Semântica Tolerancial

Esta… Um menino me contou; não fosse ele, nunca haveria como teorizar

"Between the line for the sadness and the joy" (aplicativo Paint; pincéis spray e aquarela)


Apresento a vocês,
a semântica tolerancial:

Revolucionária!

Nunca na história da humanidade,
surgiu ciência tão perfeita,
ela lida com material de boa monta
tão perfeito que estudos muito conta.

Revolucionária!

Perfeita pra ambientes urbanos,
onde tudo corre tão rápido,
onde falta tempo, razão
e um pouco de temperamento.

Revolucionária!

De um lado, colocamos a sociedade de sucesso,
onde está o sucesso,
os cases de sucesso,
os hits de sucesso,
os best-sellers de sucesso,
as criações de sucesso,
o programa televisivo de sucesso,

Revolucionária!

Do outro lado colocamos a sociedade do fracasso,
onde está o fracasso,
a idéia furtada e não-indenizada,
a canção desprezada pela gravadora,
o livro na lixeira da editora,
a invenção que falhou,
e a falha radiotransmitida.

Revolucionária!

Aqui, não há tristeza,
há muito sorriso, há muito otimismo,
há muito amor, há muita dedicação,
há sempre inovação, há sempre reciclagem,
aqui está um modelo de sociedade.

Revolucionária!

Ali, mau exemplo:
há muito recalque, há muita crítica,
há muita queixa, há muito conformismo,
um gancho em tradições, preservando o antigo,
aqui temos as coisas como elas se apresentam.

Revolucionária!

Neste hemisfério mórbido,
todas as brigas, as guerras,
a fome, a moléstia, e as desgraças,
fazem sentido enquanto fonte da graça,
das ideologias conspiratórias
e de pouco ortodoxa orientação:

Revolucionária!

Lá, naquele mundo do faz-de-conta,
tudo lindo, harmônico,
comida boa, saúde e bons augúrios,
a busca por todos é a imagem de vitrine
dos bons valores
que de nada tem que ser

Revolucionária!


A ciência que vos falo,
se fundamenta num pressuposto simples,
que tanto pra uma ou pra outra
face da mesma moeda,
um mesmo atributo reivindica pra si
a principal razão de ser dessa ou
daquela postura em vacância…

E esta dá o nome à ciência,
e a chama de Tolerância
(quem dela não bem se aproveita,
invalida o estatuto de moral,
e o mundo perfeito e o mundo real
não são coisas prontas, afinal)


Ouvindo... Primal Scream: A Scanner Darkly

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