Vortícico

Plena razão existir, profana, obtusa,
difusa, dita colonturmérica,
constante, distante e efemérida,
se projeta neste cabal experimento

Soa som sublime, vilaceando fugaz
que te apraz, divino lisflêurico, Santa de Adaga
a busca do Santo Graal da modernidade,
o línque para a longevidade.

Descobri meu Nirvana, meu último refúgio,
anja lorênica, por que recusas meu beijo?
Meu afago, meu carinho. Surreal?
Dúvida não há, injusta, desigual!

Serei eu, cogitado como sucessor de Eros,
vontade motriz da paixão avassaladora,
qual motora vontade lispectoriana
se refaz em próximos concisos do que desejam.

E eu?
Bem…
Me resta achar, ó Drummond, a tua Máquina do Mundo.

Como pôde, ó poetastro, dispensar tão breve artefato?
Que o dispensasse no seu espólio, olhasse pra mim,
eu que estava no útero do Grande Útero,
o nevrálgico conduto, a filial cavernística ufana e inefável
eu estava ali… Um cordão umbilical, não rompido,
Tu poderias fazer essa última cirurgia,
me batizar com a tua circuncisão,
e me habilitar a receber a tua herança.

– Quem sou eu pra te pedir essa esmola, ó Itabirense…
Já a pedi a Machado, a Lispector, até além-mar,
Camões, Pessoa e Saramago a vagar,
quis achar esse ímpeto furioso, vetusto, viçoso,
composto de urgências, alegrias intensas,
tu dispensas a Máquina do Mundo?
Dispensas, Carlinho…?

Eu sei… Você não tinha Matemática,
você não tinha Engenharia,
se você a quebrasse, jamais a consertasse…

Mas a Máquina do Mundo não presta pra ser consertada,
presta pra ser engolida,
colocar ao peito? Não… antes, faça como os outros: absorvesse-a!
Divida-a em duas metades,
verás, na Máquina do Mundo, o códice da razão de existir…
Lembra do teu Amor Natural?
Quem disse que você largou o vortícico engenho de Tétis?

Posso me autodestruir tentando achá-la…
Fato é que quase a tive pra mim, e tu sabes, mas
eu não sabia que tu sabias,
e se eu ficasse sabendo que tu sabias,
tinha prestado atenção ao derredor pra evitar o inevitável.

Agora estou aqui, abraçado a ti, nesta tua viagem ao banco de Copacabana,
pensando,
devaneando,
onde vou,
onde devo ir,
onde vou chegar,
porque quando a (re)encontrar,
Irá falar pra mim:
Eu tinha tanto… Mas não era tanto assim.


Ouvindo... Kraftwerk: Computerlove

Colonturmérico

Que vá! Longe! Meu filho!
Meu pai! Meu pai!

Que não faça com que me humilho!
Meu pai! Meu pai!

Que não entrones na taça de vinho!
Meu pai! Meu pai!

O que eu pensei no meu ninho!
Meu pai! Meu pai!

Que vá! Longe! Meu filho!
Meu pai! Meu pai!

Plantar sabugos de milho!
Meu pai! Meu pai!

Criar uma dúzia de novilho!
Meu pai! Meu pai!

Fazer do filho o pai com brilho!
Meu filho! Meu filho!


Ouvindo... Aulas sobre Pessoa.