Momento Poesia

Tipicamente Paulista

Fumaça,
concreto,
vapores fétidos:
Vou me ao campo!

Deixo os arranha-céus do imediatismo
e projeto meu ser a si próprio,
nesta terapia do silêncio pastoril
da charrete na principal via.

Ah! A árvore de juazeiro, arbusto de madressilva,
os pés de amoras que nós e macaquinhos subimos
para catar os seus frutinhos arroxeados…
E, durante a tarde, um copo de leite saído direto do úbere de vaca.

Poesia bucólica,
que nesse mundão da Natureza,
acha seus mais expoentes figurões
nas imagens mais simples.

Na cadência da valsa,
não vejo o tempo passar…
Meio dia, um dia, dois…
E para o concreto, uma hora vamos retornar.

– Está frio. Quero ficar perto do meu fogão de lenha.


Ouvindo... Janis Joplin: Summertime

Publicado por Potingatu

Estudante de Língua Portuguesa e Linguística pela FFLCH - USP (2010-5), entusiasta e experimentador do máximo de artes que for possível.

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