em busca de completar a discografia da banda, este foi o último que me restava a conseguir tal objetivo. No entanto, chegar a tal ponto não foi tarefa fácil… Foram necessárias várias viagens, esperando que essa remessa, vinda de uma loja de outro estado, chegasse via encomenda à loja que solicitei – eventuais críticas e queixas estiveram presentes nesses momentos, com as vendedoras da lojinha de shopping de Osasco – com direito a uma expectativa ao ver determinado dia aparecer uma van amarela dos Correios, provavelmente trazendo, dentre outros embrulhos, o meu… Outras aquisições nesse meio tempo na livraria da vez foram precedentes, numa época em que eu tinha que ser ninja o suficiente pra chegar em Osasco ao mesmo tempo em que meu pai saía do serviço, para evitar ociosidade.

Mas enfim, dado muito tempo, devido a uma greve dos correios, eis que tomo posse do meu álbum, e já não era por tardar. Muito obviamente, eu já o ouviria pela primeira vez no carro, fazendo a odisseica viagem de volta para Ibiúna.

Como traçar uma diretriz pra esse álbum? Bom, digamos que a grande público pouca coisa emplacou dele… Alguns hits passageiros, algumas músicas-padrão e impressões tais como as seguintes apresentadas.

Setlist

  1. Turn Up the Sun: com alguma grandiosidade, mas peca com a falta de versatilidade da banda;
  2. Mucky Fingers: uma daquelas músicas-de-ciranda, mas com uma qualidade vocal contestável. Seria possível esperar algo melhor da banda, como uma percussão menos violenta;
  3. Lyla: … mas deslizes iniciais são compensados por essa suntuosidade característica do Oasis – e não é por ser uma tentativa de hit – com direito a muito riff bem pontuado;
  4. Love Like a Bomb: alguma coisa desencontrada na linha do Standing… Mas com um quê de curioso pelos teclados;
  5. The Importance of Being Idle: numa pegada hard blues, uma boa historieta, e uma possibilidade de hit não emplacado;
  6. The Meaning of Soul: uma ligeira música-de-ciranda, para proporcionar uma distensão, mas não muito efetiva;
  7. Guess God Thinks I’m Abel: enfim (!) as acústicas (que me perseguem), instrumentos de percussão mais rudimentares, noises finais, e um Oasis vocal comparável aos seus primórdios;
  8. Part of the Queue: uma canção expurga-males, da qual há muito tempo não ouço, embora não tão intensa e cheia de feelin’ tal como outras que outrora ouvi;
  9. Keep the Dream Alive: até aqui, a mais densa das canções… Mas considerando que os hits radiofônicos se esgotaram, esta se sustenta com propriedade no conjunto da obra, grandiosamente, como um bom Oasis merece;
  10. A Bell Will Ring: e é impressão minha, ou as coisas mais surpreendentes foram reservadas pros finais do álbum? Ok. Temos que concordar que não há nada de novo aqui, mas importa é que o Oasis ousado nas guitarras e no conjunto harmônico no Rock Alternativo vigora enfim de uma tal forma que cria expectativas pro grand finale
  11. Faixa de destaque Let There Be Love: … plenamente cumprido por uma canção que bebe das fontes de All Around the World e Champagne Supernova. Digno!

Crível e Confiável?

Não seria um álbum agradável de dar loops intermináveis num mesmo dia… No entanto, há momentos de acerto, sobretudo no final, que não permitem que o álbum se torne um fiasco-pedra-no-sapato.

EstrelaEstrelaEstrela e 1/2


O Shuffle é meu amigo:

Ouvindo... Oasis: Lyla

E com este álbum, terminamos as resenhas de álbuns de estúdio do Oasis – pelo menos enquanto a banda estiver desfeita, – restaram algumas poucas músicas avulsas pertencentes a coletâneas, e lados-B de singles não catalogados após The Masterplan.

Radar Musical: Cinquenta e Nove

Oasis

The Masterplan

[Estúdio (lados B), Sony BMG / Helter Skelter]


Encorajado pelo álbum anterior, como já dito, passei a correr atrás dos que faltavam. Me vêm à lembrança que tanto este quanto o anterior vieram simultaneamente. A primeira audição deste seguiu o mesmo velho esquema de antigamente. Um aparelho de áudio comum… Sem distrações! Apenas a estrada com meu pai e as músicas do Oasis. Por uma questão de ordem de audição – este já pelo fim da viagem – este passa a ser considerado o segundo da lista, numa recorde compra de três, do qual o próximo rende outra história.

Não sendo caracterizado tal como os anteriores como de estúdio numa mesma sessão de gravação por determinado tempo, este compõe-se de lados-B presentes nos singles dos anos anteriores ao álbum anteriormente resenhado. [Para fins de avaliação, será considerado sem nenhuma adição ou subtração de conceito final, por questões de sequencialidade da obra ou presença de feelin’ dos fãs]. Explica, ainda por cima, duas faixas soltas inominadas do álbum já resenhado, e ainda tem direito a um cover dos Beatles. Simplesmente, o confessionário das influências da banda. Sem mais devaneios, veremos o que há do outro lado desta banda ilustre dos memoráveis – para mim – noventa.

Setlist

  1. Acquiesce: tapes rasgados, muita experimentação, e vocais contrastantes;
  2. Underneath the Sky: a boa dose guitarra + violão, o contraste suave proporcionado e uma alegria típica de Oasis;
  3. Talk Tonight: nem mesmo numa coletânea de lados-B me livro dessas acústicas… Tão belas!…
  4. Going Nowhere: a baladinha básica, pontuadas de ooohs e melodias boas para uma tarde ensolarada de domingo;
  5. Fade Away: uma quebra na vibe, trazendo algo mais enérgico, cheio de saúde, até dançante, se arriscar;
  6. Faixa de destaque The Swamp Song: algo ao vivo, pra começar… Que exige um volume bem alto, e traz à tona enfim o caráter de banda pesada que algum dia o Oasis poderia investir. Ah… Pros desavisados, está aqui aqueles dois anexos soltos e inominados em … Morning Glory?;
  7. I Am The Walrus [Live]: o desvario ao vivo, muita distorção e algo que realmente traz um detalhe Beatles aos vocais;
  8. Listen Up: com certeza, dos tempos de Definitely Maybe… ecos vocálicos, guitarras “espaciais”… E uma microssuíte melódica;
  9. Rockin’ Chair: nova baladinha, pontuada, exigente, melodramática por exagero… Mas toca nosso âmago passional;
  10. Half the World Away: ainda na linha das toadas – e mais uma vez, destaque ao violão – e dos teclados ambientados, um jogo-de-sons interessante de se ouvir;
  11. (It’s Good) To Be Free: um meio-termo entre o Oasis suave e o Oasis “cru”, com nuances expressivas e representativas de seu tempo… Ah, e não esqueçamos do realejo;
  12. Stay Young: uma alegre música-cirandeira, que parece não se sustentar sem os efeitos sonoros pontuados;
  13. Headshrinker: uma pegada forte, enfim, pra animar a pista – mas não parece haver muita quebra de expectativa – uma música para os neutros momentos, onde nem o amor nem o ódio dominam tuas emoções;
  14. The Masterplan: e, pra fechar o disco, algo mais na linha de Champagne Supernova, orquestrações divinas, violão – sempre! – e uma velha canção-expurga-males de arrebatar. Digno!

E o outro lado…

Apesar de ter sido escolhido por fãs mais versados, possui seus altos e baixos, e embora este não seja um simples ouvinte de Oasis, confessa que o conjunto não costuma ser muito atrativo, desgastando-se pelo pouco mais de hora que possui. Mas, há momentos-chave que seguram a peteca, então…

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Curiosamente, o shuffle me dá uma de minhas jams preferidas:

Ouvindo... Oasis: The Swamp Song

Radar Musical: Cinquenta e Oito

Oasis

(What’s the Story) Morning Glory?

[Sony BMG / Epic / Helter Skelter, estúdio]


Como dito anteriormente, me empenhei nos tempos seguintes em completar a discografia de estúdio da banda. O maior impulsionador desse fato foi justamente o álbum presente: bagatela apesar do caráter antológico que ele possui.

Este álbum certamente lembra-me uma época apaixonante, das poucas em que vivi em minha rasa vida. Meu curso se mostrava apaixonante, minha condição de recente veterano também, conhecer uma faceta literária da qual adotei em minha vida, idas constantes à terrinha osasquense. Vivia um entremeio entre a paixão edificante da cultura e o frenético consumismo superficial – em livros e CDs, depois de muito tempo.

Muito diferente de uma época em que o ato de adquirir CDs representava apenas um ato automático, o fato de relacionar a banda ao gosto de muitas das minhas amigas mais íntimas em universidade, pessoas nas quais ponho total confiança para ser quem sou – diferentemente de determinados ambientes que frequentei antes – sem máscaras, permitiu-me relacionar cada uma das canções ali postas, como significativas nos momentos que aí se prezam – o meu antológico batismo diurno numa Virada Cultural rolou regado a uma epifania gallagheriana.

Se é apenas porque este álbum é antológico? Não, acredito que não. Espero resgatar momentos nesta audição cautelosa que vão além do diz-que-diz-que.

Setlist

  1. Hello: o falso opening de Wonderwall para os desavisados – boa sacada para ouvintes de rádio? Os fervorosos fãs de moda? O ie-ie-ié dos anos 90? Tudo isso e um pouco mais.
  2. Roll With It: típico Oasis, feito pra animar festas. Mesmo assim, empolgante.
  3. Wonderwall: enfim, uma das antológicas e indescritíveis dos anos noventa – lembra-me muito mais que o ano de 2011. Lembra minha infância quando sequer sabia o que era o Rock…
  4. Don’t Look Back in Anger: o piano dividindo lugar com guitarra, baixo e bateria, dando seu ar da graça, na canção mais melancólica do álbum. De chorar (se eu pudesse)!
  5. Hey Now!: Riffs e baterias moendo, nesta que eu classificaria como Rock-de-ciranda. Parando e recomeçando vezes e vezes.
  6. O instrumental inonimado ligeiro e breve dá uma mostra que Oasis sabe fazer algum Hard Rock, à época.
  7. Some Might Say: intensa. Outra à moda cirandeira. Algo que o Oasis sabia investir muito bem sem se tornar piegas. Isso, sim, se chama Britpop.
  8. Cast No Shadow: só não é mais acústico por falta de ousadia. Doses certas de violão, que permitem que esta toada conquiste seu espaço dentro do álbum – e que eu não supere a estigma da canção acústica na minha discoteca. – Também foi uma das muitas que embalou a temporada fria de retornos ao meu cantinho de sono no interior, ao céu escuro [sinestesias à vista];
  9. She’s Electric: anacronicamente falando, esta é uma das que refletem trabalhos posteriores. Um Oasis que não deixa a peteca cair, mas que não investe muito em ousar. Tempos de recessão musical futuros… Talvez a única derrocada num álbum tão perfeito.
  10. Faixa de destaque Morning Glory: um prenúncio de ideias para o álbum de estúdio seguinte? Um ensaio para o Hard Rock? Um noise britpop, suntuosidade magnânima? Muitíssimo mais que isso – uma cirandeira espivetada regada a riffs potentes e distorções incríveis como nunca ouvi antes. A sinestesia dos pulsos visuais nas voltas noturnas, os fogos de artifício imaginativos estrada afora…
  11. O segundo instrumental breve, ligeiro e inonimável, na verdade é uma relação do primeiro, com cachoeira que introduz a chave de ouro…
  12. Champagne Supernova: … a grande suntuosidade e outro carro-chefe, maravilhoso, mini-suíte que reúne todas as características do álbum inteiro. Um nó condutor de todo o álbum. Se gravado antes, se depois, não importa… Estrategicamente, foi uma das melhores escolhas pra se encerrar um álbum que já ouvi até então.

Honra o nome do álbum?

Praticamente honra. Mas há algum momento que parece surgir um desgaste na disposição musical feita. Mas a antológica última faixa com característica de orquestra capacita e muito o álbum para ser um dos melhores que existem – e que eu já ouvi. Nada que decaia o conceito.

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Ouvindo... Oasis: Don’t Look Back In Anger