Videocast da Semana

O Fiasco

O festival, a linguística e as lousas


Mais uma vez, ataco de videocast.

Ainda ando arrumando o formato. Desculpem a ‘caseirice’.

Não achei ainda algum serviço que possa conceber uma apresentação mais profissa’.

Falando do que já falei (meio improvisado, como fiz no vídeo):

  1. O Festival Nacional de Poesia de Osasco está com inscrições abertas para diversas categorias de apresentação de poesia. Computador Conheça em http://culturaoz.wordpress.com os meios para participar do festival.
  2. Escola A poesia citada é “À Parte, Entre Nós”, disponível no arquivo de Agosto de 2009 do nosso blógue, em CL&T.
  3. Smiley nerd A Linguística teve seu embrião científico constituído no início do século XX, com os trabalhos estruturalistas de Ferdinand de Saussure (vide “Cours de Linguistiqué Generalé”)
  4. Smiley com sono Os pressupostos lógicos são uma relação entre enunciados, estudados na Semântica Formal. Aqui, falo de pressupostos mais psicoanalíticos, aqueles que uma conversa mais insistente com determinada pessoa te faz perceber que você diz mais do que simplesmente fala. [coisa que acho perigosa agora Smiley guardando segredo]
  5. Email A USPianeia é um projeto voltado ao meu convívio dentro da USP, principalmente com os USPianos. As únicas características unitárias dele são: a. retratar enfaticamente fatos relevantes da USP; b. estar composta em versos brancos decassílabos. Há um blógue para esse projeto. No entanto, mantenho abertura somente a universitários.

Vamos, então, à imagem da semana. Parece que virou de lei haver alguma citação tirada do baú:

As lousas da FFLCH atacam novamente!

E, como não pode deixar de ser, disponibilizo o videocast agora:

http://static.livestream.com/chromelessPlayer/wrappers/TwitcamPlayer.swf?hash=2652g

Aproveitem!


Ouvindo... Doors: The End

Poemas novos, fresquinhos, estão à espreita do blógue. Aguardem!

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Cartilha de Iniciação Artística

Leia isto antes do ofício


Então… Você quer ser um artista, o manifesto vivo das Artes?

Ouça o que a voz da geração anterior tem a dizer pra você:

Em nada compensa essa maldição! Nada!!!

Primeiro, você tem como regra estar insatisfeito com o mundo, brigar com ele. Você vira quase um Jesus Cristo, salvo a escala de santidade, importância histórica, eclesiástica e uma renca de fatos que passam longe do senso comum. Todo dia, pesa uma cruz sobre você. E há um diferencial: você não vê a redenção do seu legado. Muitas das vezes, nunca verão após o findar da sua existência por aqui.

E artista não tem muita afinidade com um possível sacerdócio. Ele passa de longe por isso.

Segundo, você tem que estar imerso no recôndito da sua alma, descobrindo a si mesmo. Já é difícil perceber o que há nos outros – e há artistas que fazem exatamente isso; darem-se ao trabalho de psicanalistas – imagina sobre você mesmo, já que o único ponto de vista que parece interessante a você próprio é o seu próprio ponto de vista!

E enquanto você tenta se mapear, o tempo passa, e quem gosta verdadeiramente de você vê seu falso narcisismo e te julga incoerente.

Terceiro, você, ainda querendo ser artista, terá de fazer isso uma coisa nobre, uma exemplaridade aos outros. Um trabalho de cidadania, que às vezes torna-se ao avesso. Um prazer hedônico de ser um porta-voz de uma entidade abstrata, procurando espaço coerente no mundo.

Cobrar seria ser um censor das Artes, isso não combina bem com seus princípios. Por outro lado, não são muito aprovados os artistas que mal buscam seu próprio sustento através do próprio trabalho, que dirá a Economia Nacional sobre essas pessoas que não trazem dinheiro ao país, atrasando a roda do progresso?

Por fim, seus vícios e suas virtudes se indistinguem, e você cultua o Diabo em solo sagrado e prega a Santidade em becos malditos. Bem e Mal são postos no mesmo balaio, e muitas pessoas não gostam disso – e você sabe disso muito bem.

Mesmo assim… Você ainda quer ser um artista…

Não há dúvidas que você será um escravo das cores na pintura, dos movimentos na dança, das melodias na música, e da sua própria linguagem na literatura… E sobretudo, do seu ódio poético.

Artista é um pseudo-gênio incompreendido em qualquer outra área de conhecimento julgada útil pelo senso comum de nossa sociedade. Seja ela capitalista ou comunista. Os artistas são sempre a escória, fadados a uma vida marginalizada, exclusa e abstinente.

No fim das contas, você pensou que não quer ser artista… Sim, eu sei disso. Todos sabem.

E, quando os que restaram, fiéis a esta sua função, estiverem agonizando em sua última geração, a sociedade, feliz com seu dinheiro, seus carros e suas mulheres, verá que será inútil ter tudo isso e não se gabar dos que não o tem.

Então, eles ressuscitam os artistas…


Portanto, pratique sua verdadeira arte antes que seja tarde demais…

Ouvindo... T-Rex: Get It On

Meu Videocast

O Fiasco que vai Ficando menos Fiasco

Da redação do BS


Gente, não é inveja de Felipe Neto Roxo de inveja, mas já que todo mundo tá entrando nessa do videocast, eu quero o meu quinhão Nhé-nhé!

Eis então meu primeiro O Fiasco :

http://static.livestream.com/chromelessPlayer/wrappers/TwitcamPlayer.swf?hash=1tk9p

E o segundo, saído do forno:

http://static.livestream.com/chromelessPlayer/wrappers/TwitcamPlayer.swf?hash=23500

A referência da foto que vos falei é essa:

Tente compreender esses hieroglifos

Um abraço portanto aos FFLCHianos que reconhecem meu árduo trabalho de quatro anos. São pessoas como vocês que me incentivam a continuar.

Ah, gente. Aproveitando minha fama [convencido eu Smiley sexy], quero revertê-la em sucesso compartilhado.

Todos engajados numa campanha:

#FacaUmTwitterElo Computador http://retalhoazul.blogspot.com

Deem esta forcinha pra nós.


Ouvindo... Sex Pistols: God Save The Queen

Causos de Longinqual de Preta Terra

A Manifestação do Século

Desencadeou-se um protesto sem precedentes na pacata cidade quando descobriu-se que o atual prefeito Jarbas Magalhães poderia estar envolvido na morte de um opositor de eleição e presidente da Associação de Bochas, Dionísio Apolo.


A vida está sendo muito prodigiosa para Bernard Foller. Recém-saído da Faculdade de Fotojornalismo que fez lá nas Cidades Miúdas, finalmente volta à sua cidade natal. Não que ele não gostasse dos agitos daquele discreto local. Gostava, sim. Mas as lembranças de infância o trouxeram de volta ao aconchego do Bairro das Pederneiras, vizinho das matas exuberantes ao sul da cidade.

Neste local, a presença de hispânicos – ele sendo um – é grande. Todos os de sua geração enveredaram para a área de humanidades. A maioria, já de volta, fervia um burburinho, que culminava nas recentes denúncias que desvelaram um capanga que confessou executar dois assassinatos a mando do atual prefeito, e que está vinculado a uma possível morte e queima de arquivo vinculado ao coronel Dionísio. Uma exumação de um corpo na região da mata levou a Polícia a crer que o túmulo de Apolo fora violado. Descobriram-se traços de envenenamento no corpo do presidente da Associação.

Jarbas, que já detinha pouco respaldo devido a casos de ingerência frente às classes pensantes do município, ganhou menos prestígio após tanta denúncia.

E, levados por jovens como a nossa amiga filósofa do Centro Integrado de Faculdades Longinquenses, a população lotou a praça da prefeitura num dia emblemático para expressar seu desprezo.

Chamar forças de segurança? Nem pensar… Jarbas gozava de uma pe´ssima imagem. Usar a força seria muito prejudicial para sua imagem e para a Associação Comercial, que tomava até então apoio irrestrito às decisões do prefeito que vetaram a implantação de uma nova faculdade de humanidades, em favor de uma Escola Técnica. O município estava de mãos amarradas.

Com muitos dos eventos do calendário tradicional Longinquense adiados, a adesão das classes artísticas foi imediata. A assessoria da prefeitura, numa jogada obscura, buscou uma equipe de fotógrafos para tentar desbancar ante a imensa população a imagem dos manifestantes, ainda com o apoio da imprensa nacional.

Bernard via em seu fotojornalismo uma técnica suficiente poderosa para desbancar esse disparate, fotografando o movimento pacífico, que respeitava os taxistas, motoristas, as escolas e outras repartições públicas, em vez dos fotógrafos importados, que faziam se valer dos momentos da presença da polícia e da reação natural dos manifestantes pela autodefesa como a imagem-símbolo dos movimentos.

[sim, haviam algumas dissidências baderneiras, mas essas, na verdade, eram simpatizantes do atual prefeito, tentando desmantelar o movimento original]

As consequências dessa crise administrativa local será revelada aos poucos nos próximos capítulos.


Jethro Tull: Occasional Demons

Momento Poesia

Daqueles mais simples (III) ou Linguagem


Nasci uma folha em branco…

Quem diria! Meu vizinho
usa o joelho como caixa d’água!

Pego uma tesoura
porque seu cigarro de maconha
faz mal à sua saúde.

A casa tem marido
e ele também pega fogo?

Quem queimou a coisa para ela ficar escura?

O prejuízo te roubou?
Ele é tão ligeiro assim?
Quer que te ajude no B.O.?

E daí? Tanto jogador muda de time…
Você não acha isso normal?

Ai, ele é um padeiro horrível…
dizem que deixa
as roscas passarem do ponto.

Ei amiga,
quer um biscoito com água?
Tá ali, perto do lago
onde mataram um ganso.

Eu sou um assassino…
e no lugar do seu funeral,
haverá um show de stand up.

E assim,
minha folha em branco,
foi preenchida com coisas de duplo sentido.

Será que é tão simples assim?


Ouvindo... ZZ Top: Gimme All Your Lovin’