Confissões [22]

Fonte: Freepik.com

Chegaste tão repentinamente, amiga…

Tua presença nem fora notória. Eu fiquei sobretudo em assuntos triviais contigo.

Um golpe de chuva… Um respingar em nossas faces… Oito segundos…

Passou uma vida diante de meus olhos. Permiti-me te permitir a me esquadrinhar.

E tu, à maneira de Heidegger, mostrou o Dasein que haveria em minha volta. Disse-me da minha maior fragilidade, que é justamente ser frágil. Mas será a admissão dessa fragilidade a própria fragilidade das Seine? Der Zeit contará a nós…

Me empenharei em assentir o todo de mim que te admira, amiga. Estarei muito a vivenciar o momento presente, pois do futuro, ninguém saberá. De futuro não exigirei nada, pois sei que tu, amiga, também tem seus questionamentos, suas premissas de existir, seus anseios.

Seu Zeit, seu Seine… este Dasein é deveras assustador, confesso. Mas, fazer o quê? Num dado momento… Teria que ser assim… Alguém há-de tomar responsabilidade sobre ele. E eu tomei, e eu sofrerei, sim! Eu sofrerei em cultivar essa mais-amizade, esse talvez colorismo-amigo que empreendi, debaixo duma cortina de água, eu assumi isso. Se é fragilidade? Sim, sim, eu aqui sou o papel do frágil…

Mas, será que esse sofrimento, numa leve escala de masoquismo, não é um sofrimento deveras assentido e desejado?

E será que você é tão-só uma amiga, afinal?


Anotação Daniela Mercury: À Primeira Vista | Via YouTube (do compilado “O Rei do Gado”; ou álbum “Feijão com Arroz”)

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s