Radar Musical: Cinquenta e Oito

Oasis

(What’s the Story) Morning Glory?

[Sony BMG / Epic / Helter Skelter, estúdio]


Como dito anteriormente, me empenhei nos tempos seguintes em completar a discografia de estúdio da banda. O maior impulsionador desse fato foi justamente o álbum presente: bagatela apesar do caráter antológico que ele possui.

Este álbum certamente lembra-me uma época apaixonante, das poucas em que vivi em minha rasa vida. Meu curso se mostrava apaixonante, minha condição de recente veterano também, conhecer uma faceta literária da qual adotei em minha vida, idas constantes à terrinha osasquense. Vivia um entremeio entre a paixão edificante da cultura e o frenético consumismo superficial – em livros e CDs, depois de muito tempo.

Muito diferente de uma época em que o ato de adquirir CDs representava apenas um ato automático, o fato de relacionar a banda ao gosto de muitas das minhas amigas mais íntimas em universidade, pessoas nas quais ponho total confiança para ser quem sou – diferentemente de determinados ambientes que frequentei antes – sem máscaras, permitiu-me relacionar cada uma das canções ali postas, como significativas nos momentos que aí se prezam – o meu antológico batismo diurno numa Virada Cultural rolou regado a uma epifania gallagheriana.

Se é apenas porque este álbum é antológico? Não, acredito que não. Espero resgatar momentos nesta audição cautelosa que vão além do diz-que-diz-que.

Setlist

  1. Hello: o falso opening de Wonderwall para os desavisados – boa sacada para ouvintes de rádio? Os fervorosos fãs de moda? O ie-ie-ié dos anos 90? Tudo isso e um pouco mais.
  2. Roll With It: típico Oasis, feito pra animar festas. Mesmo assim, empolgante.
  3. Wonderwall: enfim, uma das antológicas e indescritíveis dos anos noventa – lembra-me muito mais que o ano de 2011. Lembra minha infância quando sequer sabia o que era o Rock…
  4. Don’t Look Back in Anger: o piano dividindo lugar com guitarra, baixo e bateria, dando seu ar da graça, na canção mais melancólica do álbum. De chorar (se eu pudesse)!
  5. Hey Now!: Riffs e baterias moendo, nesta que eu classificaria como Rock-de-ciranda. Parando e recomeçando vezes e vezes.
  6. O instrumental inonimado ligeiro e breve dá uma mostra que Oasis sabe fazer algum Hard Rock, à época.
  7. Some Might Say: intensa. Outra à moda cirandeira. Algo que o Oasis sabia investir muito bem sem se tornar piegas. Isso, sim, se chama Britpop.
  8. Cast No Shadow: só não é mais acústico por falta de ousadia. Doses certas de violão, que permitem que esta toada conquiste seu espaço dentro do álbum – e que eu não supere a estigma da canção acústica na minha discoteca. – Também foi uma das muitas que embalou a temporada fria de retornos ao meu cantinho de sono no interior, ao céu escuro [sinestesias à vista];
  9. She’s Electric: anacronicamente falando, esta é uma das que refletem trabalhos posteriores. Um Oasis que não deixa a peteca cair, mas que não investe muito em ousar. Tempos de recessão musical futuros… Talvez a única derrocada num álbum tão perfeito.
  10. Faixa de destaque Morning Glory: um prenúncio de ideias para o álbum de estúdio seguinte? Um ensaio para o Hard Rock? Um noise britpop, suntuosidade magnânima? Muitíssimo mais que isso – uma cirandeira espivetada regada a riffs potentes e distorções incríveis como nunca ouvi antes. A sinestesia dos pulsos visuais nas voltas noturnas, os fogos de artifício imaginativos estrada afora…
  11. O segundo instrumental breve, ligeiro e inonimável, na verdade é uma relação do primeiro, com cachoeira que introduz a chave de ouro…
  12. Champagne Supernova: … a grande suntuosidade e outro carro-chefe, maravilhoso, mini-suíte que reúne todas as características do álbum inteiro. Um nó condutor de todo o álbum. Se gravado antes, se depois, não importa… Estrategicamente, foi uma das melhores escolhas pra se encerrar um álbum que já ouvi até então.

Honra o nome do álbum?

Praticamente honra. Mas há algum momento que parece surgir um desgaste na disposição musical feita. Mas a antológica última faixa com característica de orquestra capacita e muito o álbum para ser um dos melhores que existem – e que eu já ouvi. Nada que decaia o conceito.

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Ouvindo... Oasis: Don’t Look Back In Anger

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Inquisição Rosária

Quando o Luís, rei da França
deixou-se cair pela inquisição
a Ciência tornou-se em medo
e seus produtos em combustão

Qual perda irreparável em ânsia
feito à humanidade em desvario
queimadas todas suas obras
materna aura decepciona ao vazio

Atraso intenso se fez na progressão
e ressentimentos que se comprazem
na vingança contemporânea nítida
dos abastados peregrinos em viagem

E a Inquisição Rosária, de intenções boas
fez o Inferno ficar cheio de ideias
da deposição das mentes ameias
que vingativas contrariam caras-coroas.


Ouvindo... James Taylor: Whenever You’re Ready

Radar Musical: Cinquenta e Sete

Oasis

Dig Out Your Soul

[Sony BMG / Big Brother, estúdio]


Há álbuns que me fazem lembrar bons momentos. Os que descrevi logo nos primórdios dessa seção do Radar Musical são, com certeza, os mais antológicos. Não sei se, a despeito da postagem anterior, me tornei um consumidor voraz de material fonográfico e deixei escapar a magia de ouvir um novo álbum. Apesar de ser contrário a parcela monstruosa da receita que um empresário toma do artista em si, há álbuns cuja produção artística merecem ser comprados, com todo o louvor. Esse do Oasis funcionou bem assim: era um daqueles extremamente cotados por todo o nonsense que um certo clipe saído de suas gravações proporciona [ah! gente… Eu amo psicodelia!].

No entanto, esse álbum é um paradoxo. Me faz lembrar de um péssimo momento em minha vida, em uma fase na qual certos modos de agir e certas filosofias práticas, não se mostravam tão práticas assim, tornando-se perturbadoras. Há certas coisas que, parando pra pensar tempos antes, descobri – uma descoberta pessoal, isenta da necessidade de ser verdadeira ou não – que muito mais vale ser sincero consigo próprio do que ostentar máscaras que não lhe condizem. As pessoas próximas sabem o que é isso…

Digressões à parte, embora essa seja uma prática não muito boa. Teve o bom momento de, em conjunto com outro álbum – esse de presente para um tio meu – poder adquirir (embora não no melhor preço, me descubro depois) e aliviar um pouco a tensão que um momento particular, relacionado a essa mudança de pensamento, antes tive, acima descrito.

Como sabem, foi devido a um clipe que adquiri esse CD… E não foi em nada uma perda. Esse álbum do Oasis é extremamente ousado, capaz de subverter a ordem das coisas da banda. Nada do ie-ie-ié a la Beatles… Nada dos excessivos acordes de violão (embora eles sempre são muito bons). É um enveredamento muito intenso da parte da banda neste derradeiro álbum. Uma pena que a geniosidade culminante aqui tenha se dissolvido. Uma pena… Que obras viriam a seguir?? Por ora, ficamos com a impressão desta aqui.

Setlist

  1. Faixa de destaque Bag It Up: no primeiro momento você ouve e se pergunta: “meu! Isso é Oasis por acaso?”, mas num certo momento você percebe que é… Guitarras fortes, baixo troncudo e uma bateria de moer. Isso sim foi uma repaginação, digna de destaque.
  2. The Turning: … e a sequência se dá com algo mais baladista, com atmosfera de teclados, uma retomada dos velhos tempos… Mas com uma maturidade incrível.
  3. Waiting For The Rapture: não fosse o tom, a gente pensa no começo em Five to One, de The Doors… Outra guitarra bem elaborada, ritmado ao extremo. Uma marcha suntuosa.
  4. The Shock of the Lightning: o carro-chefe e objeto de desejo – quem ouve pensa no hard rock, quem vê o clipe pensa nos desvarios dos anos 60. Capaz de ocasionar arrepios profundos em estado de imersão musical. A guitarra no limiar do noise, o baixo bem encaixado, e a velha voz de sempre. E um dos melhores bridges escutados até a época!
  5. I’m Outta Time: e depois de uma experiência sinestésica, encontramos – mais uma vez, meu suplício musical – uma canção bela, com atmosfera acústica, mas na verdade bem elétrica – os teclados que te digam.
  6. (Get Off Your) High Horse Lady: a pegada blues corta a atmosfera melosa da anterior, com percussão a mil, e vocais dignos de nota.
  7. Falling Down: aqui sim, podemos tratar livremente de ares de psicodelismo musical. Fragmentos operísticos, ambientação de ecos, riffs epifânicos…
  8. To Be Where There’s Life: … e a psicodelia prossegue em instrumentação oriental (citarística?) e uma canção cujo vocal lembra muito bem os primórdios da banda.
  9. Ain’t Got Nothin’: a retomada da pegada mais hard, nesta que é uma das mais breves do álbum. Possivelmente, diante de tanta ousadia apresentada antes, essa tenha sido ofuscada ou mal disposta na formação do álbum. Mesmo assim, a experiência elétrica, os quase-berros valem a pena.
  10. The Nature of Reality: indescritível… Nada do que tenhamos ouvido antes. Um aspecto sombrio, quase dark, permeia a música…
  11. Soldier On: não muito elaborada diante de outras musicalmente… O interessante aqui é o eco permanente e alguma instrumentação não-ortodoxa, mas digamos que encerrar o último álbum solo com cinco minutos muito redondos causa uma sensação de que algo melhor podia ter sido feito.

Epifania Musical Digna de Fechamento de Carreira?

Isso não posso dizer com garantia… O álbum investe muito no começo, mas perde um pouco o fôlego no fim. Se bem que a ousadia foi intensa, e um possível ressurgimento da banda vai, com certeza, exigir algo mais inovador que isso.

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Esclarecimentos para quem chega agora nesta seção: Radar Musical é uma seção dedicada aos álbuns físicos e/ou adquiridos online que foram pagos os direitos autorais – e, mais principalmente, a lucratividade do selo, o que não concordamos a respeito. – Não serão postados links direcionados a download nem foram nos álbuns anteriores. Fica a critério e consciência do usuário decidir de qual forma possuirá acesso aos álbuns aqui apresentados. Essa seção não é também uma análise profissional sobre o álbum, tampouco se vale de um critério estritamente musical, senão o de um leigo, um simples usuário/ consumidor/ ouvinte de música, feito você. As faixas de destaque indicadas não necessariamente indicam algum sucesso comercial, mas tão-somente uma escolha do autor por haver algo de essencial na faixa em questão.

No fim de cada álbum, da avaliação, também subjetiva, uma música executada aleatoriamente após o fim do álbum, é postada, para efeito de se conhecer mais sobre o álbum em sites provedores de música.


Ouvindo... Oasis: To Be Where There’s Life

Com esse álbum, começa a maratona Oasis, primeira banda da qual completei minha discografia de estúdio.

AntiSOPA e AntiPIPA: A primeira tá pelando, a segunda vai queimando

É muito mais que vetar a possibilidade de encontrar aquele álbum daquela banda que não foi tão influente nos anos 70 no seu país de origem, que você aprendeu a gostar por curiosidade, e quis baixar a discografia.

É muito mais que impedir que você tenha o acesso a um filme noir russo, por não estar disponível em quaisquer serviços de locadora online, ou nunca mais passar num Cine Belas-Artes porque salas de cinema desse naipe já não existem mais aqui pelas bandas do Sul.

É muito mais que proibir o conhecer de uma obra de Dostoievski em russo, de uma Pauline Rèage em francês, ou um conto menos conhecido do Pepetela que não fora publicado antes, porque nossas livrarias e sebos estão atulhadas cada vez mais por literaturas instrumentais.

É muito mais que interromper teu acesso à internet por vincular uma imagem da autoria de outrem, que se encaixa muito bem na postagem de teu blogue, mesmo citando a fonte e endereçando para o original.

É, esse sim, o verdadeiro escravismo social, em impedir que o sujeito desprovido de renda tenha acesso a um mundo de informação e conhecimento do qual há vinte ou trinta anos atrás ele não poderia ter pelo simples fato de não poder pagar por isso. Pura e simplesmente. Um conhecimento que possa permiti-lo ser sujeito de sua própria vida, ver a vida além dos estupros não-reconhecidos ou conhecer narrativas mais interessantes que a volta de uma certa pessoa do Canadá.

Somente a informação e novas ideias, inéditas e sincronizadas com as necessidades globais, fazem a verdadeira revolução global. Não falo aqui da apologia ao comunismo, da derrubada da tecnocracia, ou da deposição contínua e incessante de líderes, por serem líderes ou por merecerem punição social, pouco importa isso. Falo do desenvolvimento pessoal enquanto indivíduo que pode decidir entre a unicidade amnésica da reclamação da situação do seu país, ou pela possibilidade de, dentro da sua área de afinidade, desenvolver ações práticas valiosas para benefício social dos que o cercam.

Sei, muito bem, como escritor-produtor de conteúdo, as mazelas que a classe artística sofre nesse mundo e, sim, ela precisa ser remunerada por esse trabalho. Mas receber uma parcela irrisória da receita das vendas de sua produção intelectual, frente a grandes empresários que abocanham boa fatia dessa receita para enriquecer tão-somente seus cofres???

Não há algo errado por aqui? O que vale mais? O conteúdo lírico perfeito da obra maravilhosa de Marisa Monte em Infinito Particular, ou o selo minúsculo da gravadora estampado na contracapa do álbum?

Teme-se essa nova massa de internautas que estão conhecendo outras culturas por meio da internet, compartilhando, vendo e produzindo conteúdos, originais ou derivativos, seja capaz de instituir uma nova ordem social, em que o simples sujeito é capaz de montar seu nicho de seguidores, discípulos, ou apenas leitores, capazes de dizer: não! Não queremos mais ouvir as mesmas coisas o tempo todo, e não! Não queremos pagar para ouvir algo mais, mas que não é muito diferente daquilo que vocês dão de brinde pra ouvir.

Talvez seja mais necessário para o empresário detentor do selinho na capa do CD de Marisa Monte pensar em patentear o pensamento humano e cobrar por isso. É um ambiente mais rentável. Você pode colocar sensores em cada cabecinha e medir o quanto cada pessoa pensa e faturar com isso, cobrando do bolso dela mesma.

É uma boa… Comigo, inclusive, você vai ter uma imensa fortuna. Eu vou virar escravo dos pagamentos que devo fazer para cobrir as despesas. Quem sabe eu tenha uma epifania cognitiva, deseje parar de pensar e vire ovelhinha do cinzento mundo da mesmice.

Porque uma coisa é certa:

  • Eu posso não ser comunista;
  • Eu posso talvez não ser engajado socialmente;
  • Eu posso provavelmente não ter coragem de subverter o sistema legislativo como forma de protesto;
  • Muito passe longe de ser capaz de convencer outras pessoas a ser uma das coisas listadas acima;

Mas uma coisa você não me tira: o direito de escolher o que desejo ter em minha vida e de escolher o preço que eu queira pagar por isso.


Se quiser que eu pague o que é de direito, dê-me as contas dos compositores, intérpretes, autores, diretores e descendentes, que eu resolvo as pendências direto com eles. Sem intermediários.

Ouvindo... Elvis Costello and The Attractions: Man Out of Time

Hodologia

(Como se fosse possível fazer isso…)

A infância,
essa modesta temperança,
cheia dos intuitos pessoais,
salvaguardas maternais
e a rejeição ao leite

O mel e as borbulhas de amor,
o sacrifício soando com muito frescor,
Antenas e pensamentos alfas,
pregadores formas claras,
os carrinhos se alinhando em massa

Traços, sempre fugidios,
cores fortes, aberrantes, disformes,
expressões dum sujeito arredio
solitário em seu universo

O ocaso dos tempos de escola,
traumas de autoridade, receio intenso
que muito tarde encaro e venço,
sem antes passar por barreiras em verso

Conheci o mundo dos artefatos helênicos,
através dos artefatos futurísticos,
munido de apriorísticos,
fiz meu pequeno diferencial:
esforço mínimo pra mim

As conheci, ah sim, essas há muito,
quem me dera fosse mais direto,
dileto, sagaz e menos vergonhoso
que este físico em alvoroço
se fez concumbinar?

Enfim, com jogos lúdicos extensos,
sentimentos à deriva intensos,
coisas que pouco posso sintetizar nesses poucos versos,
fazem dessa hodologia complexa pancrônica,
apenas um breve resumo incompleto…

O resto se faz através da vivência.


Ouvindo... Deep Purple: Slow Train

Violência Mútua

Por anos não foi do meu feitio postar aqui um artigo que não envolvesse o mundo das artes, mas fatos recentes me inquietam e não permitem que meu silêncio também se aquiete com o que vou lhes apresentar sobre o que pretendo chamar de violência mútua.


Em primeiro lugar, quero chamar a atenção para uma charge, cuidadosamente produzida sobre minha autoria, especialmente para esse artigo.

A um bom entendedor, uma charge bem desenhada basta. Mas para evitar qualquer deturpação do sentido original do que quis expressar, quero conduzi-los à interpretação pessoal do que propus aqui. Vemos duas figuras em embate violento num ringue de luta, que aqui estão brigando por algum motivo e estão sendo contempladas por câmeras e flashes de máquina. Vamos trabalhar alguns dos detalhes, de uma maneira que não se possa desviar de fatos nem endossarmos estereótipos. Se você se interessou sobre tal assunto, convido-o a aventurar-se pelas próximas linhas…

Continuar lendo

Cerebélico

O que nos adianta,
ter essa massa cinzenta em mãos,
e deixar desgarrar outras posses mais valiosas?

Antes de conhecer a própria alma pela alma,
reconhecer o outro corpo com teu corpo,
quis conhecer os meios de separar alma e corpo?

Com as mãos sob a ordem da massa cinzenta,
o sujeito manufaturou a bomba-H,
as ogivas nucleares,
e datas sem sentido, como prospecto de coleção

Com a massa cinzenta conduzindo ordinariamente as mãos,
líderes em pungência convictos de si memoraram feitos:
lançaram a suástica em arremesso à estrela-de-Davi,
degolaram através da foice e do martelo as ilusões de um mundo utópico,
divinizaram homens de frio pulso, cujo nome é impronunciável
se não antecedido e pós-cedido de um heroico epíteto

Massas cinzentas buscam coibir outras massas cinzentas,
pregando a aporia do fim dos tempos da medicina,
onde qualquer desvio comportamental não seja apenas
o desvirtuamento da alma, mas sim
o defeito corporal biogênico, passível de ser combatido
através das doses cavalares de princípios medicamentosos

E as mãos, bem, essas entre si,
jamais se encontram, devido à angústia
que fundamentalmente a massa cinzenta
pôs em teu caminho pelas várias camadas
da cinzenta face artificial do mundo moderno…

Que sequer permite mais o peso da poesia
e da rima colorida do espírito jugulado por afasia.


Ouvindo... Grateful Dead: Smokestack Lightning