Elopeia (vv. 1-16)

Reconto, grandiosa Musa, recôndito intento em razão
reencontro adverso que planos maiores almejo
amiga ausente a rápido tempo, que presente emoção
saudade amarga grandiosa falta antevejo:
não quero, singela amiga distante do seu sorriso belo
avançando os confins adversos impeços estranhos
espíritos ignóbeis mortos, recôndito revelo em sonhos
feros quiméros matizes purpúreos cabelos…
Ah! Madeixas corridas enfim que não desvanecem!
qual portento desfaz úmido e chuvoso
existe nunca este contudo fêmeo, sempre aparece
falar melífluo, contento em tormento glorioso.

Qual seu nome? Que pergunta em dado sentido ilógico
significar beleza etérea igual
um discreto dígito, cômputo em continuum apreço cólico
iluminada, com alma signa real.


EmailElopeia será um projeto paralelo de férias que consistirá numa elegia neoromânica de cem versos ou enquanto durar a criatividade (o que vier primeiro).

Dedico tal projeto a uma pessoinha em especial. Smiley piscando Espero que ela se sinta homenageada.


Ouvindo... The Sonics: Hitch Hike

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Balanço em Artigos (inclui Radar Musical: Cinquenta e Dois)

Smiley sexyTrabalho Como acredito que este será o último artigo deste ano de 2010 no BS, vou fazer um apanhado geral através de três postagens simultâneas (benditas sejam as multicategorias que surgiram no WordPress): o primeiro título refere-se a um poema para fechar com chave de ouro; o segundo, uma prosa-crônica-filosófica-ou-sei-lá-o-que fazendo uma retrospectiva do ano que passou; o terceiro, uma resenha dum álbum de MPB injustiçado nas minhas listagens.

Espero que vocês curtam este longuíssimo artigo. À vista, fica o poema; os outros títulos ficam no ‘leia’ mais’

 


Phoenix

Quem pensou, caro vigilante
Aedo de suas circunstâncias
do décimo após dois milênios
do Verbo-Deus presença em constância,
seu calejar de trabalho constante
para compor sua rotina em convênios?

Ave das cinzas, relutou incessante
conquista após conquista consagrada
colheu seus frutos, não mais grandiosos
agora aos céus novamente flutuante
consagra as origens em polvorosa,
revista o sacro espírito congraçada.

Fogo Etéreo do labor virtuoso,
combina bem com seu semblante
faz o momento de prospecção:
não mais hajam vícios desejosos
e queira este fulgor em constrição
não mais expandir, desajustante.

Por fim, aqueles que vislumbram tal imagem
sigam sem pesar estes caminhos de coragem.

 


Ouvindo... The Cure: The Caterpillar

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Radar Musical: Cinquenta e Um

Coldplay

X&Y

[Capitol, Parlophone, estúdio]


Representando com classe e dignidade o fim deste primeiro, decisivo, simbólico e necessário primeiro ano de Letras na USP, a aquisição deste álbum – sob condições de verdadeira pechincha, na mais profunda cara-de-pau que o CDC nos ampara, logo, não configurando como algo punitivo – representa uma conquista triunfante de colecionador de CDs [podemos considerar 51 álbuns como uma coleção já]. Necessitando encontrar um álbum que fosse up, elaborado, este veio a calhar com preço de mostruário que não lhe pertencia, e que a toque de caixa foi ficando assim… Economia de quinze pilas!

X&Y remete a tempos de 2005, divisor de águas em minha vida. Tem uma música neste álbum que na primeira audição, naquela data já tão supracitada noutros lugares internet afora, que pensava o computador “falar comigo”, pulsar energicamente com meu pensamento. Mas não era. Era apenas o toque de feeling de “Talk” com direito a riff de Kraftwerk, álbum já resenhado aqui.

Com um aspecto grandioso, muito piano, músicas expressivas, o álbum também catapultou a atenção da banda para o mundo. A banda deixou o status de mais uma banda britânica, para os leigos, e fez nesta última década o que o Radiohead se propôs a fazer alguns anos antes. Claro… Com o jeito Coldplay de ser.

Setlist

  1. Square One: o clima espacial mostra para o que veio… Eu senti uma bateria eletrônica? Eu senti um riff? Nós sentimos o álbum.
  2. What If: gostei do corinho, mas faltou algo aqui que prendesse a atenção (nota: eu estava decodificando o “Make Trade Fair” da última página da cover do álbum)
  3. White Shadows: uma mostra dos tempos vindouros (diga-se “Viva La Vida”)… Sei lá! É especulação de leigo mesmo, e daí?
  4. Fix You: um lullaby do Coldplay? No começo parece… Mas depois você se surpreende.
  5. Talk: é pessoal… Toda vez que ouço essa, dá aquele chilique de música boa, mesmo sendo uma versão. Tudo contribui para a “desmaquinalização” do original. Dica: ouça com reforço nos graves e esqueça-se do mundo por cinco minutos.
  6. Faixa de destaque X&Y: da música orquestrada para a experimental existe uma linha tênue. Essa aqui é uma prova evidente disso.
  7. Speed of Sound: a segunda parcela do álbum começa suntuosa, bem cara de raiz do Coldplay. Que insistência em dividir o álbum foi esta? Tempos de vinil?
  8. A Message: acústico que me persegue! Os meus melhores álbuns sempre tem coisas assim.
  9. Low: uma pesquisa mostra que não é só “Talk” que carrega notáveis inspirações. E os falsetes de Martin, quem diria?…
  10. The Hardest Part: essa canção super-otimista superou as expectativas do gênero e se tornou, rapidamente, ícone da música global, sendo executada em rádios diversas. E o clipe, gente? Sério… Nada mais artístico que aquela performance.
  11. Swallowed in the Sea: um vocal e uma orquestração coral crescente, voilá. Uma canção rápida… E o álbum está ótimo, mas eu quero cama. Esse é bom para se ouvir à noite.
  12. Twisted Logic: parece música saudosista. É grandiosa, densa, e difícil de ser classificada como digna de encerrar o álbum – isso para o atento que no primeiro instante de silêncio já desliga a reprodução. Nesse momento, os desavisados são bem-aventurados…
  13. Til Kingdom Come: … porque após meio minuto, há uma canjinha pra encerrar de vez o álbum, com bastante categoria, violão e tudo aquilo que faz os bons álbuns que possuo.

Grandioso como a banda queria?

A crítica foi a favor. As músicas são bem preenchidas. Pouco mais de uma hora que vale a pena. Mas ainda, pra época, surgiram álbuns melhores. Modestamente:

EstrelaEstrelaEstrelaEstrela e 1/2


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Ouvindo... Coldplay: What If

Novidades na USPianeia: segundo semestre já registrado. Em breve, algum material extra pra vocês.