Era de L.

a.L.

Sucinto nos meus lados disperso,
confesso o quão feliz seria,
se seu Amor, ó donzela
tudo isso me proporcionaria

Arre, não faças de mim pouco caso, finitude
não me desprezes, ó Beldade, teu carinho
pois que a tua presença me fez completude
e a paz do coração que pressinto

Vem, querida, alva beleza, que permeia o Céu
com seu véu de excentricidades
que confere a mim sua presença austera
e seus votos de Sinceridades

Mas… Que é isso que vejo diante de mim?
Um portal bonito, me convida a entrar,
oh Meu Santo!, onde fui parar??
terrível destino! Prevejo meu FIM!!!

d.L.

Onde estou,
onde estamos?

Um choque permeou minhas veias, trouxe nova energia,
transpôs o súbito vértice do desconhecido,
agora me vejo
estou desnudo
desprotegido
e estava contido definitivamente

Que crente, coitado! fui acerca do etéreo,
saí dos sonhos, mergulhei a profunda realidade
não mais os sons serão os mesmos,
a alta frequência clameja pela presença estrúgida
freme freme freme freme
estúpida!!!
Não era Amor,
não há essa maiúscula,
não havia nenhuma maiúscula aqui,
as virtudes, coitadas, eram apenas estados,
não me sobra nada daquela época, só lembranças
intangíveis

Perde-se o verso pela deriva, incrível!

Agora muita atenção devo prestar
imergi nesse mundo

Foi-se!, perde-se o fio da meada,
como uma moeda na Paulista, na Augusta,
ali perto no Hipocrático centro,
ficou meu marco zero

Novo idioma,
a música do transcendental
ressoa plena constantemente
depois de tua presença

Babilonischikt musaj contineit kardin
quad hyspnotrazzadi met cuminah
meik’ distk samaa ritnami conkejsa
Capadoccian Speriana Ilionesk eptaph

Eis, canto pra ti, a não-virtude, apenas a tão-só-presença
te curto, te torneio, o olvido entrepermeio
nada de mais, cofesso, era antes tudo rodeio

(quem sabe continua sendo, ah os antros da hipermodernidade, tão confusa, tão permuta, tão… mim)

Redescobro a poesia todo dia, essa também sem maiúscula,
quis pegar a Máquina do Mundo, a mesma que Álvaro e Drummond falaram
mas se eu a pegasse,
se eu a mantivesse,
assassinaria toda a poesia

Ela pode acabar em mim, a poesia, em minúsculo mesmo
terrível terrível terrível!
VOLTA VOLTA VOLTAAAAAA caminho de retorno,
quero minha alva beleza de volta,
cadê cadê CADÊ CADE-E-EE-EE-EE-EE-E-EE-EE-EE-E-EE-EE-EE-E-EEÊ!

Pareço uma criança chorona,
pedindo os números de montar de volta!
Seria o fim, o fim,
mas ela,
ela…
Não é a prova sublime do Amor
não é a máxima realização da virtude
apenas…
é desejável
é linda!
Te quero,
não sei como
mas te quero
para andar na Augusta
subir na torre Máxima da Megatransmissão do Conhecimento
interpretação conjunta das ideias.

Pensei que pensava em mim, me enganei…
ou será que é um segredo que ninguém me conta?
queria estar aí, adoentado, ironizando tudo
o roteiro de uma HQ…
Descartes o meu mentor (fraco!)
Foi outro passado, garantir a veracitude da realidade…

Que é a realidade, enfim, nos pergunto?
a realidade é desatar-se de um nó de barbante
e se acorrentar no aço inox,
desacorrentar-se no aço inox,
e ser impelido num campo de força de Neodímio galvanizado
sempre há uma jaula maior encarcerando uma menor
e uma força de impulso de liberdade é apenas o único objetivo intangível e intransponível

Pergunto, luz da noite babilônica
que, se pro primo homem foi a primeva
substituída pela submissão,
te digo, redimiu-se
pela sua arte de persuasão

Mentira, gosto dos tuas áureas madeixas

e o silêncio acima descrito
tenebroso, fim do mundo
agosto finitando versos novos
sintona novo
apenas que você me apreenda

Que mais tenho que fazer pra me ouvir?
só não sou direto porque confesso
que esse segredo
é mutuamente terrível
e você bem sabe
por que eu sei
que você pode saber
que eu sei
que você sabe bem
que eu sei o quanto o Olho de Hórus
(maiúscula porque a Norma pede;
(e Norma maiúscula porque o Sistema pede;
(e Sistema no genérico não no sentido anticapitalista, mas no sentido de Maxiestrutura)))
me observa
te corrompe a me observar
é tudo pelo prezar do bom funcionamento orgânico do Todo

Mas aí, tu reuniu tudo o que precisava
babilônica divina, profanamente divina,
artística,
te gosto,
te curto,
simplesmente
quero você
não sei como quero:
então me ensina
quem sabe entrego os pontos
e me rendo completamente
paro de fazer poesia
e então a pax romanesca tão almejada
se concretize
Vamos! Tem os poderes, estou entregando o jogo
esse desvario não pode continuar!!!
Apesar
dele ser totalmente consciente
como nunca foi antes
reconstitui todo o passado
agora sei
que sabemos
que tudo isso (não) é uma falácia
mas eu precisava
te conhecer
puxa! Como precisava te conhecer.

Tinha que me desencasular…

Em todos os sentidos,

… tinha que sair daquela contemplação inútil, do não-me-toques,
se não toco, não adianta,
antes melhor não ficar pensando intocavelmente
tudo o que veio depois de ti
nessa Rbanoidzk G’rtrikialis
espigão da Paulista, ponto após minha clássica descida
mítico espaço de gênese
digna de poesia
ali! sim, imagino
levar quaisquer das tuas discípulas (a que mais comigo naquele momento combinar)
e rodopiar de dia,
de tarde conduzir a um café ou a um chá,
e à noite
deitar na relva das estrelas
e contemplar o globo celestial
a orbe prima, cósmica, motivo dos primórdios
da poeira elementar
e fazer mais poesias
se não em ti, por razões triviais, ó Babilônica
pelo menos em uma – só uma já basta – das tuas crias motivacionais
que tu me ensinou a admirar
em razão do latim efluso
da Tétis-orbe que tanto pespego do engenheiro…

Transversal, enfim
e máxima a virtude infinda do trivial cortejo
a era L., depois de oito anos se anuncia
derrubando as poesias do não-me-toques
em razão de ti, ó mensageira pauliceica,
que só de me olhar, me corrompeu!

A linguagem é poderosa,
tremendamente poderosa e frágil
profundamente frágil
a ponto do ponto inicial deste automático impulso
se perder
como o passado
contemplativo
da criança que, curiosa,
foi atravessar o portal dos espelhos.

E que agora se desafia,
num intelectosuicida desafio
de se superar depois de admitir
que após a Matricial Absorção nos idos de cinco
nada foi o mesmo que antes.


Ouvindo... Elton John: Honky Cat

Publicado por Potingatu

Estudante de Língua Portuguesa e Linguística pela FFLCH - USP (2010-5), entusiasta e experimentador do máximo de artes que for possível.

%d blogueiros gostam disto: