Radar Musical: Cinquenta e Cinco

Tim Maia

Tim Maia (1973)

[Polydor, estúdio; republicado pela Abril Coleções]


Nas minhas incursões pela música nacional, este do Tim (segundo do intérprete e quarto entre os brasileiros) tem um swing todo especial. A princípio, era para seguir rigorosamente a cronologia do cantor, mas havia perdido a semana do segundo álbum. Tive que me contentar em quebrar a sequência.

Decerto, há um quê de especial nesses álbuns, apesar de não existir uma profundidade semântica tão evidente – culpa da famigerada ditadura, onde os que preferiram firmar terreno no Brasil deviam contentar-se em fazer canções irrealmente positivas – tem todo um molejo, um desbunde e todo um arcabouço de lifestyle que as raízes do soul americano conduziram, em particular no nosso amigo Tim, o eterno síndico. Embora, na realidade, como vocês vão conferir, este álbum tem todo um saudosismo afetivo intrinsecamente utilizado. Vale ouvir…

Esse precede um período um tanto quanto esotérico na vida do Tim: a época da Cultura Racional. Composições sinceras / desvairadas que absurdamente beiram uma razão psicodélica lúcida e estranha. E que nada mais fez com que nosso eterno síndico atravessar um período de moda de adesão da qual se arrependeria depois…

Setlist

  1. Réu Confesso: uma levada swing romântica? Eis aí um exemplo.
  2. Compadre: a boa vizinhança musicada… Para momentos de espairecimento.
  3. Over Again: esperançar-se em inglês pelo inevitável… A melancolia a serviço de um pseudo-upbeat.
  4. Até que Enfim Encontrei Você: um tema pouco recorrente – para os mais sentimentais – que é o amor em realização, processo em decurso.
  5. Faixa de destaque Balanço: um swingjazz-bossa nova sutilmente politizável pelo íntimo particular do interlocutor… “Todo mundo que eu conheço / Chora”
  6. New Love: cantar a tristeza de um amor não realizado, que se realiza no fim de tudo. Na melhor levada R&B que se possa imaginar.
  7. Do Your Thing, Behave Yourself: um notável upbeat… Grandioso, ostensivo… “A solidão está por ir, a felicidade está por ficar: faça suas coisas e contenha-se.”
  8. Gostava Tanto de Você: junte uma serenata com um toque soul. Eis o que acontece: um notável e indescritível sucesso.
  9. Música no Ar: tanto infinitivo distinguindo incompletudes…
  10. A Paz do Meu Mundo é Você: o confessionário amoroso… A guerra eterna de dentro de si é gerada pela incompletude já dita pela antiguidade, afetiva, pela existência de outro que está longe de ti.
  11. Preciso Ser Amado: a ênfase no gogó. Só aqui notamos a capacidade natural no interpréte… Que graves!
  12. Amores: apesar do nome sugerir um tema recorrente, a jam final confere um discreta saída de valência fenomenal. E fim de papo.

Na Alma

Tem altos e baixos evidentes… Normalmente o tema afetivo é explorado às expensas, mas o tempo total impede que nos enfademos do conjunto. Boa dosagem.

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Ouvindo... Tim Maia: Compadre

No próximo radar: Tim Maia, de 1971 (também conhecido como Tim Maia 2)

Publicado por Potingatu

Estudante de Língua Portuguesa e Linguística pela FFLCH - USP (2010-5), entusiasta e experimentador do máximo de artes que for possível.

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