Momento Poesia: Oceanphoenix

Há momentos em nossa vida, que precisamos transcender as barreiras espaço-temporais


Refaz, na tua ausência permanente,
a presença-deusa em ti congressa,
queira, possessa a tua espada lancinante
versa e anversa na alma impressa,
produz em mim calor gritante
nesta tua producente arma sincera.

Oceano de mares doces,
Ares de jasmim frutífera em cores,
peço humildemente, presente à vida
fazem de mim aedo desta existência devida.

Apresenta-se a vivida desditosa e pérfida conduta,
não mais labuta seu desarranjo matinal,
pássaro de fogo, devaneio em mente,
propõe intente conflagra vórtice mal,
diz de sua prudente façanha, barganha, montanha,
manifesto de Hefesto, de presente forja em punhal…

Não se lança mais neste conflame harpejo,
conduta labuta enxuta jogada ao extremo,
proporciona em si a desditosa sina que maquina,
inerte imberbe e possessa,
ai de mim, outrora oimoi, aedo em funesta perdição?

Conduz seu valor na benquista vanglória…
a inglória profusão de sentimentos,
qual intento se fez em parte deste protesto,
contesto, insisto, refaço, posso, congraço e choro
pranto…
pranteio,
prontidão,
recomeço minha jornada
com um cálice de vinho roxo na mão…

Já não há mais de mim ali,
ali-mente em discreto refúgio,
o peixe oceânico, dono do subterfúgio,
qual remoinho se proclama ausente,
presente, contente, descrente – tente!

Provenha de ti o teu destino precário,
neofilosofobia, e apague esse recado!

Um dois três quatro,
o tempo agora é de encargo,
dois mil denários, este é teu rendimento,
provimento, sofrimento, intento, contento, rompimento,
quantos entos vou ter que suportar?
Valha-me o meu cartão de crédito e o débito automático,
estático,
fantástico,
ingrato,
sujeitoso,
fanático e majestoso,
Posto em desgosto, ponho a ti a sua conta…
Desponta no horizonte o grande olho de Hórus,
orando por você,
vigiando sua honra;
despede-se o livre cidadão,
na mortalha do viaduto, sobre imersa atenção,
a tutela estatal, de bastião em mãos,
promove o homem-lixo-humano,
um ano, dois meses e dez dias, berreiros nas vias,
bicho-homem em profusão nos celeiros industriais,
consumido pelos fogos fátuos primordiais…

Agora só o silêncio diz,
teclas e cliques diante de teu nariz,
fazem você retornar à uterina condição-matriz…
Produto humano de sua criação,
o homem se escraviza temendo sua libertação.

… A libertação real, não a forjada,
de escorraçar a merda da cadeira,
e meter pés e mãos na leva da estrada,
em busca dos originais equilíbrios naturais,
do pássaro-fogo ressurgido das cinzas,
e do peixe perene oceânico que em condução vagais.


Ouvindo... Yes: Saving My Heart

Publicado por Potingatu

Estudante de Língua Portuguesa e Linguística pela FFLCH - USP (2010-5), entusiasta e experimentador do máximo de artes que for possível.

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