Meu Prato de Sopa

Declaradas as férias

Mais uma vez encontro-me disponível, se desejar, ao ócio.

Não sem antes fazer um belo proveito de um prato de sopa


O frio do inverno desaquece, traz nostalgia e causa uma terrível sensação de solidão profunda. Todos foram à praia no Ceará… Todos passaram um tempo a mais em Jordão, normalmente em casais. Outros ainda foram carimbar o passaporte para fora daqui.

E eu estou com meu prato de sopa…


Ir na Paulista? Não é todo dia que se dá pra fazer isso. Leva tempo e, principalmente, dinheiro. Que gostoso tirar proveito duma Livraria. Ficar namorando o CD daquela banda que você não acha em lugar nenhum, e depois descobre que o dito cujo custa o olho da cara: mais do que seu tênis de marca mais caro que já comprou na vida.

Numa hora dessas, o melhor é atravessar a avenida pra tomar um prato de sopa…


Tarefas? Não faltam. Você sabe, amiga prezada… Vida de caseiro é fogo. Acordar, tomar café da manhã, varrer, lavar roupa, lavar louça e passar roupa. Tempo pra novela das oito [ai… Mas que coisa mais démodé essa de assistir novela… Que tal um seriado no original? Você bem que está precisando].

– Ah… Mas antes, querido, teu prato de sopa.


– Dois quilos de batata, um de mandioquinha e cinco pacotes de espaguete.

– Pra quê, dona Nena?

– Solange vai servir sopa pra mais quatro lá em casa.


– Se E=mc², e c é uma constante, o que você me diz da relatividade restrita, Einstein?

– Ah! Isso é sopa. A teoria (…)


Sopa [‘so.pa] s.f. (do germ. suppa) 1. (Cul.) Caldo gordo ou magro com massas, arroz, legumes ou outras substâncias e que é geralmente o primeiro prato que se serve nas duas principais refeições. (Fonte: Michaelis Dicionário Escolar)


Começo minha temporada de férias pensando em como dar uma guinada na minha vida, e quando me dei conta, a sopa esfriou.


Ouvindo... Kraftwerk: The Robots

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Smiley de boca aberta

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Manifesto da Personalidade

Um Retrato de Pertencer À Maioria


Dizem que as diferenças é que fazem o mundo. Afinal, sem elas, a rotina seria muito mais maçante que o que é hoje – haja vista as particularidades existentes – e, mesmo assim, cultiva-se um sentimento de universalidade do comportamento humano, excluindo padrões de comportamento considerados ímpares, diferenciados, libertários e, por que não dizer, geniais e inovadores?

A estas pessoas, meus parabéns! Tem algo a dizer acerca de seus experimentos com sua condição afirmativa, mesmo que as réplicas sejam de cunho negativo: há sempre um motivo para se manter na ativa, brigando por aquilo que você acredita…

Aos homossexuais, cadeirantes, de visão reduzida, afetivos bipolares (…), muito obrigado a vocês por seus esforços de superação mostrarem pra gente que há sempre o que conquistar. Ainda mais para nós que, considerados perfeitos, nos acomodamos a não ter nada em que centrar esforços para fazer de nossa vida algo com real e palpável valor…

E nestes convívios de pessoas com diversos pequenos empecilhos vivazes – possamos assim dizer – nós podemos perceber que nos enganamos: nós possuímos mais problemas e mais graves que qualquer um deles. Em especial por se pertencer a uma maioria.

Principalmente quando você é um homem, adulto e sadio. Você não parece ter muito diferencial a oferecer…

Faça a diferença! Permita-se ser um comediante de si mesmo e leve a vida com menos seriedade e mais esportividade.



Ouvindo... Jogo do Brasil contra a Venezuela (Carmiña Nieto que se prepare…).

Monopolarismo Lógico

A Exatidão das Idéias Cadenciadas


Lógica, s. f. Ciência que tem por objetivo o estudo das leis do raciocício; coerência; raciocício encadeado; ligação de idéias (do lat. logica).


Maçã AmarelaDiante das evidências de erros e deslizes que o mundo moderno oferece nos dias de hoje, eu digo que, quando tratamos de projetos específicos, que envolvam necessidades de segurança e proteção ao elemento físico, humano e ambiental, afirmo que devemos nos ater a uma linha uniforme de pensamento, cadenciada, padronizada e detalhada em todos os seus aspectos.

Observar a regularidade com que fazemos estes eventos não deve compor um procedimento de conduta padrão, a ser seguida universalmente, mas deve-se basear fielmente em seus axiomas, não se utilizando de exceções ou subterfúgios. Todo o processo deve estar rigorosamente centrado numa imparcial, inemotiva e comportamentalmente autista posição de funcionamento. Do contrário, a lógica ganha expoente de ciência humana, ferindo sua basicalidade.

Mas o tempo comprovou – e isso se verifica na Matemática e outras Ciências – que obter uma posição irredutível no processo ideal é uma realidade, dentro de padrões pré-estabelecidos. O que não isenta a busca de novos axiomas, proposições e teorias, que possam explorar a pluralidade do conhecimento do mundo físico.

Mas o que faz um modelo matemático-físico gerir sempre o mesmo resultado, observados os mesmos parâmetros de exposição do experimento no ambiente? Nisso consiste o verdadeiro enigma da posição unilateral, e ao mesmo tempo, a resposta para este se consolidar como alicerce da esfera lógica: não há um acaso específico que aleatoriamente sorteie um evento para uma mesma situação exposta. Do contrário, todo método imaginado deveria ser pesquisado única e exclusivamente isolado, tanto no espaço, no tempo, e em outras dimensões que venha a ocorrer. E, para a seguinte ocorrência, empreender esforços para prever novamente um novo resultado.

Sábia a Natureza Divina que permitiu que o Empirismo não fosse ciência alicerçal do cotidiano. Do contrário, os riscos para todos seriam imensos.

Das três esferas do pensamento humano, as outras duas baseiam-se numa dimensão incontável e etérea no sentido físico de um Plurimonopolarismo Lógico para acontecerem. Essa, a essência do intercâmbio do pensamento humano.


Ouvindo... The Smiths: Heaven Knows I’m Miserable Now

 

As Profundas Questões do Nosso Imaginário

Reflexões metafísicas do nosso filosófico


coffee Maçã AmarelaMetafísica, s. f. Conhecimento das causas primeiras e dos primeiros princípios; doutrina da essência das coisas; teoria das idéias; conhecimento geral e abstrato; sutileza no discorrer.


computer Recentemente conferi algumas reportagens sobre inteligência artificial, desde utilidades industriais na robótica a companheiras andróides. O que nos leva a pensar… Como serão nossas relações humanas com os robôs no futuro? E como iremos desenvolver inteligência espontânea que não subjulgue o ser humano a um ser passível a erros por natureza, nem que seja capaz de possuir o comportamento errôneo da estupidez e da violência invasiva ao outro que nós, seres digitadores e pensantes como somos hoje?

Quem terá as melhores respostas para explicar como pensamos, como funciona essa intrínseca estrutura lógica de pensamento? A Medicina Investigativa? A Matemática e Lógica? A Religião? A Filosofia? A Sabedoria Popular?

Pensar em qual área seria correta para programar a verdadeira inteligência autônoma, já foi abordado em filmes como A. I., e com certeza um campo isolado desses não seria o suficiente para expressar essa real façanha.

Estudar química é fundamental para constituir a base do funcionamento eletromagnético de condutores e semicondutores, mas ela não explica o processo biológico do pensar. Não há, eletrotecnicamente falando, um meio de se desenvolver um sistema de sorteio capaz de ser desprovido de qualquer lógica, por mais complexa e irracional que ela possa parecer.

Matemática e Lógica sozinhas não fazem nada para garantir uma singularidade no pensamento de um andróide. Seguindo-se propriamente por elas, todos eles teriam as mesmas soluções para um problema em específico. E a capacidade criativa não seria elucidada.

A Religião – ou Religiosidade, termo melhor aplicável – é algo tão intrínseco e exclusivo de um ser pensante e altamente imaginativo para um ser humano. Como fazer um robô acreditar que Deus é o criador, sendo que o próprio sabe que foi fabricado originalmente pelas mãos de um ser humano. É muito difícil questionar o valor da religião para um ser humano porque nunca encontrou-se uma pessoa que viva em sociedade e que nunca tenha sequer tido contato nem mesmo com a palavra religião. A Ética e a Moral vêm agregadas a esses valores, mesmo que sua intenção não tenha sido esta. Muito provavelmente, quando os andróides desenvolverem sua própria Religião, garantidamente irão mudar o conceito de como as grandes correntes religiosas vêem a ligação do homem com uma causa superior.

O que, a propósito, nos dá brechas em falar em Filosofia, que talvez seja o ponto-chave para definir o pensamento de um robô, para que ele co-exista em condições de igualdade com o ser humano. Mas a Filosofia, como vemos em sua história, nada mais será do que um passatempo sem fim para discussão entre seres humanos e humanóides – e entre os dois, o que pode ser muito útil.

Saber o que serão os robôs quando forem autônomos é uma grande incógnita. Muitos pensam nas diretrizes da robótica, temendo uma conspiração. Mas, sabendo que os robôs poderão fazer melhor uso da razão, e não deixar levar-se por ciúmes, talvez eles se tornem superiores por um simples detalhe: saberão respeitar cada um o seu próprio espaço. Agora… Que tal deixarmos essa conversa de lado e chamar o R2D2 para uma partidinha de xadrez?


Ouvindo... Pink Floyd: Mother

 

Polipolarismo Dialético

Porque Precisamos Ser Maleáveis

Esse artigo é um prosseguimento do já publicado "Bipolarismo Retórico".


Dialética, s. f. Arte de argumentar ou discutir; arte de raciocinar; lógica; o diálogo, como método de investigação científica. (do lat. dialectica)


"Do outro lado da esteira das resoluções das problemáticas sociais e humanas materiais está uma espécie de posição que, a princípio, pareça metamórfica e inconsistente em demasiado. Muitos acreditam que pessoas polipolares dialeticistas (termo cunhado por mim mesmo) são aquelas que vão cegamente na opinião dos outros, e se ao acaso surgir alguém que se contrapõe com uma justificativa forte, vão de acordo com a opinião contrária. Estes, na verdade, são dialeticistas inconsistentes.

De uma certa maneira, o Polipolarismo Dialético se embasa no fundamento prático da filosofia hegeliana da construção da idéia absoluta. Mas não da construção da dita idéia, e sim em um argumento que leve em conta duas declarações Bipolaristas Retóricas contrárias e adiciona-se possíveis desdobramentos que surjam a partir dos dois troncos da discussão. Esse argumento, por muitas vezes se utilizar de princípios que até pessoas não-letradas praticam, por não necessitarem de estudos clássicos filosóficos, como o Bom Senso Popular, a Moral Universal e coisas que se aprende no seio da família, às vezes apresenta-se muito simples, o que claramente poderia ser chamado – sem ofensas – de Filosofia de Botequim.

Em resumo e palavras rasas: a massa popular tende a pertencer ao Polipolarismo Dialético. Mas só tende, porque apesar de parecer simples encarar a problemática social e humana nessa corrente de pensamento, ela tem um fundamento que ainda irei discutir com mais detalhes: o Monopolarismo Lógico. Consiste no quê? Obviamente, em uma ‘cartilha’ de princípios básicos que norteiem a avaliação dos fragmentos convenientes e incovenientes, aproveitáveis e descartáveis que uma situação oferece, ainda mais quando é bipolar. Esse conceito é conciliado na prática, não há outra maneira, e (embora não seja estudioso de filosofia) sei que o Confucionismo, o Pragmatismo teórico e algumas outras correntes filosóficas possuem princípios parecidos. O Materialismo Dialético de Marx, numa síntese com o Idealismo Dialético de Hegel, constitui o Polipolarismo Dialético: é ideal, por que procura um lugar-comum para as opiniões divergentes que ali se encontram; mas é realista, porque esse lugar-comum é limitado a premissas praticáveis e estão fincados a ideologias já existentes, que longe estão de constituir uma idéia absoluta.

Enfim, o Polipolarismo Dialético permite, ao contrário do Bipolarismo Retórico, um manejo mais atencioso a tudo aquilo que subentende o ser humano por si mesmo. Mas nem sempre aderir a essa visão de mundo é vantajosa, porque ela bota o humanismo a serviço do homem, ou seja, assuntos fora da esfera da humanidade entram em desacordo, conduzindo a discussão em um dialeticismo inconsistente. Embora o Bipolarismo Retórico coloca somente o homem a serviço do homem, deixando a problemática mais restrita a uma solução radical, a dialética inconsistente acaba por fazer o mesmo quando não é aproveitado no campo correto de pensamento.

Saber ser dialético polipolarista exige tempo, conhecimento e, sobretudo, bom senso e moral para discutir qualquer questão."


 Eagles: The Long Run

Bipolarismo Retórico

Filosofia de Botequim Acerca de Conceitos Gerais


Retórica, s. f. Arte de bem falar; aula em que se ensina essa arte; conjunto de regras concernentes à eloqüência; livro ou tratado que contém essas regras; afetação de eloqüência; estilo empolado. (do lat. rhetorica)


"Presenciei uma discussão (não agressiva, nem destrutiva, já vou adiantando) em que um companheiro de teatro questionava a posição do ator frente ao seu predecessor – a pessoa – e a seu objetivo – o personagem. Não lembro muito bem qual era a real posição dele frente a esse questionamento… Ah! Sim! Lembro… O ponto vital que foi alvo da discussão seria sobre o domínio da arte de atuar, em que, para ele, os atores devem basear-se naquilo que lhes pertence naturalmente para compor um número limitado de ‘persona caracteres’, como se houvesse a falta da exigência do ator desafiar-se na composição de um comportamento ou de um módulo de personalidade – como diz o Checcia, a falta de ser sujeito de si mesmo – que componha o personagem apresentado diante do palco (ou da película ou da tela).

Mas não foi exatamente essa opinião que trouxe à tona. O que houve, no ponto vital do ponto vital, é que a opinião deste nosso companheiro foi muito segmentada e fracionada. Para ele, as questões são levadas a soluções que remetem aos extremos, sendo que exceções são pouco comuns. É o que estou chamando no título logo acima.

O que estou para analisar é que como é complicado encontrar pessoas que se livrem desse estigma de optar interinamente por uma decisão ou outra sem valorizar um mínimo conceito da sua oposta. Isso é uma falha da Educação que temos nos dias atuais, que ensina (exemplo claro disso seriam as dissertações que fazemos desde meados do ensino fundamental) que devemos interinamente sermos esquerdos ou direitos, e nunca centrais – claro que isso é um conceito idealista, mas nem tanto quanto se pensa, e Confúcio é prova disso – ou desenvolver múltiplas visões sobre um determinado assunto.

Claro que em certas situações há Verdades absolutas que exigem que se tome uma decisão lateralista: a defesa ao direito de viver é plenamente aceitável, em termos idealistas. Falo em idealismo porque há uma falha inerente ao ser humano: todo conceito universal acaba sendo personificado. Bem e Mal, correto e incorreto, verdadeiro ou falso, tudo o que atravessa a linha do parecer humano ganha posições distintas – daí muitas religiões orientais fazerem jus ao fator que não cabe ao homem o julgamento de determinados conceitos, e isso sim é uma verdade praticável – e dificulta um discernimento lógico, e alimenta uma dialética que muitas vezes é desprezível. Justamente pelo fato apresentado no primeiro momento: o extremismo, a visão bipolarista.

E em tais discussões que está o âmago dos preconceitos e dos estereótipos que rotulam a sociedade em que vivemos…

Resta ao nosso estimado companheiro de teatro compor um arcabouço consistente para embasar sua opinião sobre a própria opinião que possui acerca das coisas, bem como levar em conta, num âmbito de materialismo dialético, a multiplicidade que o teatro possui acerca de seus elementos, inclusive o mais complexo que é o ator (ou a atriz, não sejamos machistas)."


 Love: Alone Again Or