Beatriceida (vv. 1–25)

Beatriz, excepcional bela Musa
Citereia dos harmônicos versos
de outrora, franco aprendizado excelso,
essa charmosa língua se disponha:
seja a Roxanne d’algum Cyrano
que, em sua imersa angústia esteticista
possa romper desta barreira, vivo
sem que tal flagelo do tempo absorva.

(USPn, 1748-55)

Espero que esse Cyrano não seja justo eu, após essa elegia de 100 versos que me proponho a fazer, a uma pessoa quintessencialmente especial…


Novamente, Musa-Mor, contigo, façanha
grandiosa e ambivalente digno proponho
a cantar quintessente diva de remoto sonho,
sorriso etéreo, olhos cristal que me assanha,
tal maneira que este belo cantar, insuficiente.

Que Fortuna desditosa ou sorte assim me inflige
saber de tua presença, irremediável, vir asseverar
em tempos idos, preclaro insano estar
absorto em tua singular personalidade que aflige
meu conflito poético que desaba em abalo.

Quem dera, se soubesse desse sofrer, roer maligno
antecedente impor razão contendora
nem sequer vislumbrava estes olhos azuis salinos
que suponho incógnita lógica vil e avassaladora
deixando meu juízo afetivo louco, descompasso coração.

Mas tal desejo, o cruel tempo me impede
desta concessão de afastar-me da pessoa que, logo, feliz
convalesce minha consciência, inefável, pede
que pelo bem mútuo, insista em tua condição de atriz
e despeça esse ignóbil poeta em inútil demência.

Faria este favor em primazia desta amizade?
Sim! Assino por sobre, mas agora, tarde
demais pedir ao meu Ego semelhante benesse saudável:
nesta guerra psíquica eterna, inesgotável,
acordo para o fim deste maldito conflito renego.


Continua…

Ouvindo... Oasis: Hey Now!

Publicado por Potingatu

Bacharel e Licenciado em Língua Portuguesa (2010-7), FFLCH / FEUSP. Aspirante-a-mestre-acadêmico não-qualificado em Filología e Estudos do Discurso em L. P. (idem, 2017-8). Pesquisador juramentado diante do MCTI de Marcos Pontes e com préstimos ao 🇧🇷. Sigamos!

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