Beatriceida (vv. 76-100)

Quedas, convulsões estridentes, vagando ao vazio
agonizam no peito em difusa cisão descomplacente e estéril
que processam em ilógicos atos, possessos que confio
metafísicos sofreres, imundos e queimantes, projétil
sádico tal qual ardência que persegue em profusão.

Será que as baixas em estima em nosso entorno capazes
desse frágil vínculo acadêmico desfazer?
Não farás de tal vitupério assombros algozes
que mutuamente procedem fortuito arrefecer
neste impresso compêndio sorriso que em ti me admira.

Uma música te descreve? Sim! Declaro
haver muitas que declamam cada dourado momento:
desde as odes ao conjunto estelar, ou raro
pesares que falhas instáveis causam fenecimento,
desse misto sentimento confuso que prescreve.

Não mais aqui faço um sincero apelo sufocado então
que mesmo sem ter ressonância em ti, persevere condição
ansiando, liberta, uma digna e feliz saída alegre
observando mítico olhar, inalterável benesse
casual Fortuna procure em si material de vida.

Eis uma amostra deste dual cingente
canto belo, Musa-Mor, cedido à impassível
Citereia de orbes cristais-salinos reticente
que um termo escuso quis delimitar: face intangível
pan-esbelta que atende ao clamor de Beatriz…


Essa elegia poderia continuar indefinidamente por ser indefinível e insuficiente, mas acredito que ela é o mínimo suficiente para demonstrar meu apreço por esta pessoa em especial. Como disse Chico algum dia…

Sim… Me leva para sempre Beatriz,
me ensine a não andar com os pés no chão,
para sempre é sempre por um triz…
Diz quantos desastres tem na minha mão,
diz se é perigoso a gente ser feliz…

Ouvindo... Eurythimics: Sweet Dreams (Are Made of This)

Publicado por Potingatu

Bacharel e Licenciado em Língua Portuguesa (2010-7), FFLCH / FEUSP. Aspirante-a-mestre-acadêmico não-qualificado em Filología e Estudos do Discurso em L. P. (idem, 2017-8). Pesquisador juramentado diante do MCTI de Marcos Pontes e com préstimos ao 🇧🇷. Sigamos!

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