Confissões [24]

fractais

Eu vi teu rosto, tão linda, em um sonho, carinho de meu coração.

Teu rosto, desperto, me causou uma sensação fascinante.

Fascinante por ser assustar deveras.

Jamais o susto do Horror, extremamente o contrário: é o susto daquele Destino, que não deixa a gente fugir.

É aquele susto que persiste, insiste e divaga, por tempos e tempos, a fio.


Tu apareceste naquela infinda pure zone, carinho… Aquele espelho reflexório da alma, que te vê em projeções, por todos os lados. Eis que te vejo em cubo. Eis que te vejo como um remoinho de imagens sucessivas, avançando em ecos imagéticos até o ponto de fuga… Penso que te projeto encapsulada em meu pensamento, mas me engano: acabo por devanear-me, minha alma atravessa o espaço físico mental. De repente, invade uma projeção de minha visão física. Quase que é uma fotografia do que penso, e uma fotografia do que vejo que estou pensando. E olho a sobreposição das duas, e reimprimo tal visão.
E a pure zone, aquele espaço antes não-tu, antes um jogo remoído de fractais espelhos levemente iluminados, ganha um cílio de cor, outro cílio, uma poeira interminável de aspectos psicodélicos. E te vi, novamente, ali, em fractais, tu compondo todo esse sem-fim de devaneios. Me perdi uma segunda vez.

E me perdi uma terceira, uma quarta, tentando achar na realidade triste do olho treinado tu… Achei algo parecido, mas não era contigo: e o que tinha de imaginação treinada, calcificou. Mas está lá o assombro em outro lugar. Te vi de novo, quando reminesço aquele pasmo, aquele pasmo…

Pasmo tão bom que quem me dera experimentar de novo… Quando te ver? Quando tu me desconstruir, esse olho que quer esquadrinhar esse pasmar de tu, meu carinho…

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