Momento Poesia

Espaço

Oi [

para este espaço que diz:

] Olá!

Passa o tempo ]

para um espaço que

[ também acho.

“Silêncio” ]

num espaço que

[ ecoa o silêncio.

(…)    

Não se culpe ]

no espaço que

[ desculpa.

Veja o positivo ]

espaço que

[ não vejo tão fácil assim.

Tempo passa ]

e o espaço que

[ pretende esperar.

     

Seja feliz ]

pelo espaço onde

[ vou tentar.

Amigos? [

o espaço indica que

] assim será.

Até logo [

espaço que um dia quer cessar.

 

Ouvindo... KLF: Justified And Ancient (feat. Tammy Wynette)

Beatriceida (vv. 76-100)

Quedas, convulsões estridentes, vagando ao vazio
agonizam no peito em difusa cisão descomplacente e estéril
que processam em ilógicos atos, possessos que confio
metafísicos sofreres, imundos e queimantes, projétil
sádico tal qual ardência que persegue em profusão.

Será que as baixas em estima em nosso entorno capazes
desse frágil vínculo acadêmico desfazer?
Não farás de tal vitupério assombros algozes
que mutuamente procedem fortuito arrefecer
neste impresso compêndio sorriso que em ti me admira.

Uma música te descreve? Sim! Declaro
haver muitas que declamam cada dourado momento:
desde as odes ao conjunto estelar, ou raro
pesares que falhas instáveis causam fenecimento,
desse misto sentimento confuso que prescreve.

Não mais aqui faço um sincero apelo sufocado então
que mesmo sem ter ressonância em ti, persevere condição
ansiando, liberta, uma digna e feliz saída alegre
observando mítico olhar, inalterável benesse
casual Fortuna procure em si material de vida.

Eis uma amostra deste dual cingente
canto belo, Musa-Mor, cedido à impassível
Citereia de orbes cristais-salinos reticente
que um termo escuso quis delimitar: face intangível
pan-esbelta que atende ao clamor de Beatriz…


Essa elegia poderia continuar indefinidamente por ser indefinível e insuficiente, mas acredito que ela é o mínimo suficiente para demonstrar meu apreço por esta pessoa em especial. Como disse Chico algum dia…

Sim… Me leva para sempre Beatriz,
me ensine a não andar com os pés no chão,
para sempre é sempre por um triz…
Diz quantos desastres tem na minha mão,
diz se é perigoso a gente ser feliz…

Ouvindo... Eurythimics: Sweet Dreams (Are Made of This)

Beatriceida (vv. 51-75)

Por mais que assim me disponha, não consigo bem conter
a explosão que conflita continuamente em mim,
semblante inabalável, à nada semelha contrário querer
incursões de aura indecifrável cor de carmesim
concorrem à tua vista, face de giz bem-quista.

Tuas madeixas lisas de ônix, perpassantes
deixaram-me impressas um fluído aroma denso e intrigante
em meio a resmas de gravuras, sons e poemas,
mitos vampirescos, grifos, harpias, gôlens e ravenas
que encontram em ti uma narradora complexa em desatino.

Rubor este, incrível, qual atúrdio me assombra em gravidade
decênio nunca presencio de modo maneira,
torpor me assoma em síntese pretérito impulso em verdade
que confuso razão desvanece e executo besteira,
em seguir luz feliz de singular alegria em curso.

Impulso em decurso, vórtice somático, apresentar
indizível percurso, emblema incrustado em dantesca motivação
quintessência inexplorável do profundo mar
ao inatingível céu, eterno teto sem limitação;
estou em devaneio, de Fortuna declarar: comporte-se!

Ando fazendo tremendo estrago: horrível demais
sofrimento que lampejo diante de minha ciência.
Peço a este silêncio tortuoso que reprime tanta clemência
que profetize singela sentença… Não! Jamais
torture com tua ausência este aedo em profuso conclavo.


Em breve, o que suponho ser o término (do começo Smiley virando os olhos) desta elegia em gestação.

Ouvindo... Icehouse: No Promises

Beatriceida (vv. 26-50)

Proponho renascer melhor condição, bem amiga
os conluios confessos nossos em tempos juntos amáveis
construindo essa aliança forte como viga
de forma inexpressível, celeste, sobremodo incríveis
excelso convívio que ruínas declarei reversos.

Que vínculo é este, me pergunto, secreta resposta que angustia?
Tal fato fascina, me corrobora, intrigante,
dados teus olhos salinos-cristais que, únicos, incutia
um ardor divino há muito não contristante:
o dia na noite, seu reverso e seduzente morte na vida.

Teu signo, ainda imerso em curiosa névoa
arrebata irresistível esta qualificada vontade
de saber quem tu és, graciosa borboleta que revoa
e pousa em minha janela, permitindo gran’ curiosidade
deste, natureza amante, em fenômeno plausível.

Que canção te traduz, qual obra te indica, pintura representa,
manifesto artístico melhor teu retrato complementa?
Nada sob o sol consegue amainar esse pálido protesto,
nem mesmo as Nove Musas, que ajoelho e reteso
condição servil e escrava, me consome, que me dissolve e abusa.

Eis o retrato da ruína, em códice feita
por uma mulher onde etérea leveza, apenas um detalhe:
bastam alguns minutos de prosa: perfeita
em sobre-humana compreensão que supera o entalhe
corporal da matéria bela que procurou escolher.


Continua…

Ouvindo... Coldplay: Violet Hill

Beatriceida (vv. 1–25)

Beatriz, excepcional bela Musa
Citereia dos harmônicos versos
de outrora, franco aprendizado excelso,
essa charmosa língua se disponha:
seja a Roxanne d’algum Cyrano
que, em sua imersa angústia esteticista
possa romper desta barreira, vivo
sem que tal flagelo do tempo absorva.

(USPn, 1748-55)

Espero que esse Cyrano não seja justo eu, após essa elegia de 100 versos que me proponho a fazer, a uma pessoa quintessencialmente especial…


Novamente, Musa-Mor, contigo, façanha
grandiosa e ambivalente digno proponho
a cantar quintessente diva de remoto sonho,
sorriso etéreo, olhos cristal que me assanha,
tal maneira que este belo cantar, insuficiente.

Que Fortuna desditosa ou sorte assim me inflige
saber de tua presença, irremediável, vir asseverar
em tempos idos, preclaro insano estar
absorto em tua singular personalidade que aflige
meu conflito poético que desaba em abalo.

Quem dera, se soubesse desse sofrer, roer maligno
antecedente impor razão contendora
nem sequer vislumbrava estes olhos azuis salinos
que suponho incógnita lógica vil e avassaladora
deixando meu juízo afetivo louco, descompasso coração.

Mas tal desejo, o cruel tempo me impede
desta concessão de afastar-me da pessoa que, logo, feliz
convalesce minha consciência, inefável, pede
que pelo bem mútuo, insista em tua condição de atriz
e despeça esse ignóbil poeta em inútil demência.

Faria este favor em primazia desta amizade?
Sim! Assino por sobre, mas agora, tarde
demais pedir ao meu Ego semelhante benesse saudável:
nesta guerra psíquica eterna, inesgotável,
acordo para o fim deste maldito conflito renego.


Continua…

Ouvindo... Oasis: Hey Now!

Momento Prosa Poética

Minha Tríade

Não quero ser mais um qualquer,
e por isso quis me diferenciar.
Quis encontrar algo novo pra fazer apoio
algo que eu encontrasse meu sentido.

No começo, escolhi a tecnologia,
divertida, corporativa, interativa
com seu discriminar de sim e não
o é do não-é,
o verdadeiro do falso,
e quando vi essa opção
me engolindo e me vertendo
vi desumanizar o coração.

Depois vi na academia,
no intento das teses e hipóteses
as afirmações e refutações
que davam ordens´à ciência
em premissas de mundo,
mas a regra virou exceção
e tudo que achava verdade
foi-se direto ao fundo.

No desespero, recorri à arte
que se demonstrava Musa sedutora
adúltera, safada e insinuadora,
me corrompendo da sociedade.
Amei coadunar com ela,
senti-me um herói marginal
mas o pulso de vida subsistência
evitando minha morte, abafou
essa liberdade inerte
e afligiu minha mente.

Neste fim, num ato de purificação de pensamentos
antes que me dê cabo da loucura,
que escolha me procura?

Prefiro ficar com esta:
com a tecnologia,
com a arte,
e com a academia.

O resto, jamais me importa,
bato à porta da vida com alegria.


Ouvindo... Matchbox 20: Disease

Momento Poesia

Verdade (Dolorosa)

E de que adianta,
propor um novo contento,
se neste meu intento
feridas obstinadamente construir?

E de que adianta,
nessa angústia em passada,
o tardar duma nova alvorada
seu beijo desejar e nunca possuir?

E de que adianta,
nesse tormento irascível
o afligir-se insensível
pousar nessa bela amizade?

E de que adianta?
Num momento obtuso,
perder-te em meu recluso
confidente, austera beldade?

Sou um péssimo fardo egoísta,
que mal conseguiu distinguir
o furacão da brisa.


Ouvindo... Lone Justice: You Are The Light