Diário de Um Bixo: Dois

Balanço do Semestre


O tempo passa rápido…

Ainda ontem, eu ficava me perguntando, ininterruptamente, se havia feito um bom negócio deixar uma oportunidade de trabalho à deriva para investir em estudo mais uma vez. Uma oportunidade certa, garantida, mas que, segundo os próprios companheiros de serviço, só proporcionaria sucesso profissional caso eu admitisse prosseguir estudos superiores nas áreas afins. Como eu, pessoalmente, acho que para uma primeira graduação ou tecnólogo, administração, contabilidade e relacionados são cursos que todos fazem mas poucos se destacam, e certamente não seria, de prontidão, um desses destaques, conclui que fazer os cursos necessários ao sucesso profissional que não possuo ampla afinidade é uma forma de deixar os meus desígnios de futuro serem decididos pelas ordens dos sistemas corporativistas.

Um claro sinal de falta de personalidade, no meu caso, assentir com tal decisão. Entretanto, fazer o que se gosta é lucrativo? Ainda mais nas escolhas que decidi, em particular este curso de letras?

Mas a lucratividade não surge apenas das cifras, e este primeiro semestre provou que valores inestimáveis humanos podem ser infinitamente maiores que cifras. Isso porque muitas das coisas expostas [principalmente nestas maçãs], de valor filosófico, pude pôr à prova, em eficiência e propriedade.

Movimentos? Não, obrigado. Prefiro Articulação

E, obviamente, há coisas que eram idealistas demais e acabei por renunciar. Abro este momento para revelar que o ME, tal como é concebido na nossa realidade universitária, anda um tanto quanto defasado. Tentei, de alguma forma, minar o preconceito da massa referente a ele, e minando-o, acabei por conceber um “pós-conceito”. Esse comportamento de caráter pessoal justifica-se na presença dos diálogos muito lugares-comuns existentes dentro do Movimento Estudantil. São coisas previsíveis e ditadas pelo senso comum, é verdade. Mas o que é uma justificativa plausível, sustenta um ato prático que foge ao senso comum. Deixando de lado os dois pontos de vista, quais sejam eles os constatados in loco e os noticiados pela assessoria de imprensa oficial e meios midiáticos, há um fato que um movimento grevista sindicalista – ressaltemos que, após experiências comprovadas como os números de adesão apresentados pelo quadro do sindicato, percebemos que a iniciativa grevista é sindical, e não dos trabalhadores – ignora completamente, apesar da natureza da Universidade de São Paulo ser distinta de outras repartições estaduais: queiram ou não, ao interromper os serviços da Universidade, estão impedindo a natureza da servidão pública no qual os funcionários e trabalhadores estão comprometidos, qual seja esta atender à população (não só a universitária, uma vez que a qualquer cidadão, é permitida a entrada na Cidade Universitária e dela fazer bom usufruto, seja de suas instalações esportivas, bibliotecas, ou a presença em palestras e conferências; e não somente a uma pequena parcela considerada privilegiada, como costumam rezar certas lendas de políticas agressivas de inclusão no ensino superior presencial).

Os atos de manifesto culminados numa paralisação de uma Universidade de porte como a USP mostram o quanto um Movimento Sindical, determinadas vezes arbitrário com a realidade dos trabalhadores, mostra uma falsa preocupação com quem diz proteger. Um dos últimos atos da referida greve deste ano, a paralisação dos trabalhos da creche – não importando se causou constrangimento ou não às crianças – mostra uma insensibilidade com quem necessita daquela estrutura, quer quem seja: estudante, funcionário ou docente. E, não menos importante, a paralisação de serviços como o refeitório afetou um comportamento social de integração entre os alunos, qual seja a reunião dos colegas na hora do almoço ou do jantar, antes, após ou entre os turnos das aulas. Talvez, sim, seja um motivo fútil para desprezar atos de greve, um motivo deveras individualista e que ignore certas necessidades daqueles que provêm os serviços a quem deles faz uso. Mas, para encerrar esse tópico, não seria melhor o Sindicato proporcionar condições de ambiente de trabalho mais salubre e alternativas de suporte a trabalhadores ditos sobrecarregados, ao invés de cobrar paliativos como aumento de salário ou adicionais para criar uma maquiada valorização do labor, que continua tendo os mesmos fatores de risco funcionais? Se, porventura, alguém favorável aos Movimentos Estudantis e Sindicais vier a ler este artigo, sugiro Norma Rae como filme a ser visto e revisto nas suas minúcias… Em especial, que sejam percebidas as verdadeiras funções de um Sindicato.

Filosofias postas em mesa

Assuntos como o anterior precisaram de uma postura filosófica própria para serem contemplados. Tudo o que concebi como postura filosófica, sejam as postas neste blógue, sejam aquelas reservadas para pessoas em especial, pude experimentar com algum teor. E descobri que o melhor laboratório para poder compreender seu uso é na prática social com os outros, e em particular, na universidade.

Categoricamente, muitos desses comportamentos que eu frutificava como idealistas tiveram que tomar um choque de realidade. Alguns deles, muito esperados: não posso esperar atingir uma grande massa de pessoas com artigos, ora extensos, ora complexos. Nada que criasse uma frustração: ao contrário, são fatos que determinaram que meu âmbito de vivência é o âmbito das discussões polemizadas e formais.

Tal vivência anda determinando uma possibilidade para minha vida, que é prosseguir no campo da pesquisa do meio acadêmico. Uma tendência há muito impressa na minha vida, há bons cinco ou seis anos para cá, por diversos docentes e educadores que passaram pela minha vida.

Planos futuros

Já admito para a minha vida o caráter intimista e de personalidade que o ato de escrever faz em minha vida. No entanto, retomamos aquela premissa, logo do princípio, de forma contraditória, que há coisas que não são lucrativas por si só. Escrever e viver exclusivamente disso, afora se a pessoa for um Saramago, é coisa para jornalista pop ou coisa semelhante.

Mas o campo da pesquisa na área da Linguagem e das Letras é extenso, e havia entrado no curso com um intuito de projeto. Agora possuo até dois, e só não comecei a traçá-los da forma devida por causa do ocorrido (diga-se, em outras palavras, que a biblioteca era fundamental num momento desses). Mas o semestre que virá será essencial se eu quiser dar o primeiro passo no campo da pesquisa. Quiçá esteja aí minha oportunidade profissional verídica, com a minha cara?

Planos imediatos

Depois dessas férias, as quais planejo produzir muito material escrito, sobretudo minha epopéia, cumpre também retomar muitas atividades sociais dentro e fora da Universidade com os colegas.

Sem falar que houveram experiências incríveis ano passado das quais não tive desfrute pleno, como a FENAPO, onde quero ver toda a minha capacidade poética – que você, assíduo leitor, já conheci daqui muito bem – posta em prova, com direito a convocar competidores de peso, que conheço muito bem.


Adendo: cuidar da saúde é importante… e o doutor pediu para eu cuidar da minha. Talvez o próximo semestre seja o ultimato para eu dar o primeiro passo aqui também.


Ouvindo... Jadiel (El Incomparable): Princesa

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