Confissões [8]

Enfim, amiga… Eu sinceramente não sei de mim! Reconheço na minha pessoa um ser duplo, triplo, múltiplo, pois que ao mesmo tempo que juramento a mim mesmo que te respeito, eu te traio em pensamento por uma pele macia, por um olhar penetrante, por um sorriso meticuloso. Como pode isso? Realmente eu não sei… Saia de mim, ultrajes!

Ajude-me amiga! Dê-me teu ultimato, pro bem ou pro mal. Eu preciso dele pra saber se compensa assumir essa torpe faceta cafajeste, haja vista que não me queira como eu te quero; ou se abdico dessas superficialidade, e faço de ti meu monumento a ser esculpido pelos próximos anos…

Por favor amiga… Faça alguma coisa, urgente! Não sabes, estimada, o quanto sofro diante desse impasse. Ao passo que eu amo a ti, eu desejo as outras. Isso é provação divina, bem imagino – torpe nesses quesitos que sou – e não sei por quantas mais devo passar pra te merecer. Eu sei que não corro atrás de ti, você precisa respirar, você precisa do seu tempo, mas…

Mas por favor, eu te suplico, com todos os endossos: faça uma resolução, porque seu tempo de pensar me parece uma eternidade, e não sei por quanto tempo vou ter de sobrevida antes de uma severa epifania. Sim! Eu estou sujeito às epifanias, muito mais que no passado. Não consigo esconder mais nada de ninguém…

Nada, exceto o que realmente sinto por você.

Por favor, considere isso em seu ultimato! Pela minha epifania.


Ouvindo... Maria McKee: No Other Way To Love You

Enfim, o quarto semestre

Depois de tanto escrever no livro original e digitar a cópia de segurança, enfim disponibilizo pra vocês a versão atualizada da USPianeia.

Ela estará de modo permanente no lado direito deste blog, ou, se preferir, através deste link, fresquinho para apreciação. Eventuais erros de digitação serão posteriormente corrigidos.

Para melhor detalhamento, leia as notas nas primeiras páginas.


Ouvindo... Benny Benassi: Close to Me [feat. Gary Go]

Radar Musical: Sessenta

Oasis

Don’t Believe the Truth

[Sine / Sony Music, estúdio]


Terminando a empreitada que fiz em busca de completar a discografia da banda, este foi o último que me restava a conseguir tal objetivo. No entanto, chegar a tal ponto não foi tarefa fácil… Foram necessárias várias viagens, esperando que essa remessa, vinda de uma loja de outro estado, chegasse via encomenda à loja que solicitei – eventuais críticas e queixas estiveram presentes nesses momentos, com as vendedoras da lojinha de shopping de Osasco – com direito a uma expectativa ao ver determinado dia aparecer uma van amarela dos Correios, provavelmente trazendo, dentre outros embrulhos, o meu… Outras aquisições nesse meio tempo na livraria da vez foram precedentes, numa época em que eu tinha que ser ninja o suficiente pra chegar em Osasco ao mesmo tempo em que meu pai saía do serviço, para evitar ociosidade.

Mas enfim, dado muito tempo, devido a uma greve dos correios, eis que tomo posse do meu álbum, e já não era por tardar. Muito obviamente, eu já o ouviria pela primeira vez no carro, fazendo a odisseica viagem de volta para Ibiúna.

Como traçar uma diretriz pra esse álbum? Bom, digamos que a grande público pouca coisa emplacou dele… Alguns hits passageiros, algumas músicas-padrão e impressões tais como as seguintes apresentadas.

Setlist

  1. Turn Up the Sun: com alguma grandiosidade, mas peca com a falta de versatilidade da banda;
  2. Mucky Fingers: uma daquelas músicas-de-ciranda, mas com uma qualidade vocal contestável. Seria possível esperar algo melhor da banda, como uma percussão menos violenta;
  3. Lyla: … mas deslizes iniciais são compensados por essa suntuosidade característica do Oasis – e não é por ser uma tentativa de hit – com direito a muito riff bem pontuado;
  4. Love Like a Bomb: alguma coisa desencontrada na linha do Standing… Mas com um quê de curioso pelos teclados;
  5. The Importance of Being Idle: numa pegada hard blues, uma boa historieta, e uma possibilidade de hit não emplacado;
  6. The Meaning of Soul: uma ligeira música-de-ciranda, para proporcionar uma distensão, mas não muito efetiva;
  7. Guess God Thinks I’m Abel: enfim (!) as acústicas (que me perseguem), instrumentos de percussão mais rudimentares, noises finais, e um Oasis vocal comparável aos seus primórdios;
  8. Part of the Queue: uma canção expurga-males, da qual há muito tempo não ouço, embora não tão intensa e cheia de feelin’ tal como outras que outrora ouvi;
  9. Keep the Dream Alive: até aqui, a mais densa das canções… Mas considerando que os hits radiofônicos se esgotaram, esta se sustenta com propriedade no conjunto da obra, grandiosamente, como um bom Oasis merece;
  10. A Bell Will Ring: e é impressão minha, ou as coisas mais surpreendentes foram reservadas pros finais do álbum? Ok. Temos que concordar que não há nada de novo aqui, mas importa é que o Oasis ousado nas guitarras e no conjunto harmônico no Rock Alternativo vigora enfim de uma tal forma que cria expectativas pro grand finale
  11. Faixa de destaque Let There Be Love: … plenamente cumprido por uma canção que bebe das fontes de All Around the World e Champagne Supernova. Digno!

Crível e Confiável?

Não seria um álbum agradável de dar loops intermináveis num mesmo dia… No entanto, há momentos de acerto, sobretudo no final, que não permitem que o álbum se torne um fiasco-pedra-no-sapato.

EstrelaEstrelaEstrela e 1/2


O Shuffle é meu amigo:

Ouvindo... Oasis: Lyla

E com este álbum, terminamos as resenhas de álbuns de estúdio do Oasis – pelo menos enquanto a banda estiver desfeita, – restaram algumas poucas músicas avulsas pertencentes a coletâneas, e lados-B de singles não catalogados após The Masterplan.

Andamento dos Projetos

Ficaram por faltar muitas coisas relativas aos meses de Outubro, Novembro (este em especial) e a primeira semana de Dezembro, que por motivos de atividades mais prioritárias, não puderam ser elucidados aqui.

No entanto, os aspectos de memórias andam vivos em mente para concluir os escritos do quarto semestre da USPianeia, da qual me valho de parte do tempo livre para redigir.

Pretendo superar os 1000 versos relativos ao semestre que passou. Acabei de ultrapassar o 800º verso da temporada, com muito material ainda pra empreender reminiscências… Em especial uma ótica que nada mais possui que cunho pessoal a respeito dos tensos acontecimentos que perduraram nos entornos de Novembro, noticiados em mídia, mas cujo conhecimento do grande público não foi favorecido devidamente.

Tão logo termine de redigir o devido semestre, estarei publicando-o neste blog, bem como atualizando a versão disponível no Scribd dele.


A elegia dedicada também será oportunamente redigida em momento propício, estimando-se que isso seja feito durante a Semana Santa.


Ouvindo... New Order: Crystal

Confissões [7]

Por favor, minha amiga; reconsidere meu pedido: sofro incessantemente no recôndito do meu aconchego a hostilidade do desentendimento e da Discórdia, filha da Noite funesta. Quem me deveria ser exemplo não faz mais que decepcionar, diante de tanta briga e confusão, diante de tanto ego ferido querendo se sobrepor e diante de tanta fútil necessidade de se impor diante de outrem.

Nada há que resolva isso, nada! Seja um conciliador jurídico, ou psicanalista ou uma religião, até porque sei que talvez cada um deles pode ter tido a sua possibilidade de resolver o problema que presencio. E nenhum deles foi eficaz.

Detesto, querida amiga, esta máscara social que erigem pra dizer: “tá tudo bem, somos pessoas felizes”. Não! Não são pessoas felizes: são pessoas contentes, o que é sutilmente diferente. Pessoas ricas, com direito a comprarem tudo o que quiserem, inclusive forjarem amizades, são pessoas contentes; pessoas que constroem mundos ideais onde fogem da realidade quando bem lhe aprazem são pessoas contentes. Contentamento, querida amiga, é uma droga anestesiante, pro momento, fútil e descartável… Eu quero felicidade: contigo, pra mim, de quem me é exemplo; verídica, autêntica e duradoura.


Ouvindo... Hüsker Dü: Powerline

Derradeiras Epifanias (As Primeiras de Muitas)

Fim dos tempos,
a xícara de café anuncia a derrocada,
as putas lotando a esquina,
incorrigível concorrência,
a desmagnetização planetária,
o caos econômico,
o terremoto some-areia,
o olho-por-olho imperando,
a intolerância reinando,
o swing rolando,
ninguém é mais de ninguém…

A noite clarifica mais que o dia,
a xícara de cafeína fortificada,
o LSD vendido a esmo pelas avenidas,
moças de azuis olhos cantando árias,
funestas odes do apocalipse,
as poetisas em declínio,
os poetas em desespero,
o pobre em decomposição,
e o rico em corrupção.

A cegueira de espírito – essa a pior,
que possui a alma em vista d’outrem,  
torna frio, impossível relação;
mais uma xícara de esteroides,
o repórter a coletes à prova de bala,
o canhão de laser apontado para a Caxemira,
e a assepsia sobre as baratas.

Não se canta sobre o Amor,
sobre o Louvor, sobre a Angústia:
todo sentimento foi extinto,
só existe satisfação,
superficial orgulho,
profunda inveja,
muita, muita ira,
e doses de xícaras de dopaminas.

Máquinas em rebelião,
greve automatizada, o escravismo orgânico,
“É a evolução, baby!!!”
Tua recompensa, meu filho, pra tua cega obediência,
será o paraíso, mas para isso,
derrame o sangue impuro da face da Terra,
pois que enquanto a matéria não for queimada,
o espírito jamais poderá atravessar a porta da Esperança,
através de doses cavalares de xícaras de veneno.

A vida de Andrômeda,
que enfim veio nos conhecer,
na noite profunda da rotunda Gaia ferida em seu âmago,
decepcionou-se com nossas atitudes,
e num gesto de compaixão, decidiu,
por fim a este agonizante óbito terrestre,
tomar um barril de resíduo de plutônio,
exterminando as sobras fétidas desse Sistema Solar,
engoliu o Sol, feneceu Europa, Io e Caronte…
Implodiu Júpiter e o Cinturão de Marte,
e no conglomerado de Virgem,
o braço de vida semi-inteligente
conhecida como planeta Terra,
foi extinto dos arquivos universais.

Não sobrou nem planos espirituais pra contar a história,
os visitantes de Andrômeda, aturdidos, entraram em combustão,
e ninguém soube da poesia outrora escrita,
que previra o fim dos tempos
em que se podia, sem nenhuma culpa,
tomar um copo d’água,
para se sentir bem.


Ouvindo... Jethro Tull: A Passion Play (I)

Confissões [6]

Enfim, minha amiga, sinto sua falta… A negação da existência primordial, descendente da Noite Caótica, me cerca de uma tal maneira tão perturbadora, que jamais antes fez. Ela tomou, persuasiva, todos aqueles que à minha íntima volta convivem, prenunciando o fim dos tempos. Eu sei que sou forte, mas não sou uma muralha indestrutível. Se assim fosse, não sofreria, mas tampouco não amaria… A vida não teria sentido não-racional… Aquele sentido de satisfação que só algo etéreo, espiritual, nos forneceria. O “obrigado” de alguém… O “de nada” de retorno…

Por favor, amiga, não suma… A descendência funesta Noite Caótica quer de toda forma arrebatar você para um beco-sem-saída, te desencorajar a seguir em frente… Quer desencorajar todos à nossa volta! Quer anunciar o fim-dos-tempos que não existem como uma hecatombe material! Não permita que ela tire o sorriso de teu rosto, não permita que ela me faça deixar de sorrir pra você.

Não permita que ela me faça esquecer que, apesar de toda angústia que eu vivo, eu amo dialogar contigo, e na incerteza de mim, possa achar a certeza de que quero ainda ver o desabrochar da flor que tem um perfume, igual ao do teu carinhoso colo, amiga. Não permita que ela silencie estas palavras por uma cinzenta intenção, seja pelo derramamento de sangue alheio, seja pelo sentimento de vingança do ofendido que se acha no direito de revidar pela mesma moeda com que foi ferido.

Mostre-me o caminho da comunhão despretensiosa, amiga, pois que, apesar de ter dado a todos a sua vez, eu também desejo a minha; não por ser egoísta, mas é que a espera e dura, solitária… E amiga da descendência funesta da Noite Caótica.


Ouvindo... Faith No More: Everything’s Ruined