Uma Carta Solta no Correio

Email Leia apenas se você tiver estômago forte. Os correios decidiram levar esta carta para uma benzedeira, tamanho o descaso e o negativismo que havia nela.

Seria isso uma carta de amor?


São Paulo, 22 de Abril de 2011

Olá, querida…

Já é a décima correspondência que te mando, e acredito que será sem resposta…

Sei que você sequer vai passar desta página. Você não tem tempo…

Tenho certeza que antes você olha para todos, menos para mim.

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Momento Poesia: Transcendência

Rotina diária, inclarividente
o ocaso de um alucinógeno
transformando a realidade:

O que antes era cinza, hoje contente
lançado ao prognóstico
da irresoluta inverdade

Se dissipa em lances vertiginosos
malabarismos metaplasmáticos
sequências de zero sendo divididas continuamente
e astronômicos domínios compondo sinfonias cognitivas

Visões da décima primeira dimensão
táteis, avatares e segunda pele mesclam-se
nesta ulterior realidade, compondo fragmentos
computacionais virtualizando seu plano unívoco…

Unívoco e sem-escolha,
sem-vergonha, sem-caráter, sem-conteúdo
muros de convenções sendo derrubados incessantemente
duas, três, quatro, cinco vezes, sem serem reconstruídos

Construtos, tufões, argamassa, espátula e canhões
o que se ergueu uma hora cede
e depois de finda essa quermesse
dos bons costumes alheios inexpressivos
o viajante-caixeiro, experimentado na arte do ácido e da infusão
conversa com seu segundo-eu, terceira consciência e quarto espírito
egos incessantes sobrepostos nesta investida terrestre
da existência da Era de Aquarius,
que por mais que seja aceita
não deseja se manifestar…

As folhas de ouro do eucalipto substituíram a marola do cenário mainstream
pelo fumo químico dos paletós industriais, impávidos pela negação da experiência…
A grande experiência provida pelo turbilhão da antiguidade,
inonimável…
por se cessar
o efeito,
da
trans-
cen-
dência…

(Ora…! Já acabou?)


Ouvindo... Pink Floyd: Money

Memórias de Setembro

No começo de Setembro, tivemos a semana do saco cheio, e a princípio, poderíamos ficar de pernas pro ar, mas…

Eis algumas memórias do quarto semestre:

  1. Segunda da Semana da Pátria: a cara-de-pau em comunicar-me com pessoa desconhecida em ônibus (fato externo) e os estudos de corpo presente com a Erika Smiley mostrando a língua;
  2. Sexta da Semana da Pátria: a reunião com o trio JQT (Joice, Quim e Tamiris): os acessos de riso da Tamiris Gargalhando, a palhinha do Joaquim e as digladiações com a Joice; o retorno animado com amigas de teatro para Ibiúna (fato externo) Smiley sexy;
  3. Semana pós-pátria: retornos. A intimidade de amizade com Olívia (precisa ser citado ainda o momento de fim do semestre passado em que comecei a entrar em contato com ela) e Julia Smiley sarcástico;
  4. A teoria do Espírito do Busão da Erika Smiley bravo e as divagações sobre as frutas Prato;
  5. A admissão de minha personalidade um tanto (?!) quanto esnobe [finalmente] Anjo;
  6. Os fatos que podem ser contáveis aqui relativos a papos-cabeça feitos durante a semana Smiley contando um segredo;
  7. O presentinho que pode ser concedido por uma professora, made in China Smiley nerdSmiley de boca aberta;

Por ora, isto é o que vem à lembrança…


Ouvindo... Bo Bice: Coming Back Home

Essas Mãos…

Num mundo onde as palavras recitadas perderam seu valor, olhou-se um pouco mais abaixo. Em silêncio, se percebeu que havia uma parte do teu corpo amarrada, amordaçada pelos ruídos escabrosos e estúpidos da escória (des)humanista, patriarcal, e agressiva. A desumanidade tomou posse da voz cantada, e o que sobrou foi uma triste e fúnebre elegia, que encontrou eco nas metralhadoras que ecoaram, desde os túmidos campos da Varsóvia aos precários recônditos da Somália. A voz? Coitada dela… Viciada em se manifestar, perdeu seu crédito. O contrato verbal se rompeu. A austeridade física-acústica se dissipou. O mundo quis calar-se, diante de tanta ingerência, malevolência e descrença no que se diz.

E então surgiu um par de mãos. Cândidas. Digo cândidas não no sentido de alvura da pele: podem ser até morenas – pouco me importa os seus tons de pele – mas sim cândidas, limpas das mazelas lúgubres. O que importa nesse momento é que elas se arquitetaram: de forma a assumir a regência dessa orquestra mal-afinada; de parar o motorista de trânsito frustrado que tinha a vontade de atropelar o frágil senhor de idade avançada; de conter as ditas bocas-sujas, que escarnecem clamando simultaneamente por Deus, o Diabo e mil outras entidades divinas que sequer fizeram do verbo audível pelos homens sua língua-mãe; de cessar, em punho de uma bandeira de pano branco, o conflito Israel-Palestina que há muito fazem simples civis sofrer; abaixam as alavancas e cerram as portas da indústria armamentista; acariciam o depressivo e afagam o mal-amado que só queria ser simplesmente correspondido neste mundo…

Os pares de mãos passaram a silenciar o mundo das vozes e imprimiram na linguagem a terceira e quarta dimensão, que ficou esquecida pelo verbo-audível. Elas tomaram conta dos nossos corações e declararam um cessar-fogo das setas malditas que um grito, um berro e um escárnio se propuseram a ensaiar sua aparição egocêntrica e estúpida…

Ah, esses pares de mãos… Eles querem tomar vez, e mesmo o verbo-visual precisa dar espaço a ele. Meus dedos silenciam, para dar espaço ao par de mãos…


Ouvindo... Jethro Tull: With You There To Help Me

Momento Poesia: Oceanphoenix

Há momentos em nossa vida, que precisamos transcender as barreiras espaço-temporais


Refaz, na tua ausência permanente,
a presença-deusa em ti congressa,
queira, possessa a tua espada lancinante
versa e anversa na alma impressa,
produz em mim calor gritante
nesta tua producente arma sincera.

Oceano de mares doces,
Ares de jasmim frutífera em cores,
peço humildemente, presente à vida
fazem de mim aedo desta existência devida.

Apresenta-se a vivida desditosa e pérfida conduta,
não mais labuta seu desarranjo matinal,
pássaro de fogo, devaneio em mente,
propõe intente conflagra vórtice mal,
diz de sua prudente façanha, barganha, montanha,
manifesto de Hefesto, de presente forja em punhal…

Não se lança mais neste conflame harpejo,
conduta labuta enxuta jogada ao extremo,
proporciona em si a desditosa sina que maquina,
inerte imberbe e possessa,
ai de mim, outrora oimoi, aedo em funesta perdição?

Conduz seu valor na benquista vanglória…
a inglória profusão de sentimentos,
qual intento se fez em parte deste protesto,
contesto, insisto, refaço, posso, congraço e choro
pranto…
pranteio,
prontidão,
recomeço minha jornada
com um cálice de vinho roxo na mão…

Já não há mais de mim ali,
ali-mente em discreto refúgio,
o peixe oceânico, dono do subterfúgio,
qual remoinho se proclama ausente,
presente, contente, descrente – tente!

Provenha de ti o teu destino precário,
neofilosofobia, e apague esse recado!

Um dois três quatro,
o tempo agora é de encargo,
dois mil denários, este é teu rendimento,
provimento, sofrimento, intento, contento, rompimento,
quantos entos vou ter que suportar?
Valha-me o meu cartão de crédito e o débito automático,
estático,
fantástico,
ingrato,
sujeitoso,
fanático e majestoso,
Posto em desgosto, ponho a ti a sua conta…
Desponta no horizonte o grande olho de Hórus,
orando por você,
vigiando sua honra;
despede-se o livre cidadão,
na mortalha do viaduto, sobre imersa atenção,
a tutela estatal, de bastião em mãos,
promove o homem-lixo-humano,
um ano, dois meses e dez dias, berreiros nas vias,
bicho-homem em profusão nos celeiros industriais,
consumido pelos fogos fátuos primordiais…

Agora só o silêncio diz,
teclas e cliques diante de teu nariz,
fazem você retornar à uterina condição-matriz…
Produto humano de sua criação,
o homem se escraviza temendo sua libertação.

… A libertação real, não a forjada,
de escorraçar a merda da cadeira,
e meter pés e mãos na leva da estrada,
em busca dos originais equilíbrios naturais,
do pássaro-fogo ressurgido das cinzas,
e do peixe perene oceânico que em condução vagais.


Ouvindo... Yes: Saving My Heart