Momento Poesia: Transcendência

Rotina diária, inclarividente
o ocaso de um alucinógeno
transformando a realidade:

O que antes era cinza, hoje contente
lançado ao prognóstico
da irresoluta inverdade

Se dissipa em lances vertiginosos
malabarismos metaplasmáticos
sequências de zero sendo divididas continuamente
e astronômicos domínios compondo sinfonias cognitivas

Visões da décima primeira dimensão
táteis, avatares e segunda pele mesclam-se
nesta ulterior realidade, compondo fragmentos
computacionais virtualizando seu plano unívoco…

Unívoco e sem-escolha,
sem-vergonha, sem-caráter, sem-conteúdo
muros de convenções sendo derrubados incessantemente
duas, três, quatro, cinco vezes, sem serem reconstruídos

Construtos, tufões, argamassa, espátula e canhões
o que se ergueu uma hora cede
e depois de finda essa quermesse
dos bons costumes alheios inexpressivos
o viajante-caixeiro, experimentado na arte do ácido e da infusão
conversa com seu segundo-eu, terceira consciência e quarto espírito
egos incessantes sobrepostos nesta investida terrestre
da existência da Era de Aquarius,
que por mais que seja aceita
não deseja se manifestar…

As folhas de ouro do eucalipto substituíram a marola do cenário mainstream
pelo fumo químico dos paletós industriais, impávidos pela negação da experiência…
A grande experiência provida pelo turbilhão da antiguidade,
inonimável…
por se cessar
o efeito,
da
trans-
cen-
dência…

(Ora…! Já acabou?)


Ouvindo... Pink Floyd: Money

Publicado por Potingatu

Estudante de Língua Portuguesa e Linguística pela FFLCH - USP (2010-5), entusiasta e experimentador do máximo de artes que for possível.

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