Confissões [9]

Não…

Por favor, colega… Mal te conheci!

Não sabe o quanto teu elogio é um veneno pra mim… Um veneno desejável, procurado, uma morte moral certeira… Não me ludibrie! Isso é perigoso.

Sabes agora o quanto a solidão me afeta… E já é tarde! Não posso voltar atrás. Me deixou inteiramente aos teus pés!

Por favor, seja rude comigo, colega, eu te peço. Não massageie meu ego tão intensamente como você outrora fez. Vou acabar por me dopar com semelhante droga e pedir cada vez mais por ela. Não massageie-o! Seja um pouco contida, ofereça resistência, deixe-me confuso, deixe-me doido… Ou deixe-me…

… Pois que a amiga que tanto me declaro já deve ter saído de cena, justamente por eu trocá-la pelo atalho rompido ao vento de um temporal, feito você, misteriosa colega.


Ouvindo... Jethro Tull: Elegy

Publicado por Potingatu

Estudante de Língua Portuguesa e Linguística pela FFLCH - USP (2010-5), entusiasta e experimentador do máximo de artes que for possível.

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