Confissões [13]

I

… Amiga… quase irmã…

Já adianto que sentirei saudades de você…

Percebo há quanto tempo o mal que unicamente foi feito de nosso convívio… A saudade será tamanha, e já sentirei estas saudades.

Esse processo de irmandade… Foi tão inevitável… Tua voz de veludo, tão melíflua – aprendi essa palavra na prática – foi meu chamariz pessoal para saber que você existe… Amiga! Te tomei como irmã, agora já é tarde. Muito melhor lhe tomasse de outro jeito, mas agora é tarde…

Sentirei saudades de você… Algum dia…

Você foi tão profética… Nem sei se já assumo: irmã, cúmplice amistosa, amicíssima… Sabes muito bem que amiga não pode ser, já que sabes muito o que ser amiga implica para mim. Tudo, menos amiga.

Sinto saudades de você… quase irmã.

Agora, falta menos tempo do que eu imagino. Cada um segue seu caminho, você, irmã, o teu; eu sigo o meu. Ei-me lembrar que perguntara a mim: estará sempre presente em minha vida? Eu digo, Claro que sim, se acaso você o quiser.

E que queira, e muito, quase-irmã, estar presente em minha vida, pois eu sentirei saudades de você, algum dia.


II

E você, amiga, que mal te conheço direito, por que me fazes sofrer? Que terrível intuito o teu… Por que justo naquela tarde de chuva? Por que tua face me instigou? Por que tua indumentária? Por que nossas coincidências geográficas? Por que todo esse conjunto, sua… sua… Helena de Tróia! Pandora dos tempos míticos! Não há explicação! Pões à prova minha constância, constância augustina, feito aquela descrita por Macedo… Mas você não é meu amor de infância… Dentre todas as amigas, não-irmãs que tenho, você é a que conheci amanhã… Amanhã…! Nem agora, nem ontem… Você é a amiga do futuro! Nada há que te iguale! Droga!!! Mil vezes droga!!! Não fazes a mim usar verbos na perfeita segunda conjugação, não faças com que me sinta um escravo diante de ti, estou pasmo, vicioso e terrivelmente açoitado por tua singularidade, amiga! Agora é tarde! Agora é tarde… Construí tantos cartões de visita em minha mente, já bem conhecidos, e de último minuto apresenta o teu!

Agora que faço?! Muitos amores estão ofuscados diante de teu efêmero brilho… Um brilho efêmero que posso tornar permanente em minha órbita celestial. Beldade etérea! Algo sem igual… Não faças isso mais comigo amiga… Esconda estas janelas da alma no recôndito de tua intimidade… Pelo menos diante deste sôfrego cantador de virtudes estéticas e essenciais.

Não faças, do meu louvor, hinos de sofrimento! Não, não, não, favor, amiga!…


Ouvindo... Alanis Morissette: Flinch

Publicado por Potingatu

Estudante de Língua Portuguesa e Linguística pela FFLCH - USP (2010-5), entusiasta e experimentador do máximo de artes que for possível.

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