Beatriceida (vv. 51-75)

Por mais que assim me disponha, não consigo bem conter
a explosão que conflita continuamente em mim,
semblante inabalável, à nada semelha contrário querer
incursões de aura indecifrável cor de carmesim
concorrem à tua vista, face de giz bem-quista.

Tuas madeixas lisas de ônix, perpassantes
deixaram-me impressas um fluído aroma denso e intrigante
em meio a resmas de gravuras, sons e poemas,
mitos vampirescos, grifos, harpias, gôlens e ravenas
que encontram em ti uma narradora complexa em desatino.

Rubor este, incrível, qual atúrdio me assombra em gravidade
decênio nunca presencio de modo maneira,
torpor me assoma em síntese pretérito impulso em verdade
que confuso razão desvanece e executo besteira,
em seguir luz feliz de singular alegria em curso.

Impulso em decurso, vórtice somático, apresentar
indizível percurso, emblema incrustado em dantesca motivação
quintessência inexplorável do profundo mar
ao inatingível céu, eterno teto sem limitação;
estou em devaneio, de Fortuna declarar: comporte-se!

Ando fazendo tremendo estrago: horrível demais
sofrimento que lampejo diante de minha ciência.
Peço a este silêncio tortuoso que reprime tanta clemência
que profetize singela sentença… Não! Jamais
torture com tua ausência este aedo em profuso conclavo.


Em breve, o que suponho ser o término (do começo Smiley virando os olhos) desta elegia em gestação.

Ouvindo... Icehouse: No Promises

Publicado por Potingatu

Estudante de Língua Portuguesa e Linguística pela FFLCH - USP (2010-5), entusiasta e experimentador do máximo de artes que for possível.

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