Donzelisflêurica

à MGRC… dumas notas que perdi


Sentado à janela
de Guaratinguetá
vi uma flor bela
e me lembrei de Paquetá
lembrei do nome dela
e me vi mais que angá

Gabriela, flor e canela
já dizia o meu Amado

Bárbara, bela
sempre me deu caldo de maracujá
como pode percebê-la
mais docinha que o cajá
e presente nesta querela
de Indaiê ou Indajá?

Gabriela, flor e cravo
já dizia o meu Amado

E pensei, noutros nomes mais bonitos
mais nenhum me veio em desvelo
outros rostos mais queridos
mas em nenhum mais eu me congelo
penso em você, querida de cachitos
e de portes mais belos

já dizia o meu Jorge
e a resposta, meu Amado,
Gabriela, cravo e canela.

(outro poema em melhor sentimento
deveria estar aqui
mas de bonito fosse
melhor mesmo se extinguir)

Radar Musical: Sessenta e Quatro

Pearl Jam

Vs.

[Epic / Sony BMG, estúdio]


Lembranças um pouco mais definidas vêm a seguir, noutra daquelas aquisições pechinchas, que realizei em tempos em que estava envolvido em leituras de vampiros – fato mais notável à época, e não por extremo voluntarismo, mas apenas sugestionado para tal – imagens que me vêm à época são os inícios de tarde que empreendia então na USP, os mais tardares em Osasco, sempre espreitando por algum consumisminho a ser feito, sobretudo na tríade CD – DVD – Livros. Aqui não foi diferente.

Numa época em que voltar pra casa sempre pedia um pão de queijo num shopping e um retorno no início de noite, sempre com música no carro e livro na mão para leitura – é bem de se notar que as leituras de curso não afetavam em nada as livres, misteriosamente não sabia dizer como, – me veio este, o qual fiz audição em carro, como de costume à época com quase todos os que assim foram. E pensar na banda que me consagrou nesse grande estilo é rememorar passados felizes, dinâmicos, e por vezes bizarros, que mais um álbum dessa banda – então grungeira – não poderia passar batida.

Pois bem, de comentários extras, posso me referir às capas e encartes sempre dignos que encontramos em obra – o famoso olho de peixe que aparece em alguma arte – e os vários arranjos dos líricos que encontramos neste.


Setlist

  1. Go: uma tendência ao hard se observa, mas que, pela época, não deixa de perder o teor punk de cadência rápida… Em suma, o grunge em boa forma. E, claro, Eddie Vedder…
  2. Animal: não ligue tanto para o cantado… perceba melhor a desenvoltura instrumental por aqui.
  3. Daughter: o sucesso radiofônico – e acusticizado – que faz com que não nos sintamos em estranhamento com todo o trabalho aqui desenvolvido. Mas, não nos esqueçamos, temos nossos quinhões de riffs nos entremeios.
  4. Glorified G: A arte do encarte esconde uma letras cheia de potência, bem encaixada nos devidos lugares em sua disposição do álbum. O instrumental também não deixa a desejar, e mantém a cadência do álbum lá em cima com bastante propriedade.
  5. Faixa de destaque Dissident: o semi-hit radiofônico e as boas lembranças de Even Flow, Black, Better Man e I Am Mine [anacrônicas], por todo o feelin’ ainda em vigor de Vedder nesta sublime canção. Nota para o esboço em encarte, como uma letra composta em processo-moto-contínuo na guitarra e no lápis. 
  6. W.M.A.: batidas tribais – baixo marcante – canção-ritual – uma quase-jam de um teor bastante complexo, com singelos riscos de se derrapar.
  7. Blood: o tapa-na-cara com toada punk do álbum. Simplesmente pesada , a ponto de deixar a garganta de Vedder em pinel – coisa que hoje não seria mais possível.
  8. Rearviewmirror: a cirandeira-melodiosa do álbum, dosadamente – e marcadamente – gostosa de ouvir…
  9. Rats: a leve sacada blues do álbum com um vocal absolutamente repugnante – como o título da canção.
  10. Elderly Woman Behind the Counter in a Small Town: ah… A legitimamente acústica na sua linha principal… Faltava algo assim para consagrar um álbum que corre gostoso de se ouvir…
  11. Leash: as distorções e os riffs de guitarras emplacam mais uma fase do álbum, revigorada com um quebra-gelo, mas que começa a pecar por algum ineditismo em falta. 
  12. Indifference: uma levada dark nos lyrics nos dá um singelo e devidamente interessante fim de álbum… A pegada dos teclados, a atmosfera elegíaca, o clássico feelin’ vedderiano…

Dotado de tensão?

O álbum sabe muito bem explorar as nuances do grunge. Mesmo não contando com uma boa distribuição dos hits radiofônicos, sabe manter com plenitude o álbum. No entanto, não sei se é estado de espírito, mas ainda não posso declará-lo como O Álbum daqueles…

EstrelaEstrelaEstrelaEstrela e 1/2


Ouvindo... Pearl Jam: Blood

(o que um instante faria)

ou apenas uma fração do implacável tempo


No Terra-Preta caminho…
um segundo

Presença imediata
descartafazeja-temporal
um segundo
pode virar um poema?

Rolling to the ears
depois… Os Silvaéreos
um segundo
passa depois do outro

Imediato
meu caminho
encontra o teu
sulista veridiana
do segundo
vida hard-rock

Tão certo quanto
o tuíte que cuidava
era de influxo
no teu contrafluxo
do segundo
cruzar o olhar

Linda herança lilitesca
falta adjetivo certo
mas aqui é certo que
em um segundo,
você foi minha
e eu fui teu.

(me desculpe teu
respeitoso e auspicioso
affair, mas neste
segundo
fui eu me recompensar
skinnerianamente
do meu árduo trabalho
… então bem mereço
este regalo)

segundo
meu efêmero te querer
tu amou-me
inocentemente
como a quem bom dia
empresta aos quatro
ventos uterinos
que desfraldam também
para o subsolo

E que carolíngea fonte
posso te emprestar?
Teu nome mais-que-sugerido
diz: sei quem tu és:
és como eu
quando pensei
neste
exato segundo

Claro! Quem diga?
posso ser você
noutra transcendência
e então este fátuo-amor
fica falso,
porque neste
segundo você
há um pouco de ti
num pouco de mim

E eu bem sei
que por mais que
me amasse
não podia te amar,
porque meu sentimento
altruegoístico
me cautela
em não
fall myself
in love
because you is me
and it’s overside of me

Carolíngeo momento
do mútuo sorriso:
tu me acusou
na recíproca plena
perfeita do porvir:
num único segundo
eu ao reduto voltando
e tu na iminência de ir


Ouvindo... Rolling Stones: Driving Too Fast

Radar Musical: Sessenta e Três

Bruce Springsteen

Born in the U.S.A.

[Columbia, Sony BMG; estúdio]


Conjuntamente com a aquisição do SSs, teve também esta, fruto das boas épocas em que atualmente vivo em São Paulo. Em meio a uma imersão musical tremendamente gigantesca nos últimos tempos, diga-se de passagem que este álbum andou passando um pouco batido, embora o intérprete não. Lembro-me veementemente das tentativas de ver um filme chamado “Philadelphia”, em que uma bela canção dele figurava.

Em se tratando de gêneros, costumam encaixá-lo na categoria do Folk (Rock), uma seção que muito tem da minha admiração, a começar por Bob Dylan, aliás um dos mentores desse, de modo confesso [acredito]. Embora, a partir da visualidade da capa evocar o American Dream, bem imagino o caráter de protesto [ao menos me parecem as audições dele], contido nele… Nada que uma visadinha nos lyrics não resolva…

Setlist

  1. Born in the U.S.A.: tem um feelin’  bastante envolvente – bem, todo mundo que se preze a conhece, e por isso, temo que o álbum passe a ser nivelado por cima…
  2. Faixa de destaque Cover Me: o solo introdutório de guitarra mostra que o álbum tem muito mais a fornecer do que um hit – presença do bom e velho teclado – e os permeios nos refrões!!!
  3. Darlington County: a sacada country até aqui… Um trocadilho com o condado? E uma semelhança tímbrica com Bob Dylan mais-que-presente. Sem falar nos sha-la-la-la’s e o caráter festivo…
  4. Working on the Highway: uma força bem raiz do trovadorismo moderno, quase beirando o… New Wave?
  5. Downbound Train: agora, no cardápio do “American Dream”, a presença duma pegada blues mas ainda com lampejos country e melódicos… será este álbum uma ode aos estilos nascentes em solo ianque?
  6. I’m on Fire: a breve toada com lampejos de acústico e percussão rudimentar… Mas devidamente elaborada para um quebra-gelo digno de poder alavancar o álbum pra segunda metade?
  7. No Surrender: o resgate da pegada mais hard do álbum, mas ainda com aquela cara de New Wave… o letrado na onda trovadora que já parece um lugar-comum quase monotom… Me parece necessário inovar pra não exaurir daqui pra frente.
  8. Bobby Jean: uma tentativa de organizar com base num arranjo, decerto, espacial, com teclados? Já se sente um cansaço na disposição da ordem do álbum… Por sorte, esta não parece estender-se até mais que o necessário.
  9. I’m Goin’ Down: algo de teor distinto, uma bateria marcada, e um tom ligeiramente diferente… mas nada muito Ooooh! até aqui.
  10. Glory Days: enfim, encontramos – e a mnese não me lembrou até então – outro sucesso de rádio. Não sei se o apelo radialístico foi vigente pra digerir melhor essa, mas bem pensado e desvencilhando desse fator, o que torna diferencial aqui é o arranjo do teclado e o basiquez guitarrístico de acompanhamento. Tão-só.
  11. Dancing in the Dark: outro hit de rádio, e outra sugestão de New Wave na carreira do moço…
  12. My Hometown: ah… uma balada… Boa pra conduzir um fim a um álbum de teor dubitável na ordem “inovação”. Mas pra quem tem refinamento – não o meu caso nesse espírito de resenha – pode ser um bom fechar com chave de ouro. Uma toadinha instrumental em fade, enfim…

Protesto ou puro embuste sugestivo do resenhador?

A impressão de algo de teor de protesto só fica pela canção-título. Começa com bastante vigor, mas se fosse redistribuído melhor, a ordem linear do álbum talvez seria mais interessante. Bom para um efeito-surpresa, via shuffle.

EstrelaEstrelaEstrela e 1/2


Por sugestão do meu shuffle pós-resenha:

Ouvindo... Bruce Springsteen: Born in the U.S.A.

Era de L.

a.L.

Sucinto nos meus lados disperso,
confesso o quão feliz seria,
se seu Amor, ó donzela
tudo isso me proporcionaria

Arre, não faças de mim pouco caso, finitude
não me desprezes, ó Beldade, teu carinho
pois que a tua presença me fez completude
e a paz do coração que pressinto

Vem, querida, alva beleza, que permeia o Céu
com seu véu de excentricidades
que confere a mim sua presença austera
e seus votos de Sinceridades

Mas… Que é isso que vejo diante de mim?
Um portal bonito, me convida a entrar,
oh Meu Santo!, onde fui parar??
terrível destino! Prevejo meu FIM!!!

d.L.

Onde estou,
onde estamos?

Um choque permeou minhas veias, trouxe nova energia,
transpôs o súbito vértice do desconhecido,
agora me vejo
estou desnudo
desprotegido
e estava contido definitivamente

Que crente, coitado! fui acerca do etéreo,
saí dos sonhos, mergulhei a profunda realidade
não mais os sons serão os mesmos,
a alta frequência clameja pela presença estrúgida
freme freme freme freme
estúpida!!!
Não era Amor,
não há essa maiúscula,
não havia nenhuma maiúscula aqui,
as virtudes, coitadas, eram apenas estados,
não me sobra nada daquela época, só lembranças
intangíveis

Perde-se o verso pela deriva, incrível!

Agora muita atenção devo prestar
imergi nesse mundo

Foi-se!, perde-se o fio da meada,
como uma moeda na Paulista, na Augusta,
ali perto no Hipocrático centro,
ficou meu marco zero

Novo idioma,
a música do transcendental
ressoa plena constantemente
depois de tua presença

Babilonischikt musaj contineit kardin
quad hyspnotrazzadi met cuminah
meik’ distk samaa ritnami conkejsa
Capadoccian Speriana Ilionesk eptaph

Eis, canto pra ti, a não-virtude, apenas a tão-só-presença
te curto, te torneio, o olvido entrepermeio
nada de mais, cofesso, era antes tudo rodeio

(quem sabe continua sendo, ah os antros da hipermodernidade, tão confusa, tão permuta, tão… mim)

Redescobro a poesia todo dia, essa também sem maiúscula,
quis pegar a Máquina do Mundo, a mesma que Álvaro e Drummond falaram
mas se eu a pegasse,
se eu a mantivesse,
assassinaria toda a poesia

Ela pode acabar em mim, a poesia, em minúsculo mesmo
terrível terrível terrível!
VOLTA VOLTA VOLTAAAAAA caminho de retorno,
quero minha alva beleza de volta,
cadê cadê CADÊ CADE-E-EE-EE-EE-EE-E-EE-EE-EE-E-EE-EE-EE-E-EEÊ!

Pareço uma criança chorona,
pedindo os números de montar de volta!
Seria o fim, o fim,
mas ela,
ela…
Não é a prova sublime do Amor
não é a máxima realização da virtude
apenas…
é desejável
é linda!
Te quero,
não sei como
mas te quero
para andar na Augusta
subir na torre Máxima da Megatransmissão do Conhecimento
interpretação conjunta das ideias.

Pensei que pensava em mim, me enganei…
ou será que é um segredo que ninguém me conta?
queria estar aí, adoentado, ironizando tudo
o roteiro de uma HQ…
Descartes o meu mentor (fraco!)
Foi outro passado, garantir a veracitude da realidade…

Que é a realidade, enfim, nos pergunto?
a realidade é desatar-se de um nó de barbante
e se acorrentar no aço inox,
desacorrentar-se no aço inox,
e ser impelido num campo de força de Neodímio galvanizado
sempre há uma jaula maior encarcerando uma menor
e uma força de impulso de liberdade é apenas o único objetivo intangível e intransponível

Pergunto, luz da noite babilônica
que, se pro primo homem foi a primeva
substituída pela submissão,
te digo, redimiu-se
pela sua arte de persuasão

Mentira, gosto dos tuas áureas madeixas

e o silêncio acima descrito
tenebroso, fim do mundo
agosto finitando versos novos
sintona novo
apenas que você me apreenda

Que mais tenho que fazer pra me ouvir?
só não sou direto porque confesso
que esse segredo
é mutuamente terrível
e você bem sabe
por que eu sei
que você pode saber
que eu sei
que você sabe bem
que eu sei o quanto o Olho de Hórus
(maiúscula porque a Norma pede;
(e Norma maiúscula porque o Sistema pede;
(e Sistema no genérico não no sentido anticapitalista, mas no sentido de Maxiestrutura)))
me observa
te corrompe a me observar
é tudo pelo prezar do bom funcionamento orgânico do Todo

Mas aí, tu reuniu tudo o que precisava
babilônica divina, profanamente divina,
artística,
te gosto,
te curto,
simplesmente
quero você
não sei como quero:
então me ensina
quem sabe entrego os pontos
e me rendo completamente
paro de fazer poesia
e então a pax romanesca tão almejada
se concretize
Vamos! Tem os poderes, estou entregando o jogo
esse desvario não pode continuar!!!
Apesar
dele ser totalmente consciente
como nunca foi antes
reconstitui todo o passado
agora sei
que sabemos
que tudo isso (não) é uma falácia
mas eu precisava
te conhecer
puxa! Como precisava te conhecer.

Tinha que me desencasular…

Em todos os sentidos,

… tinha que sair daquela contemplação inútil, do não-me-toques,
se não toco, não adianta,
antes melhor não ficar pensando intocavelmente
tudo o que veio depois de ti
nessa Rbanoidzk G’rtrikialis
espigão da Paulista, ponto após minha clássica descida
mítico espaço de gênese
digna de poesia
ali! sim, imagino
levar quaisquer das tuas discípulas (a que mais comigo naquele momento combinar)
e rodopiar de dia,
de tarde conduzir a um café ou a um chá,
e à noite
deitar na relva das estrelas
e contemplar o globo celestial
a orbe prima, cósmica, motivo dos primórdios
da poeira elementar
e fazer mais poesias
se não em ti, por razões triviais, ó Babilônica
pelo menos em uma – só uma já basta – das tuas crias motivacionais
que tu me ensinou a admirar
em razão do latim efluso
da Tétis-orbe que tanto pespego do engenheiro…

Transversal, enfim
e máxima a virtude infinda do trivial cortejo
a era L., depois de oito anos se anuncia
derrubando as poesias do não-me-toques
em razão de ti, ó mensageira pauliceica,
que só de me olhar, me corrompeu!

A linguagem é poderosa,
tremendamente poderosa e frágil
profundamente frágil
a ponto do ponto inicial deste automático impulso
se perder
como o passado
contemplativo
da criança que, curiosa,
foi atravessar o portal dos espelhos.

E que agora se desafia,
num intelectosuicida desafio
de se superar depois de admitir
que após a Matricial Absorção nos idos de cinco
nada foi o mesmo que antes.


Ouvindo... Elton John: Honky Cat