Beatriceida (vv. 26-50)

Proponho renascer melhor condição, bem amiga
os conluios confessos nossos em tempos juntos amáveis
construindo essa aliança forte como viga
de forma inexpressível, celeste, sobremodo incríveis
excelso convívio que ruínas declarei reversos.

Que vínculo é este, me pergunto, secreta resposta que angustia?
Tal fato fascina, me corrobora, intrigante,
dados teus olhos salinos-cristais que, únicos, incutia
um ardor divino há muito não contristante:
o dia na noite, seu reverso e seduzente morte na vida.

Teu signo, ainda imerso em curiosa névoa
arrebata irresistível esta qualificada vontade
de saber quem tu és, graciosa borboleta que revoa
e pousa em minha janela, permitindo gran’ curiosidade
deste, natureza amante, em fenômeno plausível.

Que canção te traduz, qual obra te indica, pintura representa,
manifesto artístico melhor teu retrato complementa?
Nada sob o sol consegue amainar esse pálido protesto,
nem mesmo as Nove Musas, que ajoelho e reteso
condição servil e escrava, me consome, que me dissolve e abusa.

Eis o retrato da ruína, em códice feita
por uma mulher onde etérea leveza, apenas um detalhe:
bastam alguns minutos de prosa: perfeita
em sobre-humana compreensão que supera o entalhe
corporal da matéria bela que procurou escolher.


Continua…

Ouvindo... Coldplay: Violet Hill

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