Balanço em Artigos (inclui Radar Musical: Cinquenta e Dois)

Smiley sexyTrabalho Como acredito que este será o último artigo deste ano de 2010 no BS, vou fazer um apanhado geral através de três postagens simultâneas (benditas sejam as multicategorias que surgiram no WordPress): o primeiro título refere-se a um poema para fechar com chave de ouro; o segundo, uma prosa-crônica-filosófica-ou-sei-lá-o-que fazendo uma retrospectiva do ano que passou; o terceiro, uma resenha dum álbum de MPB injustiçado nas minhas listagens.

Espero que vocês curtam este longuíssimo artigo. À vista, fica o poema; os outros títulos ficam no ‘leia’ mais’

 


Phoenix

Quem pensou, caro vigilante
Aedo de suas circunstâncias
do décimo após dois milênios
do Verbo-Deus presença em constância,
seu calejar de trabalho constante
para compor sua rotina em convênios?

Ave das cinzas, relutou incessante
conquista após conquista consagrada
colheu seus frutos, não mais grandiosos
agora aos céus novamente flutuante
consagra as origens em polvorosa,
revista o sacro espírito congraçada.

Fogo Etéreo do labor virtuoso,
combina bem com seu semblante
faz o momento de prospecção:
não mais hajam vícios desejosos
e queira este fulgor em constrição
não mais expandir, desajustante.

Por fim, aqueles que vislumbram tal imagem
sigam sem pesar estes caminhos de coragem.

 


Ouvindo... The Cure: The Caterpillar

O ano em que a ave tornou a voar

 


Enfim, acredito que, se não o dos melhores anos que vivi, este certamente foi o mais produtivo de todos.

Consolidei esforços demandados desde às atividades lúdicas que me colocaram no eixo do convívio social de 2007 e 2008, passando por uma experiência profissional bem-sucedida de base, por conquistas diversas que acumulei durante 2009, uma delas muito importante, que andou denominando o perfil deste ano: voltado aos estudos, ao convívio social intenso; os cartões-postais não-aproveitados em tempos de Grande São Paulo e outros desconhecidos e o encontro pessoal no campo de pesquisa.

Obviamente, se deixamos espaço a tudo isso – e um largo espaço – outras coisas ficam no desajuste. A espiritualidade foi uma delas. Mas descobri que caminhava a esforço alheio na espiritualidade – uma na qual não cresci desde a tenra infância – e que, rapidamente, a abracei sem sequer apresentar sincera vontade de segui-la. Dizem que o bom filho à casa torna. Em se tratando de espiritualidade, o meu retorno às origens do batismo, contudo, há-de se dar de maneira extremamente lenta, calcada apenas e unicamente no sincero desejo de comungar com ela. Não quero, mais uma vez, ficar transitando em terrenos desconhecidos e com tradição rasa. Prefiro aquilo a que muito conheço a aquilo a que muito possa fantasiar…

Priorizado o espiritual, vamos ao material… Distância: essa foi uma palavra muitas vezes repetida em caminhos longos circulados entre a Preta Terra e a Pauliceia Desvairada, e combina muito bem com ela. Solução para tal empecilho está longe de ser praticada. Espero, ansiosamente, algum ferramental que me permita causar esse deslocamento “permanente” para a capital. Não é só os prosseguimentos dos estudos que aqui estão em questão, mas também uma necessária atividade remunerada e, sobrando tempo e encaixando o que há de ser encaixado, renascer os projetos teatrais engavetados.

Expectativas? Sim, há muitas: em espaço de semestre, vi meus convívios se modificarem bastante. Terei dois feixes de convívios a partir de agora: o primeiro, fixo, da Linguística, será o meu consolidador de determinadas amizades cultivadas em tempos de ano básico. O segundo, ainda amorfo, em Português, é uma incógnita. Há pessoas do qual foi bênção conviver e essa ausência é um martírio. Com uma em especial, surgiu um convite de um projeto de poesia para festival com uma proposta inovadora (segredo Alegre), mas espero que tenhamos, pelo menos, este semestre de convívio mútuo n’algum lugar, sob pena deste projeto não ser conduzido com satisfação.

Vislumbrei para os anos vindouros a entrada no meio acadêmico, e é certo que tenho que definir o que fazer de Iniciação Científica, primeiro, decisivo caminho de oportunidades e facilitação para o prosseguimento no Superior. As dicas foram fornecidas por pessoas que demonstram forte apreço em resposta à competência que arduamente desejei mostrar neste ano de faculdade. Falta apenas corresponder.

Leituras, acadêmicas ou não, não faltaram… Que não faltem neste e noutros anos também.

E ainda quero um amor para amar… Pô gente, eu sou um ser humano, não uma máquina.

Bons votos para todos, seja como seja que cada um daqueles que aqui estão lendo considere de bom modo esta expressão certas vezes piegas!

 


Ouvindo... Oingo Boingo: Stay

 


Chico Buarque

Chico Buarque de Hollanda

[RGE (republicado pela Abril Coleções), estúdio]

 


Provavelmente eu tenha feito uma injustiça em não comentar este álbum, que em verdade adquiri antes do X&Y do Coldplay. Mas, noutro ponto, não há melhor maneira de terminar por registrar um ano com um álbum que não seja através de um nacional. Representando às idas à Av. Paulista – comprei este por lá – e as influências fortes dos colegas de faculdade no tocante à MPB, o début do Chico é significante em um ano que volto meus olhos novamente para este estilo tão rico musicalmente.

Com um álbum raso em extensão, porém boêmio em primazia, consegue-se captar a essência do samba urbano, como que se um sentimento de que se devia ter mais de cinquenta anos para vislumbrar essa época.

Nada melhor do que terminar um ano resenhando, emotivamente, algo de um grande mestre. Alguém que viveu uma vida relativamente libertina, mas sobretudo carregada do lirismo de um protótipo de um aprendiz de malandro bacana.

Setlist

  1. A Banda: precisa dizer? Problema é que colocar logo o hit de primeira podia criar expectativas pelo resto do álbum. Veremos o que fazer adiante…
  2. Tem Mais Samba: batucada à africana, a já dita boemia à europeia. A valoração do viver num apelo mortificado.
  3. A Rita: o cantar da perda é sempre assunto de um frequentador dum barzinho.
  4. Faixa de destaque Ela e Sua Janela: os metais e um saudosismo irresistível dignos de um fim de noite. Perfeito para a saideira e para fechar um bar.
  5. Madalena Foi Pro Mar: o ícone da tipologia feminina como um costumeiro arcabouço composicional.
  6. Pedro Pedreiro: cotidiano de um proletariado. Imerso em seus pensamentos… Reflexão sobre a realidade e notadamente o cunho de protesto intrínseco na canção.
  7. Amanhã Ninguém Sabe: aqui, eis os requisitos para um sambista no fim do amor.
  8. Você Não Ouviu: a não-correspondência cantada ironicamente num tom melindroso.
  9. Juca: outro protesto… A Cultura da ordem procura sobrepujar a Natureza cultural das relações pessoais.
  10. Olê Olá: há um crescente emotivo que tenta inibir o tédio. Os metais representam muito bem a presença desse traço em contraposição ao tom choroso das flautas.
  11. Meu Refrão: o alter-ego de um sambista é o seu melhor amigo: o seu violão.
  12. Sonho de Um Carnaval: se os sambistas hibernassem, eles escolheriam a quaresma como data para tal intento. Perfeito desfecho, principalmente pelo backing vocal.

Dá pra ficar à toa?

É rápido, não cria saturação. Bom para encerrar a noite com os amigos mais próximos [por favor, não me convide para o chope].

EstrelaEstrelaEstrelaEstrela e 1/2

 


Technorati Marcas: ,

Ouvindo... Chico Buarque: A Rita

Bom fluidos para todos! Nos vemos aqui em 2011!

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