Radar Musical: Sessenta e Dois

Scissor Sisters

Scissor Sisters

[Polydor / Universal, estúdio]


Completada a coleção do Oasis e adquirido a preciosidade do Coldplay, pensava que não me empreenderia em outras aquisições. Contudo, nessas épocas, me deparei com preços promocionais neste e no que virá em sequência [resenha 63] que a resistência fora pouca. Naturalmente, essa foi uma daquelas aquisições que fiz no período que muito circulava pela Paulista.

Mas as lembranças que me remetem a esse álbum são muito mais remotas. Elas remontam ao ano de 2004, quando o público brasileiro tomou conhecimento da banda, a partir da cover de Pink Floyd. Nessa época, falando de mim, vigorava minha preferência pela Brasil 2000, rádio que julgo extinta pelo arsenal musical que fora abandonado anos após, e esta era minha companheira das jornadas de fim de tarde rumo ao ensino médio no Campesina. Junto com esta, outra, a The Darkness (que até o presente momento não possuo álbum em CD) recheavam em parcelas, junto com um arsenal de bandas indies, um estilo de ser meu que poderia muito julgar andrógino [tal como refletindo há pouco antes de construir essa nota com uma amiga] e voltado pra efervescente boemia da minha vida, dessa época que estudava pela noite, na então cidade de Osasco.

Latentes esses detalhes, posso me referenciar ao álbum em si, que tem um apelo ambíguo e peculiar, do qual faço notas, no velho estilo leigo que já conhecem de mim, a seguir.

Setlist

  1. Laura: teclados e sintetizadores – atmosfera envolvente – e uma voz que vai se tornar daqui em diante algo comum em todo o álbum. Apelo andrógino? Não… Mais que isso: uma historieta de sex appeal. – guitarra à moda glam;
  2. Faixa de destaque Take Your Mama: nítida lembrança de George Michael no início do álbum com os acordes acústicos (acústicos!!! Ahhhh!) – e o pedido pra levar sua mãe pra farrear fora de casa… Disco???
  3. Comfortably Numb: a cover de Pink Floyd, obscurantemente dançante, e com uma nítida lembrança de Bee Gees. Perfeito Frankenstein. E com muito direito a a-has, e tais.
  4. Mary: o piano, e uma reminiscência aos trabalhos do Pulp. O expurga-males melancólico do álbum até aqui.
  5. Lovers in the Backseat: essencialmente experimental, recitada… um algo voltado ao novo século.
  6. Tits on the Radio: quando o rock está a serviço da Disco… ou seria o contrário?
  7. Filthy / Gorgeous: mais outra que traz lembranças de Bee Gees… porém a temática é bem underground. E o elemento eletrônico se torna mais latente no fim.
  8. Music is the Victim: a big-new-thing do álbum: muita base, um convite ao Dancin’ Days, típico comportamento anos 80. Pena ser curtíssima.
  9. Better Luck: um apelo quase hedonista, com um sample muito familiar.
  10. It Can’t Come Quickly Enough: organística, traz uma nítida lembrança dos trabalhos do Suede.
  11. Return to Oz: e para fechar com chave de ouro, um convite à (des)fantasia numa de densidade sem igual, com direito a fundo acústico, crescente sonoro, descompassando estrategicamente o álbum para uma sequência linear surpreendente.

Atmosfera ímpar

Para quem curte coisas pouco ortodoxas, é uma grande pedida.

EstrelaEstrelaEstrelaEstrela


Ouvindo... Scissor Sisters: Music Is The Victim

Na próxima, pela mesmo lote de aquisição, o álbum Born in the USA de Bruce Springsteen.

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