CAOS

Comportamentos Aceitacionais Obsessivos

Numa era em que construímos nossas relações à distância, afinidades, disparidades, ou uma simples questão de estatística constituem nossa rede de “amizades”.


[Fonte: Hokahey.org]Basta olharmos os twitters e orkuts de nossa nação tupiniquim, em especial os de jovens com até dezesseis ou dezessete anos, em diversas localidades do nosso país, que estudam em escolas públicas consideradas referência em sua comunidade ou em escolas particulares pertencentes a redes de ensino renomadas para notarmos um comportamento muito comum naqueles que, por invirtudes diversas, não se destacam em alguma área do conhecimento ou da existência em particular: pedidos incessantes de promover seu espaço a desconhecidos, exibição pública da própria imagem – assunto tratado com propriedade por meio deste pensador – e uma cópia pouco original do desejo do “ser popular” americano são as características mais evidentes nestes perfis.

No universo da produção intelectual, cultural, acadêmica e social, costumamos tratar com desdém tais espaços, considerados “lixo informacional”. Eles demonstram, entretanto, o que pouco podemos conceber em inclusão digital em nosso país: o ferramental não é utilizado como ferramenta, e sim como acessório.

Nós, geração pré-consolidação internética, que víamos os computadores como máquinas ferramentais, não soubemos disseminar o real potencial destas últimas à geração de jovens que, ao passo que encontram, por desventuras do sistema educacional, dificuldades em assimilar os processos de alfabetização, são induzidos, pelo utópico sonho da fixação de personalidade e individualidade perante a um mundo – o mundo dos providos de uma máquina de mesa, de colo, ou de um celular esperto do momento – a desenvolver uma linguagem própria, bem como suas próprias visões acerca do que são certos comportamentos sociais do homem contemporâneo, e entre eles inclui-se a amizade.

Se outrora nos víamos infelizes por possuirmos contáveis pessoas do nosso convívio que possamos confiar em toda a nossa vida e à qual chamamos amigos, os jovens podem deparar-se com um sonho ruir, por depararem-se com a adesão ou a deserção de seus seguidores – nota-se que, no âmbito de certas redes sociais, não se fala mais em amigos – de acordo com o que você diz (ou não), o que faz (ou não) ou o que mostra (ou deixa de mostrar). Tal comportamento natural de experimentação, não bem administrado pelos atingidos, leva a um condicionamento comportamental que os conduzem a uma situação desagrável: falar, fazer ou mostrar o que as massas queiram apreciar. Algo muito perigoso, quando se fala em aderir a comportamentos que são contrários às suas ideologias pessoais na vida real, ou que preenchem lacunas pela falta de uma opinião formada a respeito de determinado fator de nossa existência.

Pela busca – que somente certas ciências humanas são capazes de decifrar – da aceitação do “quanto mais, melhor”, pessoas deixam de buscar as afinidades, as disparidades, e numa espécie de sorteio, recrutam numa propaganda viral, assemelhada aos vendedores insistentes de traquitanas porta-a-porta, seguidores nos quais posteriormente não irão envidar esforço nenhum para constituir comunicabilidade. Assim como um artista que congrega fãs, o indivíduo tuiteiro nada mais faz que congregar no seu convívio pessoas que igualmente têm a mesma aspiração: dignas de seu próprio objetivo fútil e pessoal*.

Ser capaz de expressar sinceridade, sem condicionar agradabilidade a todos ou a construir uma identidade díspare à real é uma tarefa deveras difícil a se ensinar a esta nova geração que se constrói diante de uma máquina de mesa, de colo ou um celular esperto do momento, e que faz de tudo para se impor, por meio de escores numéricos cada vez mais altos. Mas tal virose social pode ser consertada no convívio de um meio profissional – real – ou no ingresso num recinto universitário – ou, pior, tal virose pode consolidar-se, dependendo do grau de exposição do indivíduo a convívios populistas e da seriedade acadêmica do ambiente em questão. – E, principalmente, perceber que a transformação pela internet deve ser ferramental, e não acessória, como os jovens de até dezessete anos de escolas públicas reconhecidas ou de instituições particulares ”fazem”.


* Terra Preta Piemontense é bixo de Letras pela USP e conhece a internet desde seu advento comercial no Brasil. Relutou possuir orkut, blógue e tuíter, mas no final acabou por aderir a tudo isso. Possui mais de 4000 seguidores no tuíter, contradizendo todo o seu argumento moralmente a princípio; mas diferentemente das Tessálias da vida, não fica de cada dez pitacos do tuíter, onze clamando por seguidores. Utilizou, sim, algumas vezes, scripts de seguidores, e se arrependeu de todos, por trazerem seguidores amplamente indesejáveis e apelões, como os que tratam de Big Brothers e da Globo Indústria do Mal Organizações.

O referido autor deste blog tem um discreto desejo de conhecer pessoalmente todos os seus mais de 4000 seguidores que valem a pena, nem que leve a vida inteira ou duas encarnações…



Ouvindo... Mudhoney: Mudride

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Cardápio

“Democracia é comida na barriga”

Com estas palavras, o Senado Nacional mostra uma tática grosseira de admitir certas atitudes em seu âmbito e desconsiderar o mínimo que prestígio que deveria procurar se preservar.

Nos últimos anos, presenciamos situações no poder público, notadamente o cenário nacional, escândalos e dissidências que revelam uma face crua do Congresso Nacional. Será um meio de mascarar responsabilidade ao executivo, em favor de uma futura gestão de troca de favores ocultos; ou a simples revelação de um ambiente de trabalho onde motivos fúteis superam antigos ideais pouco praticados em plenitude desde a antiga Grécia e individualidades criam dissensões entre parlamentares?

Sempre existiu incongruências do poder público quanto a sua postura, mas nenhuma se apresentou tão explícita a ponto de uma criança poder entender que tal situação é no mínimo constrangedora, desde que o ex-presidente José Sarney e atual senador tornou-se a bola da vez na berlinda das acusações de gestão irregular – e logicamente, não é o único a virar caricatura à opinião pública. – Nesta nova novela parlamentar, um dos seus integrantes – sr. Wellington Salgado (PMDB/MG) – deferiu uma máxima que mostra o compromisso do Congresso com a população: “E democracia, senador Cristovam [Buarque], é comida na barriga! Eu acredito nisso”.

Com tal pérola, nossos parlamentares permitiram abrir uma brecha para um velho debate, que alimenta esperanças a setores retrógrados da sociedade: a “livre” democracia realmente funciona? Há algum desserviço neste modo de conduzir uma República? Existe um molde político mais eficiente para conduzi-la? E, existindo, na verdade já o presenciamos (opinião dos saudosistas do tempo dos governos militares que os alegraria e muito, e desagradaria expoentes da cultura por temer uma nova represália às manifestações artísticas)? Questões que são capazes de dividir sem critério pessoas pouco preparadas em discutir os rumos do país, caso de muitos dos nossos eleitores e proletários, que constituem o motor de movimentação do nosso país.

Noutras épocas, é sabido que a intervenção militar no país teve apoio popular, por uma série de questões ideológicas que pareceram convenientes a ambas as partes. Mas também é sabido que tal incursão política não foi austera, tendo inclusive interesses internacionais infundidos em sutis ações públicas. Como as manifestações artísticas e humanas representavam um risco à prosperidade desta conduta política, ela se mostrou repressiva, e daí ganhou conotação de vilã. Mas há quem exonere certas características do regime militar, e numa conjuntura como a atual no âmbito político, até a deseje novamente vigendo na cena política brasileira – mesmo sem se importar com respeito a consequências diversas quanto à liberdade de expressão e direitos inalienáveis.

No entanto, a liberdade de expressão no poder público deveria ser contida do mesmo jeito com que as manifestações humanas foram repreendidas em pleno regime. A falta de compromisso com o eleitorado, no mínimo com a recíproca à opinião midiática e popular, demonstra o comprometimento dos parlamentares com a nação, com a sua representatividade e, sobretudo, com cada um dos seus eleitores. E, principalmente, torna explícito a preocupação deles com cada parcela deste sistema chamado Nação Brasileira.

E, no final das contas, se a democracia é um artifício passivo para conduzir a satisfação geral, fica sendo de caráter obrigatório aos livre-pensadores de nossa nação fazer uma releitura de A República de Platão e desta leitura reescrevê-lo para retratar uma nova realidade, uma realidade que não satisfaza apenas as necessidades mais primordiais, mas possa enriquecer a relação cidadão-nação – que seja mais que comida no estômago.



Ouvindo... Soundgarden: Jesus Christ Pose

O Porta-Voz de uma "Grande Potência"

No dia 20 de Janeiro, tomará a posse da nação ianque o democrata Barack Obama. Deixando de lado todas as convenções a respeito de sua etnia e origem, fica a pergunta: a posição norte-americana frente ao mundo irá mudar verdadeiramente?


Guerras infundadas, a instalação de um terror suspeito e uma grave crise econômica que interfere no bom funcionamento econômico mundial. Assim é o quadro que o caricata e “mico” presidente George W. Bush entrega à oposição nas mãos do presidente aclamado pelo público jovem conectado a tecnologia e pelos instisfeitos pelas insurgências e omissões de oito anos de governo republicano. No entanto, uma pergunta paira sobre as cabeças de pessoas ao redor do mundo: o novo governo terá foco nas necessidades internas, reconsiderará as atitudes irresponsáveis sobre nações em conflito ou será o continuismo de uma barbárie imperial que aos poucos mostra sua fragilidade e sua finitude?

Embora há anos o mundo enxerga os Estados Unidos como o protótipo de sociedade a ser seguida, da fonte em que a moda, a música, o comportamento e o consumo irrestrito e de luxo deve ser bebericada, vemos a ascendência de diversas outras nações que buscam despolarizar esses estigmas globalizados. Ademais, observamos, com o advento da crise econômica que ameaça o sistema financeiro tal como o conhecemos, que esse protótipo impecável possui as suas falhas, e elas demonstram que a nação ianque não está imune ao seu histórico político, assim como qualquer outro país.

Os mais entendidos, com um pouco de atenção e ousadia, conseguem perceber que problemas internos nos Estados Unidos como a criminalidade, o desemprego, calamidades naturais e deficiência no sistema de saúde público não estão aquém de outras nações que aspiram uma posição de países desenvolvidos, como o Brasil, por exemplo. Observam-se semelhanças e até impropriedades que podem tornar alguns dos problemas de organização social ianque maiores em amplitude que outras nações, igualmente desenvolvidas, apresentam em escala menos nítida.

E considerando que o modelo dito democrático ianque, que possa ainda não ser o ideal, não tem na figura do presidente o absoluto governo da nação, visto a autonomia das unidades dos cinquenta Estados, a assembléia e o senado. Assim sendo, quem garante que, mesmo havendo um forte desejo pessoal de Obama pela cessão de conflitos que envolvem um dedo do histórico ianque de influência global, o senado ou uma assembléia permitirão que tal decisão seja acatada na maior simplicidade?

É preciso levar em conta que, mesmo havendo uma coerção social por um Estados Unidos melhor, mais voltado às necessidades que foram dantes abandonadas por caprichos corporativos e presidenciais, essas mesmas corporações ianques, que exportam tecnologias diversas de utilidades e futilidades, como a bélica que, não por demais dizer, é a mais expressiva nas receitas daquela nação, não desejam perder o seu quinhão para outros impérios famintos de insumos financeiros. E será que o presidente Barack Obama terá a capacidade de abdicar a posição de supremacia combalida em favor de esquerdas radicais dispersas pelo mundo? Só o tempo – no mínimo, os próximos quatro anos – poderá dizer.



Ouvindo... Roxy Music: Jealous Guy

Cinco Maneiras de Descobrir Se Uma Gestão Municipal Respeita a Cultura

Ou o Potencial Cultural da Cidade


  • A prefeitura dispõe de espaço público para manifestações artísticas?

Se sim, já é um bom começo… Muitos grupos de dança, música e teatro não tem como dispor, nos seus primórdios, condições para pagar espaços privados, ou não possuem termômetro o suficiente para garantir patrocínio sólido e constante para seus trabalhos.

  • Pode-se cobrar um preço simbólico ou popular pelas apresentações em espaços públicos?

Artistas em geral não são exclusivamente artistas. São pessoas que pesam constantemente a carreira artística com outras funções, muitas certas vezes não rentáveis o suficiente. A "desobrigação" que o poder público se exerce sobre o artista independente nada mais é que uma iniciativa oriunda de fora de sua esfera. De pessoas que querem aproveitar-se economicamente locando espaços privados. Caso contrário, o espetáculo não corre. E é isso que uma iniciativa privada suja quer.

  • São promovidos festivais municipais para descoberta de novos talentos?

Afinal, deseja-se uma vitrine melhor do que abrir espaço para novos expoentes, tanto locais quanto de outras localidades? Contar com o pensamento de que o que já tem é o suficiente é infantil. Pessoas saem e entram de grupos por motivos diversos. E nada melhor do que despertar novos candidatos a perpetuar a história artística local.

  • Existem leis patrocinando as atividades culturais, subsidiando os apoios necessários à classe artística e formando infra-estrutura?

Melhor seria se toda a sociedade apoiasse o teatro, a música, a dança, a escrita e outros sem necessidade de cobrar essa atitude. Mas ressaltemos que as artes em geral fomentam outros setores econômicos locais, podendo a cidade entrar em um circuito turístico devido a isso. Talvez um incentivo inicial possa ser o estopim do crescimento de todo um município.

E, o não menos importante:

  • O candidato que já se elegeu – ou que virá a se eleger – desligou o som de suas carreatas próximo a um evento cultural?

Se não o fez, é sinal de que ele está mais é querendo um povo inútil, sem uma semente plantada de sensibilidade artística, para votar nele nas próximas eleições. E na seguinte, e seguinte, seguinte…

E, além do mais, é um desrespeito total ao eleitor a passagem de uma carreata. Seja ele um eleitor cultural, da saúde, da educação, da expansão industrial…


Ouvindo... David Bowie: The Man Who Sold The World

Política S. A.

Fazer política no Brasil é o mesmo que anunciar um simples produto? Onde estão os direitos do consumidor, caso esse produto apresente algum defeito? Existirá mudança significativa no Brasil enquanto fazer política for sinônimo de propaganda?


A cada dois anos, nos deparamos com a mesma situação: após as convenções partidárias e os lançamentos dos pré-candidatos e da aprovação dos mais ditos competentes, são panfletos, carreatas, showmícios, muita festividade e pouca postura de discursos vazios e falta de abertura de um canal com os almejados eleitores. Assim é a política nacional, que com este comportamento, por mais que se tente, nenhuma campanha de Justiça Eleitoral consiga levantar sua combalida moral.

Por muitos momentos, fica difícil definir quando a candidatura de qualquer candidato seja, na verdade, uma exibição pública de material audiovisual para promover seus autores. Procura-se ganhar o eleitor através de melodias de fácil assimilação, discursos há muito polidos e o uso de pessoas ilustres promovendo a candidatura e utilizando-se de sua influência midiática. Além de dispersar a linha que a política deve se ater a não interfirir em outros segmentos sociais, mostra um injusto distanciamento econômico de quem possa promover-se mais com quem pouco possa contar com esse fator.

O maior momento de ignorância aos valores da política é quando o candidato promove um comício em forma de show. O apelo ao voto, num evento mal preparado, através do uso indiscriminado de personalidades e da economia da participação popular em sugestões mostra um candidato exasperado a se fixar no poder público. Além disso, demandar mão-de-obra para sustentar comícios-show ou qualquer outra forma de promoção eleitoral mostra mais uma vez a política como moeda de troca para assalariar, nem que seja por um momento, pessoas que não necessariamente desejariam votar em tal candidato. O apoio ao mesmo deve partir por iniciativa própria, sem qualquer escambo.

Em qualquer amplitude gestora de nossa nação, é importante que cada candidato atente às justas demandas de sua região, mas sem jamais esquecer-se de um todo, caso eleito. Promover em demasiado a melhoria de apenas uma região em detrimento de outras mostra a clara incapacidade de gestão, bem como denota o claro interesse de uma futura reeleição obtendo o apreço de uma parcela da população, seja ela aquela que lhe apraz por ser dos seus, ou aquela que não tenha o poder de observar e criticar a falta de ação pelos outros, ou aquela de fácil manipulação ideológica.

Experiências em outros países mostram que o uso dos meios de comunicação corretos e do debate, não para promover candidatos, mas sim propostas, pois os candidatos são a ponte executiva para as ações, são as que melhor rendem resultados para um voto mais consciente. Mas para que isso seja possível, alguém de boa fé deve tomar a iniciativa para que a política torne-se um centro de análise de propostas de melhora social, e não uma disputa por uma cadeira no executivo ou legislativo. Do contrário, os eleitores continuarão a votar, obrigatoriamente, no candidato "menos pior".



Ouvindo... Spagga, Prieto, Valdes, y Junito Blade: Mucho Money (PerreoRadio.com

A Sutil Diferença Entre A Responsabilidade E A Vigilância

Um projeto de lei, aprovado no Senado e tramitando para a câmara, prevê tipificação dos crimes cibernéticos, dentre os quais pornografia infantil e pedofilia está qualificado. No entanto, citações do texto podem dar margem a criminalizar como prisão uma simples troca de áudio ou vídeo.


Dados

Segundo informações do Senado, será considerado crime, no âmbito do ciberespaço:

  1. acesso não autorizado a dispositivo de informação ou sistema informatizado;
  2. obtenção, transferência ou fornecimento não-autorizado de dado ou informação;
  3. divulgação ou utilização indevida de informações e dados pessoais;
  4. destruir, inutilizar ou deteriorar coisa alheia ou dado eletrônico alheio;
  5. inserção ou difusão de vírus;
  6. agravamento de pena para inserção ou difusão de vírus seguido de dano;
  7. estelionato eletrônico (fishing);
  8. atentado contra segurança de serviço ou utilidade pública;
  9. interrupção ou perturbação de serviço telegráfico, telefônico, informático, telemático, dispositivo de comunicação, rede de computadores ou sistema informatizado;
  10. falsificação de dados eletrônicos públicos e
  11. falsificação de dados eletrônicos particulares (clonagem de cartões e celulares, por exemplo);
  12. discriminação de raça ou de cor disseminada por meio de rede de computadores (alteração na Lei Afonso Arinos);
  13. receptar ou armazenar imagens com conteúdo pedófilo (alteração no Estatuto da Criança e do Adolescente).

A constante exposição dos menores em atos ilícitos tornou medidas como as listadas acima essenciais para serem discutidos como projeto de lei. No entanto, controvérsias sobre alguns desses pontos serão discutidos a seguir.


Houveram tempos em que a internet fora uma nação sem lei, onde imperava a lei do "salve-se quem puder e como puder". Antivírus, firewalls, anti-spywares entraram em voga para eliminar essas ameaças, mas não foram o suficientes. Atualizações, patches, correções, para empresas e usuários finais para prevenção de códigos maliciosos e tentativas de fraudes de endereços, envenenamento de cache… Termos diversos surgem até o momento em que se percebe: a internet abre brechas tamanhas que necessita-se de uma medida de auto-regulamentação para seu uso. Eis então que existe o novo substituto de Projeto de Lei proposto por Eduardo Azeredo, que determina punições para arbitrariedades irregulares diversas no mundo da internet. Mas será necessário tanta especulação sobre como deve ser o acesso legal e o acesso ilegal.

Dos treze tipos de crime previstos pela emenda, a maioria não pode ser contestada, inclusive por ser necessário um registro nacional para evitar duplas identidades ou identidades-fantasia, coisa que a internet permitiu logo de antemão. É sabido que uma criança que tenha o domínio da ferramenta saiba mascarar sua idade, expondo-se ao risco de pessoas mal-intencionadas seduzí-las a atos infracionários que as tomem como vítimas. Cabe também especificar que, pelo mesmo motivo da internet permitir o anonimato para a proteção da pessoa na eventualidade de fazer uma denúncia plausível, o mesmo anonimato também evidencia um risco por não se identificar um infrator ou conturbador dos instrumentos de segurança, sejam eles virtuais ou não.

A segurança do usuário também se encontra à deriva, mesmo com as medidas constantes de aprimoramento para assegurar o não-vazamento das mesmas. Estes já citados crimes agora receberão o devido tratamento, embora os proponentes da emenda não tenham pensado em como solucionar conflitos de Constituições internacionais, pelo fato de que não necessariamente, os crimes possam ser cometidos por instrumentos no território nacional, ou ainda, se considerarmos que eles não sejam nem executados por brasileiros. Como o projeto de lei preverá punição a infratores estrangeiros em território idem?

Agora, quanto ao fato da transmissão e recepção de dados não-autorizados, constitui uma grave ditadura quanto ao uso livre da internet. Excetuando-se materiais de teor ilegal, como material audiovisual contendo atos impúdicos a incapazes, prover voz de prisão a usuários que se valerem de uso de material com direitos reservados torna-se uma incógnita. Isso porque, em certas épocas, artistas dispõem de seu material para divulgação, mesmo que por um tempo, a toda comunidade internética. Ressalta-se que o combate à pirataria não é eficiente desse modo, até porque o compartilhamento em redes abertas de material audiovisual que não infringe à ética, à moral e aos bons costumes, não gera renda ao que dispõe do material, e muito menos financia outras formas de crime. Adiciona-se ao fato que, considerando a cultura globalizada da época atual, e aos graves encargos de importação existentes no Brasil, há materiais audiovisuais e escritos que dificilmente estariam disponíveis para a venda tradicional em lojas e outros departamentos. E quem, possuindo uma banda larga, alguma vez não sentiu-se intimado a baixar alguma música de uma rede de compartilhamento. Será necessário uma voz de prisão para cada uma dessas pessoas?

Regulamentar o acesso à internet não é, como a proposta aparenta, abrir mão da privacidade do bom usuário, que é educado, cortês e cujo o que expressa, acessa ou baixa de conteúdo, deixando um rico banco de dados à disposição de quem, por qualquer motivo fútil – e as vezes até pessoal – queira incriminar o usuário apenas pelo que ele faz. De maneira semelhante, ninguém que trabalha em vigilância patrimonial pode fazer valer do charlatanismo para promover-se no ambiente onde atua, por saber as minúcias das pessoas, se estas não infringem danos ao patrimônio propriamente dito. O mesmo deve ser aplicado à internet, por meio de filtros eletrônicos, inacessíveis por pessoas. Até porque, centralizando todos os passos de uma pessoa na rede em poucos lugares, que desastre poderá ser previsto se houver um vazamento generalizado dos registros dos usúarios para mãos verdadeiramente criminosas? O combate a ações que ferem os direitos de proteção à honra e a imagem da pessoa não podem ser propostos com métodos que ferem os mesmos princípios.


A Crítica Pessoal

Seremos presos todos por acessarmos conteúdo impróprio para menores, se não somos menores e não estamos visualizando menores em situações vergonhosas ou libidinosas? Ou por baixarmos um Reggaeton que nunca conseguiremos comprar, nem por exportação, ou porque nossos sites de música não dispõem do material desejado?

Sim, concordamos, nós, bons usuários, pela retaliação de atos de pedófilos e grupos que disseminam práticas que ferem o bom senso e os direitos humanos, mas isso não pode implicar em submeter inocentes aos olhos da vigilância.

Deixemos esta auto-regulação tornar-se uma imposição… Quem sabe, em breve, o Brasil siga o mesmo caminho da China, e cesse o direito à expressão? E como ficaremos? Seremos presos por expressarmos nossas opiniões, por acaso?

Cada vez mais, concordo com especialistas que defendem o uso da internet por pessoas a partir dos dezessete anos, para evitarmos ter que nos deparar com esses problemas graves.

E, se for assim, o que será a internet? Um local onde você só deve ir para comprar músicas e saber quem matou o sujeito da novela das oito?

A internet é muito mais que isso… É um elemento de democratização do ser humano, como nenhum que existe por aí.

Façamos nosso manifesto pela auto-regulamentação, e não pela submissão à vigilância dos costumes internéticos!

O Senado e a câmara nacional sabem bem disso… Esperemos que liberdades de expressão e conveniências que possuímos não sejam dissipadas por iniciativas de pequenos grupos que zelam por direitos autorais, e que nem sempre são artistas ou intelectuais e, sim, corporações que estão por trás deles.

Mas quem liga pra isso… Não tirando o futebol e a novela nossa de todo dia, tudo bem…


Ouvindo... Emerson, Lake and Palmer: Trilogy

O Acaso da Banda Larga (Ou de Sua Falta)

O estado de São Paulo viveu seu dia do passado, onde mãos tiveram que ser postas à prova para escrever, e teve uma noção da ausência de uma já banalizada tecnologia: o acesso dedicado à internet.

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Fonte: 2008 Technology/Wordpress São Paulo é um estado sem igual no cenário nacional, seja por toda a confluência de pessoas que nele aportam, os investimentos que nele recaem e os insumos que provêm. Neste cenário invencível, invulnerável da brasileira economia, qualquer fator fora do alcance de qualquer um é crucial para que prejuízos sejam contabilizados e alcancem cifras e zeros nunca antes imaginados. Em todos os segmentos sociais e em tão minúsculo espaço de tempo. Assim foi São Paulo, nesta semana, com a interrupção dos sistemas que proveem acesso à internet de média e alta velocidade.

Soma-se a isso a predominância de uma empresa e direitos de exclusividade com serviços essenciais, e percebemos o quanto a vida de um cidadão médio ficou sujeita a essa tecnologia e como sua vida pode ser complicada com intempéries desse gênero. Quanto mais envolvido com atividades cada vez mais ligadas a captação de dinheiro e dependentes de transações não-físicas, os prejuízos tornam-se mais agravantes. Fora o descontentamento – às vezes, inútil – de usuários finais, que realizam tarefas de menor respaldo econômico neste meio tão intrínseco nosso chamado internet.

Ao ver o quanto algo semelhante pode acontecer, a qualquer momento, por diversos fatores, voluntários ou não por engenheiros, técnicos de telecomunicações, ou burladores de sistemas – os famosos crackers – e sabotadores, pende uma questão: houve uma falta de divulgação de meios alternativos de acesso? Falta de incentivo à livre concorrência, ou da promoção de escolha de operadora destes serviços, equalizando o quinhão de cada operadora nestes segmentos? Investimentos em sistemas secundários que podem prover o mesmo suporte a mesma quantidade de tráfego, ou ao menos os mais essenciais? Qualificação dos profissionais de diagnóstico, para que possam sanar o problema sem prejudicar o conjunto como um todo?

Questões assim permeiam todos os serviços em todos os segmentos do comércio e serviços, mas em se tratando de telecomunicações, contamos com o fator da pluralidade de seus usuários. Quantos negócios deixaram de ser fechados oportunamente no momento certo? Quantas correspondências eletrônicas de teor incontestável não puderam ser lidas em prazo hábil? Quantos pagamentos não puderam ser efetuados, seja empresas, funcionários, com cedentes inadimplentes ou não? Mais que os prejuízos materiais, consideremos os prejuízos semânticos e culturais incontabilizáveis.

Como princípio, uma operadora desse porte, ao procurar iniciar suas atividades em um ramo tão sensível como este deve estar ciente da sua responsabilidade crescente, proporcional à sua expansão de área de cobertura, prever falhas sob todos os ângulos e, em primeiro lugar, carregar para si toda a responsabilidade por eventuais falhas, exonerando toda a sua clientela afetada por todos os seus serviços prestados de forma inadequada. Porque, como dizia o antigo ditado, "o cliente, portador de uma justificativa plausível, sempre tem razão".


Ouvindo... Andy Boy: Cuando Sueo (R a d i o R e g g a e t o n : Pegajosa.com