Orbes Liliânicas

Em razão de um passado
misteriosamente divertido
dedico essa poesia
a quem nem bem conheci
e passei a admirar

“Lilywhite lilith,
She gonna take you thru the tunnel of night
Lilywhite lilith,
She gonna lead you right.

“(…)
She leaves me in my darkness,
I have to face, face my fear,
And the darkness closes in on me,
I can hear a whirring sound growing near.
I can see the corner of the tunnel,
Lit up by whatever’s coming here.
Two golden globes float into the room
And a blaze of white light fills the air.”

Tony Banks, Phil Collins, Peter Gabriel, Steve Hackett, Mike Rutherford, Anthony Phillips; “Lilywhite Lilith”, 1974


Olhos de mar cristal, benesses de outrora
quais esmeraldas que se propuseram
surgidas num ímpeto teogônico

Dos princípios dessa História
que há muito perpassa desde o Quinto
cabal em resoluções de ego

Uterina Matricial que me proviu
na ligadura do fluxo vortícico
pauliceia desvairada futura
que passei a aproveitar

Que gênese perfaz todo esse furor
pespegando desde os princípios
primórdios da estrutura atual
dores minórias, eflusas vitórias

As orbes da boêmia beldade,
sim, as vi e hipnotizei!
Minha poesia é de criança
e minha vontade Dantesca-Petrarquista
de anteceder a Laureana e a Beatriceica
museidade inspiradora das odes

Se foi tu, ó babilônica! Áureas madeixas
persistente nas imediatas resoluções
que me trouxeram nesse efusivo conceito
pós-moderno, devasso, obtuso
profuso dinâmico e transcendente
digo: Sim! Ó incrível diva do sensível desfrute
traços e expressões artísticas que vigoram

Trouxe da infância artística o Primo Ígneo
que após sete sólios perpassando pro oitavo
modificou-me! E muito! Trouxe poesia,
na cinzenta resolução de desvario
Sim! Contigo aprendi essa palavra
e quase todos os outros proparoxes
que constantemente passei a usar

Me impingiu o clássico gosto
e me trouxe do desgarrado pitagórico mundo
a vazão criativa queria mais, é verdade
mas teu sorriso…

Não me fale do teu sorriso… é inóspito, posso estar gastando todo o meu latim to utter o inefável
em ti encontrei o Caio Fernando Abreu e os Morangos Mofados
os bons augúrios estéticos providos pela Lucia de Rubem
Clarice foi só a porta-voz do básico, a contraparte de ti feminina manifesta em mim
em ti encontrei a porta-voz
da que só muito tempo, a condicionamento e posterior maturação
fui encontrar nos camonianos versos
a Tétis-orbe, regalo vascaíno
que o Drummond rejeitou (coitado!)
e que comigo – tu bem sabes, ó babilônica,
basta lembrar dos inícios do nono ao quinto novo-milenar,
e saberá enfim do que eu tentei te dizer –
muito queria te dizer
(ah! O quanto queria te dizer então!)

A Máquina do Mundo, a Panteogônica, fugiu aos meus dedos,
porque fui absurdo em extrair dela o que não devia
Muitos não teriam a sorte de estar próxima dela de volta
mas aqui estou,
pois descobri
a chave
que a abre
e ela estava sempre comigo:
é redutivo dizer que está
no sempre-inalcançável presente:
the utterance of speech
orationque magnanimus est
(perdoe-me se houver lapsos,
ainda há muitíssimo o que aprender)

Esta pretensa ode
se desgarrou dos primórdios clássicos…
Foste tu, ó babilônicas orbes primevas
a responsável-mor por tanto descardim,
peso na reminescências dos transcendentes tempos
o teu reencontro
sob novas vicissitudes
sob novas virtudes
há-de conhecer um traço menos inseguro,
mais dinâmico
mais complexo
feito o teu (nosso) reduto
(digo assim, caríssima beldade-prima, pois que aspirei
em outros ares, esse mesmo ambiente
e hoje aqui estou, como outra porta-voz aí dissera)
feito essa massa disforme e implexa
difusa a quissézes
que se complexifica
dia após dia, hora após hora,
diante de milhões de estímulos
que descabido aqui tento resumir

E que, por muito dizer, tão gostoso estar presente aqui,
uma hora deveria findar
(acho que essa história não termina aqui, toque divino)
mas está desde então escrito:
tu, babilônica das orbes transcendentais
servirá de pano de fundo, e transcreva isso bem,
se o passado me esqueceu de te reminescer
foi porque ele foi falho
pois tu sempre esteve lá, alva
iluminando o grão-percurso poético e artístico
que desde que te vi jamais me abandonou.

Agora já é tarde, jades primevas e babilônicas
underground das preferências míticas:
dê-me meu quinhão de tua inspiração
pra, agora, transcender a minha diária gênese
e iniciar um nova história
todo dia no Paulista-Além-Paraíso.


Ouvindo... Elton John: When a Woman Doesn’t Want You

Publicado por Potingatu

Estudante de Língua Portuguesa e Linguística pela FFLCH - USP (2010-5), entusiasta e experimentador do máximo de artes que for possível.

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