Confissões [7]

Por favor, minha amiga; reconsidere meu pedido: sofro incessantemente no recôndito do meu aconchego a hostilidade do desentendimento e da Discórdia, filha da Noite funesta. Quem me deveria ser exemplo não faz mais que decepcionar, diante de tanta briga e confusão, diante de tanto ego ferido querendo se sobrepor e diante de tanta fútil necessidade de se impor diante de outrem.

Nada há que resolva isso, nada! Seja um conciliador jurídico, ou psicanalista ou uma religião, até porque sei que talvez cada um deles pode ter tido a sua possibilidade de resolver o problema que presencio. E nenhum deles foi eficaz.

Detesto, querida amiga, esta máscara social que erigem pra dizer: “tá tudo bem, somos pessoas felizes”. Não! Não são pessoas felizes: são pessoas contentes, o que é sutilmente diferente. Pessoas ricas, com direito a comprarem tudo o que quiserem, inclusive forjarem amizades, são pessoas contentes; pessoas que constroem mundos ideais onde fogem da realidade quando bem lhe aprazem são pessoas contentes. Contentamento, querida amiga, é uma droga anestesiante, pro momento, fútil e descartável… Eu quero felicidade: contigo, pra mim, de quem me é exemplo; verídica, autêntica e duradoura.


Ouvindo... Hüsker Dü: Powerline

Publicado por Potingatu

Estudante de Língua Portuguesa e Linguística pela FFLCH - USP (2010-5), entusiasta e experimentador do máximo de artes que for possível.

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