Algo Pessoal

Uma simples digressão sobre os últimos tempos

Uma análise pessoal sobre a ótica de uma realidade com gosto e odor peculiares.


“Depois da tempestade, vem a bonança”, diz o velho jargão popular. E sem pieguices. Isso realmente funciona.

Estive em presença duma pessoa muito especial para mim ontem, no caminho à Paulista. Ônibus é sempre um local bem peculiar para eu desenvolver uma conversa com alguém. Compartilhei com essa pessoa algo que anda acontecendo nos últimos tempos comigo.

Esse fato tem um pouco de coisas tensas e outras prazerosas. Abstenho-me nas tensas… Mas foi por meio delas que num determinado momento um único conjunto de atitudes positivas, num dado domingo, não muito remoto, me permitiu olhar a realidade que me cerca com outros olhos.

… e a acreditar que houve uma resposta igualmente positiva daqueles que comigo mais convivem.

Decerto, houve épocas em minha vida que, quando experimentava um momento de frenesi social e comportamental, vinha algo aterrador e minava tamanha felicidade – uma espécie de episódio bipolar, provocado exteriormente – em tese, a bonança que se seguia à tempestade, novamente se tornava uma tormenta.

Houveram certos episódios isolados que determinaram um estado de atenção, quase que paranoico, após uma grande benesse.

Não está sendo assim nos últimos dias. Nunca experimentei antes uma sensação tão boa e ao mesmo tempo tão pé no chão de olhar o mundo munido de algum tempero indescritível… Não falo de magia – isso seria justamente construir um simulacro irreal, coisa que pretendo evitar, dadas experiências anteriores – ou coisa do tipo: é algo que se pode experimentar muito bem, sem sair da rotina padrão sem enfado; algo que não interfere no ordinário de todo dia.

Óbvio… Não achei a cura para meus tormentos particulares dessa forma, e talvez até persistam. Podem até permanecer inerentes a mim indefinidamente. Mas de uma coisa me garanto: algo como o que fiz, no citado domingo, foi de uma satisfação pessoal tão grande – mesmo que tenha me desviado do intento original que fazia para aquele dia – que acredito ter dado um passo a mais para meu amadurecimento, não mais como pessoa, mas sim como cidadão.

O fato em razão, prefiro manter particular. Seria muita presunção fazer uso dele como promoção pessoal… Só diria que é algo que muita gente não teria o costume de se dispor em fazer da maneira que eu fiz. Uma maneira que demonstrasse uma real preocupação com aquele problema diante de você.

O que me deixa intrigado após tal dia, foi que muitos dos meus colegas – ao menos no meu ponto de vista – alguns dos quais possuía um contato muito pontuado, aproximaram-se mais de minha vida, como se fôssemos colegas de infância. Não falo aqui que eram pessoas ausentes. Nunca diria isso! Simplesmente, acho que emanei uma nova postura, mais tolerável com certas coisas, e o feedback daqueles que comigo tem contato simplesmente correspondeu positivamente a isso.

Não só isso, mas há outros detalhes que estão me proporcionando alguma experiência de vivência. Embora, a muito custo, esteja resistindo a fazer adesão a moda das chamadas “literaturas vampirescas”, ando lendo com certa permissão crítica ao livro Crepúsculo. Tudo bem: não seria o tipo de leitura que eu costumaria fazer (vide Resenhas e Livros), mas há algo cientificamente proveitoso nele: frases feitas, o conceito mítico social responsável pelo seu sucesso e, principalmente, o autoconhecimento positivo diante de uma imagem dissonante – a de uma jovem introspectiva e reclusa em sua própria realidade.

Fato é que tudo isso que vivo atualmente está se refletindo de uma maneira terrenamente positiva no meu convívio diário: não canso de me repetir. E o fato de compartilhar desses anseios e impressões, já citados aqui e não tão bem esclarecidos, com alguém mostra que não é algo que foi desígnio individual, mas que qualquer um pode obter em sua vida.

Portanto, diante de qualquer dificuldade – a despeito de minha literária crônica do artigo anterior que aparenta mais ser uma descarga emocional instantânea e um ato purificador de consciência – mais do que se apoiar em resmas de páginas de auto-ajuda e soluções paulatinas, observe tudo o que há em tua volta: certeza de encontrar alguém que vislumbre um horizonte mais nebuloso que o seu. E então, tome uma atitude ativa (sem alimentar um pleonasmo) e volte-se para outrem, nem que seja necessário ausentar-se trinta ou quarenta minutos de sua rotina pessoal em favor desta pessoa. Perceberá a diferença dessa ação em sua vida.

E que venham muitas bonanças para você após suas tempestades pessoais.


Ouvindo... Live: Pain Lies on the Riverside

Adendo: não deixe de conferir meus últimos videocasts:

Película http://static.livestream.com/grid/LSPlayer.swf?hash=41h9a

Fiasco 9: com cabelo novo.e todo “pimpão”

Película http://static.livestream.com/grid/LSPlayer.swf?hash=45g22

Fiasco 10: uma introdução ao assunto apresentado hoje acima.

Publicado por Potingatu

Bacharel e Licenciado em Língua Portuguesa (2010-7), FFLCH / FEUSP. Aspirante-a-mestre-acadêmico não-qualificado em Filología e Estudos do Discurso em L. P. (idem, 2017-8). Pesquisador juramentado diante do MCTI de Marcos Pontes e com préstimos ao 🇧🇷. Sigamos!

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