Radar Musical: Sessenta e Sete

POD - Payable on DeathP.O.D.

Payable on Death

[Atlantic, estúdio]

Resenha por Douglas L. Melo


A lembrança das condições de aquisição deste álbum não foram muito precisas, embora tenha a certeza de que este foi um dos últimos álbuns até então adquiridos em território osasquense. Evoca a curiosidade de época que tive por ler a saga Crepúsculo, outros livros de literatura comercial como a ainda não dita saga Fallen, paralelamente ao início de um interesse maior pela literatura consagrada como leitura livre, e talvez o início dos tempos em que meu deslocamento universidade-lar passou a ser, predominantemente, responsabilidade minha. Este é o cenário mais geral do que a rotina diária prescrevia: nada muito fenomenal evoca a lembrança dessa aquisição.

O que tenho de parâmetro aqui é a vivência da banda que tive em tempos áureos do primeiro ano de intensa audição de rock, e o fato dessa banda me despertar o interesse por uma música que cria, aqui, encontrar – motivação para, não por muito tempo depois, ter adquirido o outro álbum, lembrança clara dos tempos em que, nós, enqunto jovens estudantes do Ensino Básico, namorávamos os CDs nas lojas – um passado muito nublado em tempos de torrents ou musicas sob demanda…

Uma informação que se deve ter em mente é que a banda tem uma vertente muito cristã, o que parece destoar de nosso imaginário quando vemos o grande guarda-chuva de bandas de metal, onde imaginamos o ocultismo como traço inerente. Veremos o que a audição tem a nos oferecer aqui.

Setlist

  1. Mildfire: um prenúncio bom do que será todo o álbum: uma convergência de metal, rap e um identificável atmosfera cristianizada até para quem não compreende muito bem inglês.
  2. Mill You: para metal, está padrão e pouco inovador; vale pela mensagem, contudo.
  3. Change the World: consolida-se a impressão que se tinha desde o princípio de um álbum cristão… Ainda a tímida musicalidade buscando ousar… Ainda a mensagem upbeat fazendo modesta diferença.
  4. Execute the Sounds: certas musicalidades evocando o Oriente são a única distinção desta música para a média até aqui.
  5. Find my Way: a tensão de musicalidade do metal contemporâneo entre o suavizado e o refrão pesado soa padrão. A mensagem ainda é um peso importante.
  6. Revolution: ah… o típico engajamento pessoal e cristão… modesto demais para a musicalidade que uma música exige com esse título.
  7. The Reasons: aqui o limite do que se conhece por metal é superado pelo seu contraste musical alegre. Soa balada, mas soa algo muito ímpar para ser classificado como qualquer coisa muito inovadora… Talvez haja um estado de afetação do resenhista impedindo que se encontre um ponto distintivo para o álbum? Certo é o fim da faixa mostra uma sustentação até desnecessária.
  8. Freedom Fighters: um novo investimento no tratamento vocal. Torna-se uma interessante leitura para a narrativa evocada. Agrada bem para a média do que encontramos aqui, sobretudo os intervalos instrumentais e algo de ska se anuncia.
  9. Waiting on Today: a musicalidade discretamente evoluiu para a disposição do álbum, embora ortodoxa ainda… E, de repente, o timbre vocal passou a se tornar enfadonho por não se desafiar há muito…
  10. I and Identify: muito mais próximo do que imaginamos do universo metal, mas agora o vocal está parecendo destoar da temática instrumental. Muito pausada e reflexiva no corpo da música, e talvez nem nos sintamos preocupados em compreender os líricos mais…
  11. Asthma: a musicalidade melhorou consideravelmente, lembrando muito do System of a Down, com exceção da potência vocal, que não se supera como a musicalide exige. Talvez percebamos, neste momento, que ou seja a limitação tonal do sujeito ou é, por fim, a identidade musical proposta… A ideia de desconforto fica mesmo pela mensagem. É ela que, no fim das contas, dá bastante sustentação ao álbum.
  12. Faixa de destaque Eternal: minha eterna prerrogativa de que acabo comprando um álbum com faixa acústica – a expectativa por algo dito fica sempre em suspensão, mas o exercício estritamente instrumental nos faz perguntar se o investimento de banda deveria voltar-se para a experimentação sem voz. Uma densidade de extensão que não se prejudica e nos permite curtir as ondulações do que já não soa como metal, mas se aproxima do hard rock.
  13. Sleeping Awake: a tentativa frustrada brasileira de hit de rádio – condensa todo o esforço do álbum, muito dentro de uma zona de conforto, agradando com algumas atmosferas musicais, com uma mensagem poderosa, mas realizada de um modo pouco sedutor, em termos do que todo o universo do rock fornece. Ficaria de bom tom se a faixa anterior encerasse o conjunto do álbum…

Um conglomerado de intersecções de tons, mensagens e cores musicais

Pesa-se com muito cuidado cada conjunto de linguagens evocados aqui. O contexto de produção – uma banda cristã – e o que se pretendeu dizer estão dentro das expectativas, mas a ousadia vocal (ou a sua ausência) não nos permite destacar o álbum nos nossos catálogos…

EstrelaEstrelaEstrela e 1/2


Ouvindo... P.O.D.: I and Identify

Há um outro álbum da mesma banda a ser analisado. Mas creio que o contexto de aquisição trouxe outra banda da qual tenho muito gosto e que tenho em vista resenhar mais um álbum na próxima publicação da seção.

Publicado por Potingatu

Bacharel e Licenciado em Língua Portuguesa (2010-7), FFLCH / FEUSP. Aspirante-a-mestre-acadêmico não-qualificado em Filología e Estudos do Discurso em L. P. (idem, 2017-8). Pesquisador juramentado diante do MCTI de Marcos Pontes e com préstimos ao 🇧🇷. Sigamos!

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