Confissão (2)

Mas, enfim, eu vi tudo o que você queria. Vi na janela da alma o que você queria, não porque você mostrou pra mim, mas porque eu extraí de você. Sim! Eu extraí isso de você, abrindo carta branca do que eu sentia por você. Agora você sabe, amiga, que eu não sabia de você em mim, e eu queria saber de mim em você. Você disse que “não” pra mim… Tudo bem, isso admito. Mas também não diz “sim” para o outro. E isso me perturba. Sinto um ambiente suspenso. Entre vocês há um penhasco, bem profundo, vertiginoso. Só que tem uma ponte ligando os dois desfiladeiros. Mas que droga! Vocês sequer estão com coragem de atravessa-la. Que é isso? Medo de que a ponte esteja quebradiça? Ah, faça-me o favor… Foi-se o tempo em que cada um de nós tinha o colo seguro e protetor de mãe para nos proteger. Tá na hora de vocês – e eu também – correr o risco de atravessar a ponte.

Mas, pra falar a verdade, já corri esse risco tantas vezes com tantas pessoas dos dois lados do desfiladeiro. Eu garanto: atravessa-lo não é nenhum prejuízo. Apenas vejam onde os passos desgastaram a madeira: ali é seguro pisar.

Mas faz favor, você, amiga, e ele: não me façam mais de garoto de recados e caixinha de segredos. Não sou padre, tampouco cupido ou túmulo pra guardar segredo. Logo, logo, desanimo do meu ideal de vida e vou ser mais um desses pobres coitados autômatos da sociedade, cobrando por terapias de casais que sequer deram as mãos na vida real.

É isso! Decida o que você quer de sua vida, amiga. Porque eu já decidi seguir o meu trajeto, e ele não inclui mais passagem em sua vila…


Ouvindo... Rush: Force Ten

Confissão

Tua suavidade é meu veneno, amiga. Tua suavidade, teu alheamento não-intencional, tua ternura, tudo isso me confunde, me inebria e encarece de me deixar em dúvida sobre mim mesmo. Será que te quero? Será que te quero bem? Será que te quero aqui, agora, do meu lado, ouvindo o que ouço e compartilhando de um mundo que você acha intransponível? Não sei… Há um caminho tortuoso entre nós, você o reconhece e o repudia. Mas, ao mesmo tempo que você o repudia, não o previne. Bastava uma palavra mágica na sexta-feira, sábado eu estava aí do seu lado, tentando entender como funciona esse fluxo de pensamento tão inconstante teu. Inconstante como uma pena que corre o teu papel florido e enfeitado… Caderno de jovem adolescente, que sabe o quanto a vida é cruel e, mesmo assim, ainda sonha com teu cavaleiro de armadura que te resgate dos sultões perniciosos e lhe dê aquele beijo tão esperado, não mais no final da história, mas no começo de uma nova.

Fala dele, dele… Mas tudo parece tão para mim, as pistas todas conspiram para mim… Não sei, deve ser minha imaginação e meu vazio afetivo dizendo que sim, são… Se ao menos você me convidasse pr’um café, pra confessar olho-a-olho, sem precisar dizer que “ele” é o outro, ou – o que melhor esperaria – o “ele” fosse eu. Eu sei que se olhasse teus olhos, você com certeza confessaria tudo, mesmo que não desejasse confessar. O olho, já dizem, é a janela da alma, e não fosse essa distância, e esse bloqueio comunicacional entre nós – apenas essa mera troca de cartas – saberia o que você queria de mim, e eu saberia o que eu realmente queria de você… E você saberia disso, sem devaneios.

Mas agora estou achando que está sendo muito tarde… Você, minha amiga, está cansando de esperar resposta e esse “ele” pode acabar se tornando uma terceira pessoa: nem o outro, nem – para meu desespero – eu.


Ouvindo... Jethro Tull: Teacher

Devaneios

A alguém em especial… Abraço pela esquerda

A procura das imagens que sempre expressassem o poder das palavras fomentou meu espírito nos últimos tempos. Espero que a imagem não supere o poder do verbo. Espero que o poder do verbo não supere o afeto.

E espero que meu contrário, meu oposto complementar, esteja diante da escrivaninha, opondo todos os meus diálogos, consagrando todos os meus interditos, e fazendo desta dialética que é a vida uma aventura digna de ser contada para a posteridade.

E espero que ela esteja munida de uma singela felicidade, assim como eu, dos eventos ordinários e corriqueiros da vida, que se apresentam no desabrochar duma flor ou no subir no pé de amora.


Ouvindo... Coldplay: Violet Hill

Segunda Quinzena de Setembro

Não há tantas novidades que eu lembre para o período em questão. Talvez fique mais latente lembrar de coisas das quais não foram citadas noutras semanas:

  • O concerto no auditório do campus Anotação;
  • Os sonhos inonimáveis (bonitinhos, mas estranhos – e assustadores, segundo envolvidos neles) Smiley surpreso;
  • O teorema da banana, da Erika, Mnemosine encarnada Smiley nerd;
  • O Piauí tem uma namorada (Piauí é um senhorzinho insano que sempre circula de queixume nas sociais)… Smiley surpresoSmiley surpresoSmiley surpreso Fala sério: isso é bizarro Smiley confuso.
  • A difusão das LIBRAS pela Elô, sorrisos em evidência, dentro do nosso grupo de colegas Cumprimento de amigo;
  • Os trabalhos em avanço na IC minha – a passos vagarosos, sim, confesso, mas há um curso normal a conduzir também Escola;
  • O chá chinês de presente dado pela charmosa professora de literatura portuguesa Xícara de café;
  • Vi o Antonio Candido a pouquíssimos metros de mim… Só vi. Conversar ou ouvir, fica pr’outros quinhentos… Smiley triste

Acho que isso basta como excepcional para os relatos. A propósito, para os que acompanham aqui. A composição referente a esse período atual, vou realizar de uma só assentada – é a pretensão – no final do período, já em férias, com a finalidade de concatenar ideias.


Ouvindo... Love: Revelation [Mono Mix]