Radar Musical: Sessenta e Oito

Coldplay - A Rush of Blood to the HeadColdplay

A Rush of Blood to the Head

[Parlophone/Estúdio]

Por Douglas L. Melo


As últimas aquisições que pretendi tinham algum foco. Já percebia, então há tempo, que minha assiduidade musical seria insuficiente para adquirir todos os álbuns que me fossem desejados. Resolvi, diante dos fatos financeiros que me acometeriam, fazer foco em algumas aquisições específicas.

Anteriormente sabem vocês que completei, até então, a discografia de estúdio do Oasis, e decidi fazer o mesmo em razão de mais duas outras bandas de gosto: Coldplay e Pearl Jam. Destas que, possivelmente, se depararão as últimas resenhas.

Este, do Coldplay, mostra-se mais significativo da época que foi lançado do que da que foi adquirido, dez anos depois. À época do lançamento, ainda sonhava em ter meu primeiro álbum de rock, e me valia de alguns apetrechos caseiros para ter música à gosto – internet ainda era então um artigo de luxo – . Era uma época em que abria os portões para meu pai em retorno ao lar. Uma época em que talvez a maior preocupação fosse cumprir com as mínimas preocupações do ensino básico – uma época que já chamei de áurea, mas na qual acho, hoje, que superestimo demais, mas didaticamente teve lá sua importância. A hoje renascida 89 FM surgiu para mim, evidentemente, com algumas das faixas que aqui se apresentam.

Os dez anos depois do álbum físico? Nada além de uma pretensão de obter diplomas. Algumas coisas já não pareciam tão novas sob o sol. A cidade dos dez anos anteriores já não parecia a mesma e tinha se descaracterizado culturalmente para mim, se tornando apenas um entreposto de compras. Os livros de Stephanie Meyer eram a leitura curiosa dos tempos posteriores, e algumas concepções de autoestima, tão postergadas, seriam resolvidas em épocas próximas.

O descritivo afetivo já fora feito, falta apenas se concentrar no álbum…


Setlist

  1. Politik: grandiosidade e potência instrumental contrastando com o aspecto intimista dos vocais de Martin. Destaque para o piano. A falta aqui é a densidade de extensão da faixa que aparenta não terminar rápido.
  2. In My Place: a tétrade radiofônica começa aqui; em seu estágio um, algo nos conformes da maioria das rádios comuns. Começo bom para se esperar coisas melhores deixadas para o fim.
  3. God Put a Smile upon Your Face: estágio dois; menos conhecida e, por razão pessoal, mais preferida, pelo aspecto trovador e acústico, entremeado de riffs.
  4. The Scientist: estágio três; para os entendidos, algo entre a balada e o comercialmente conhecido pelo Radiohead.
  5. Clocks: estágio último da tétrade radiofônica; algo aqui pode ser lido na linha do álbum posterior, o tão-meu aclamado X&Y. Deve ser a atmosfera do eco contínuo. Ou o sempre-presente piano de melodia.
  6. Daylight: agora é onde um verdadeiro amante de música explora, e a surpresa aparenta boa ainda, com uma cadência interessante. Mais pela regularidade instrumental que propriamente pelos vocais do Chris, que não alcançam as oitavas da tétrade.
  7. Green Eye: ah… outra dessas excepcionalidades acústicas… e que experiência vocal! Um bom acerto.
  8. Warning Sign: aos que conhecem, começa com um bom dedo de Suede, vocaliza ao jeito da banda mesmo, e após uma longuidão encerra sem grandes surpresas.
  9. A Whisper: certamente o Radiohead inspira muito a banda, pelo contínuo clamejar do início. Mas ainda é o Coldplay, de todo jeito; d’outrora, ainda é muito regular – será que se espera o futuro imediato do Coldplay no que foi seu passado?
  10. A Rush of Blood to the Head: a música título conduz-se na balada, instrumentada à clássica no início. Espera-se um explodir musical que custa a chegar. Vale a pena ser auscultada.
  11. Faixa de destaque Amsterdan: chegamos à última faixa com uma expectativa de Grand finale, que se apresenta num solo de piano e vocal e um feeling particular. Com atenção se percebe uma discretíssima segunda voz… Lá pelos quatro minutos, quando esperamos pelo fim do álbum, temos uma magnífica surpresa digna daqueles grandes álbuns, somando estrelinhas lá adiante!

Sentimento vintage

A impressão que temos na organização do álbum é de se tratar de uma preparação digna de Long Play, com lado A e lado B, este último pouco digestivo para os menos preparados, por muitas das canções serem densas em extensão. Mas o Grand finale é justíssimo na cotação.

EstrelaEstrelaEstrelaEstrela e 1/2


Não fui eu que escolhi, soltei um livre shuffle e ele me deu este presente para finalizar a edição…

 Rindo

Ouvindo... Coldplay: Amsterdam

Entremeado nesta temporada, a próxima resenha vai ser do álbum do Pearl Jam.

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