A Flor da Rama de Jessé

AFRJ

Se se fias que no derradeiro lúnio
um botão combalido despertasse no flúvio dum leito,
lançasse a um sensível fortúnio
de que outrora vingasse e andasse teu feito.

E se por dores lhe conduziram
rama do pomar de Jessé, feminina te imputaram
outrossim, derivada no resvalo imbuíram
e por vitrinas te adornaram e apresentaram.

Fora lançada, pelo clarão, a terras estrangeiras
destituída de teus mimos deu-se em rescisão
outrora lançada como escudo mariano das bandeiras
prognosticou em exílio e contenção.

Brotaste em teu florir um ponto-nó,
sensível dele, preservou-o com calor igual,
pois o ensejo de que o vento árido fizesse pó
e fosse minimamente distinto, assim não seria tal.

Doessem outrora teu desvanecer, florir encanto,
durezas de tempo iguais de qualidades distintas,
provassem pelo teu elegiar de sereno canto,
não julgassem tua coragem e fulgor divinas.

Despetala-se, és verdade, a Natureza vos chama
breve te proclama para que te unas a ela?
Fosse atrasar ou adiantar, em que se conclama
tivesse os felizes monturos de boa procela?

Se esta flor da rama de Jessé foi vista?
O futuro diz, pois discretamente foi bem quista.


Em memória a M. C. L. M. (1959-2020)

Para ler ao som de Milton Nascimento: Cálix Bento

Publicado por Potingatu

Estudante de Língua Portuguesa e Linguística pela FFLCH - USP (2010-5), entusiasta e experimentador do máximo de artes que for possível.

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