Radar Musical: Cinquenta e Sete

Oasis

Dig Out Your Soul

[Sony BMG / Big Brother, estúdio]


Há álbuns que me fazem lembrar bons momentos. Os que descrevi logo nos primórdios dessa seção do Radar Musical são, com certeza, os mais antológicos. Não sei se, a despeito da postagem anterior, me tornei um consumidor voraz de material fonográfico e deixei escapar a magia de ouvir um novo álbum. Apesar de ser contrário a parcela monstruosa da receita que um empresário toma do artista em si, há álbuns cuja produção artística merecem ser comprados, com todo o louvor. Esse do Oasis funcionou bem assim: era um daqueles extremamente cotados por todo o nonsense que um certo clipe saído de suas gravações proporciona [ah! gente… Eu amo psicodelia!].

No entanto, esse álbum é um paradoxo. Me faz lembrar de um péssimo momento em minha vida, em uma fase na qual certos modos de agir e certas filosofias práticas, não se mostravam tão práticas assim, tornando-se perturbadoras. Há certas coisas que, parando pra pensar tempos antes, descobri – uma descoberta pessoal, isenta da necessidade de ser verdadeira ou não – que muito mais vale ser sincero consigo próprio do que ostentar máscaras que não lhe condizem. As pessoas próximas sabem o que é isso…

Digressões à parte, embora essa seja uma prática não muito boa. Teve o bom momento de, em conjunto com outro álbum – esse de presente para um tio meu – poder adquirir (embora não no melhor preço, me descubro depois) e aliviar um pouco a tensão que um momento particular, relacionado a essa mudança de pensamento, antes tive, acima descrito.

Como sabem, foi devido a um clipe que adquiri esse CD… E não foi em nada uma perda. Esse álbum do Oasis é extremamente ousado, capaz de subverter a ordem das coisas da banda. Nada do ie-ie-ié a la Beatles… Nada dos excessivos acordes de violão (embora eles sempre são muito bons). É um enveredamento muito intenso da parte da banda neste derradeiro álbum. Uma pena que a geniosidade culminante aqui tenha se dissolvido. Uma pena… Que obras viriam a seguir?? Por ora, ficamos com a impressão desta aqui.

Setlist

  1. Faixa de destaque Bag It Up: no primeiro momento você ouve e se pergunta: “meu! Isso é Oasis por acaso?”, mas num certo momento você percebe que é… Guitarras fortes, baixo troncudo e uma bateria de moer. Isso sim foi uma repaginação, digna de destaque.
  2. The Turning: … e a sequência se dá com algo mais baladista, com atmosfera de teclados, uma retomada dos velhos tempos… Mas com uma maturidade incrível.
  3. Waiting For The Rapture: não fosse o tom, a gente pensa no começo em Five to One, de The Doors… Outra guitarra bem elaborada, ritmado ao extremo. Uma marcha suntuosa.
  4. The Shock of the Lightning: o carro-chefe e objeto de desejo – quem ouve pensa no hard rock, quem vê o clipe pensa nos desvarios dos anos 60. Capaz de ocasionar arrepios profundos em estado de imersão musical. A guitarra no limiar do noise, o baixo bem encaixado, e a velha voz de sempre. E um dos melhores bridges escutados até a época!
  5. I’m Outta Time: e depois de uma experiência sinestésica, encontramos – mais uma vez, meu suplício musical – uma canção bela, com atmosfera acústica, mas na verdade bem elétrica – os teclados que te digam.
  6. (Get Off Your) High Horse Lady: a pegada blues corta a atmosfera melosa da anterior, com percussão a mil, e vocais dignos de nota.
  7. Falling Down: aqui sim, podemos tratar livremente de ares de psicodelismo musical. Fragmentos operísticos, ambientação de ecos, riffs epifânicos…
  8. To Be Where There’s Life: … e a psicodelia prossegue em instrumentação oriental (citarística?) e uma canção cujo vocal lembra muito bem os primórdios da banda.
  9. Ain’t Got Nothin’: a retomada da pegada mais hard, nesta que é uma das mais breves do álbum. Possivelmente, diante de tanta ousadia apresentada antes, essa tenha sido ofuscada ou mal disposta na formação do álbum. Mesmo assim, a experiência elétrica, os quase-berros valem a pena.
  10. The Nature of Reality: indescritível… Nada do que tenhamos ouvido antes. Um aspecto sombrio, quase dark, permeia a música…
  11. Soldier On: não muito elaborada diante de outras musicalmente… O interessante aqui é o eco permanente e alguma instrumentação não-ortodoxa, mas digamos que encerrar o último álbum solo com cinco minutos muito redondos causa uma sensação de que algo melhor podia ter sido feito.

Epifania Musical Digna de Fechamento de Carreira?

Isso não posso dizer com garantia… O álbum investe muito no começo, mas perde um pouco o fôlego no fim. Se bem que a ousadia foi intensa, e um possível ressurgimento da banda vai, com certeza, exigir algo mais inovador que isso.

EstrelaEstrelaEstrelaEstrela e 1/2


Esclarecimentos para quem chega agora nesta seção: Radar Musical é uma seção dedicada aos álbuns físicos e/ou adquiridos online que foram pagos os direitos autorais – e, mais principalmente, a lucratividade do selo, o que não concordamos a respeito. – Não serão postados links direcionados a download nem foram nos álbuns anteriores. Fica a critério e consciência do usuário decidir de qual forma possuirá acesso aos álbuns aqui apresentados. Essa seção não é também uma análise profissional sobre o álbum, tampouco se vale de um critério estritamente musical, senão o de um leigo, um simples usuário/ consumidor/ ouvinte de música, feito você. As faixas de destaque indicadas não necessariamente indicam algum sucesso comercial, mas tão-somente uma escolha do autor por haver algo de essencial na faixa em questão.

No fim de cada álbum, da avaliação, também subjetiva, uma música executada aleatoriamente após o fim do álbum, é postada, para efeito de se conhecer mais sobre o álbum em sites provedores de música.


Ouvindo... Oasis: To Be Where There’s Life

Com esse álbum, começa a maratona Oasis, primeira banda da qual completei minha discografia de estúdio.

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