Radar Musical: Cinquenta e Quatro

Wilco

(The Album)

(Nonesuch, estúdio)


A aquisição deste álbum reflete um evento em minha vida que sequer imaginaria há poucos anos: idas constantes à Paulista.

Um pouco após meu retorno do litoral, eu me deparei passando em lojas de livraria e CDs e este álbum me chamou a atenção. Não sei se foi amor à primeira olhadela na capa – o camelo da cantina desperta curiosidade – garantiu sua rápida aquisição (isso já faz algum tempo) ou se balanceei por algum tempo adquiri-lo (essa não foi uma das minhas costumeiras pechinchas). Já conhecia, não raro, algumas poucas canções da banda, mas sempre fui afim de conhecer o conceito de um álbum inteiro. De tanto pesar, acabei cedendo: e segui a este meu endereço rotineiro para apreciar o material.

Sei que as primeiras audições do álbum não se deram em estado de vigília. Mas, ao que parece, o inconsciente andou conversando com o consciente e ambos chagaram ao consenso de que o investimento valeu a pena.

Representando um estilo pouco difundido do Country Alternativo – ao menos, como tradicionalmente fazem os críticos – o Wilco foi por muito tempo uma curiosidade indicada por Pedro Só numa reportagem da Superinteressante. E a experiência indescritível – mesmo que ausente de consciência – será transcrita aqui.

Setlist

  1. Wilco (the song): um começo neutro, que a princípio não aparenta muito do estilo. Talvez se ouvirmos com os ouvidos do Rock genérico, encontremos graça.
  2. Deeper Down: agora sim, vemos o que é o macro-gênero Folk, com toda a sua complexidade lírica. Mas os instrumentais diferenciados não ficam atrás.
  3. One Wing: essa me lembra outra que já ouvi deles, apesar da óbvia distinção musical, crescente, e o apelo Country alternativo já está mais evidente.
  4. Bull Black Nova: sinto algum Blues comedido aqui, algo bem experimental – e denso, em se tratando de extensão…
  5. You And I: ah… Sempre os acústicos na minha vida… Note a atmosfera orgânica musical de fundo – vá preparado para aproveitar o lirismo com fones de ouvido estéreos.
  6. You Never Know: no começo, alguém lembrou de T-Rex? Eu lembrei, só no começo…
  7. Country Disappeared: e agora a gente lembra – noiado e de longe – de Robbie Williams… Não à toa, de um lirismo inexplicável, com cordas fenomenais.
  8. Solitaire: suavidade simples, mas sem destoar do restante do conjunto.
  9. Faixa de destaque I’ll Fight: o acústico que mais me impressionou, com o lírico de maior entrega que se apresentou durante todo o álbum  Os órgãos, aquele feelin’ Country permeando os quase quatro minutos e meio provando que o álbum vale a pena.
  10. Sonny Feeling: uma ciranda adulta, musicalmente falando à primeira impressão… Mas se percebe o potencial mesmo é no refrão – algo muito animado. 
  11. Everlasting Everything: os quatro minutos do movimento final refletem exatamente o que são… A despedida de um bom trabalho, em ritmo de balada.

Surpreendente

Um trabalho maravilhoso. Mas raro emplaca alguma música de sucesso.

EstrelaEstrelaEstrelaEstrela e 1/2



Ouvindo... Wilco: Sonny Feeling

Aproveitando o ensejo, posto aqui o link para meu Fiasco. Este é o episódio 11!

Película http://static.livestream.com/grid/LSPlayer.swf?hash=47sh3

No Videocast da temporada, um reflexo da controversa opinião sobre como foi a FestECA, bem como foram outros assuntos afins. Vejo vocês em breve!

Publicado por Potingatu

Estudante de Língua Portuguesa e Linguística pela FFLCH - USP (2010-5), entusiasta e experimentador do máximo de artes que for possível.

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