Registro Primeiro

sun Memórias é uma seção na qual irei registrar, em prosa, acontecimentos que ocorreram de interessante comigo, sobretudo os mais recentes, pois, como ainda estou neste momento registrando fatos de alguns meses passados, até chegar aos dias de hoje, será muito complicado lembrar destes fatos como ocorreram.


A Voz do Escritor, A Quint’e Breja e o sufoco pra dormir…

Dia 10 de junho de 2010 foi um dia que me senti nas nuvens, apesar de episódios isolados que quase tornaram-no um fiasco. Tudo tem uma origem imediata alguns dias antes, onde o frenesi das aulas de Literárias tomou um tamanho gigante. Que o diga o recitador britânico (Livro 1, v. 42), entumescido gravemente pela sua própria poesia, um veneno imediato para sua razão, uma grand petit mort não-libidinosa para ele… Voltando, antes que divaguemos: nosso professor nos convida a um evento noturno relativo à Poesia Contemporânea, chamado a Voz do Escritor. Eventos noturnos costumam ser deveras complicados para mim. Tinha que arranjar uma estadia. Deixei os materiais de dia disponíveis com uma pessa em especial.

O início de tarde foi um alvoroço: nunca havia visto tantos colegas conhecidos passarem por ali daquele jeito. Pessoal almoçando. Presentes ali a simpatia em evidência (vide já descrito Livro 1, v. 43), o escansioneiro de vesos (Idem, v. 44), dentre outros ainda inonimados aqui (diga-se Carol, Mariana e Filipe). Bruno, o dito escansioneiro, munido de seu violão, fez conosco – com uma breve canja deste que vos fala e no qual ainda há de ser nominado pelos colegas de curso – um pout-pourri de canções, com direito a aloroços no vulgo porão dos estudantes.

Bem então todos seguindo seus caminhos, e eu acompanho a simpatia e o esansioneiro onde fosse possivel, e onde tive a informação cabal de minha amiga misteriosa: “pode deixar suas cargas aqui comigo”. Confirmando a informação na linha nobre da paulista do metrô à família, via que todo esforço cósmico e universal conspirava para que este se corrompesse. eu não imaginaria como.

Quase que ía ver o dia nascer aqui... Quase [DLM/BS] Separados pela Ana Rosa, entroncamento com a antiga linha e primordial do metrô, segui caminho nos tumultuosos antros subterrâneos até deparar-me com o caminho do tatu – tupinistas traduzem-no melhor – e onde começa meu maior sufoco: perceber que o ponto de encontro para descarregar o empecilho universitário era noutro lugar. Tal falha foi crucial para que eu pensasse absurdos da minha amiga [ai, por favor, querida, pedirei sempre a ti mil desculpas por ter sido tão pouco esclarecedor, devido ao meu maldito celular!). Mas, sempre munido de solução alternativa, vejo que andei na contramão, e encontro uma pessoa que muito bem poderia considerar de irmandade, pois acompanhou decerto serenamente meu cair em mim… Malas entregues, e um incrível atraso. Voltaria eu à Cidade Universitária em tempo?

Decerto sim: ainda por volta das nove, mesmo após todo impropério que me fiz ocasionar, ainda pego um pouco do espírito poético, que bem sabia, iria até onde poderia, com direito a uma loooonga interrupção de esquerdistas noturnos [cara! Sorte minha não estudar à noite…] e a um evento que se estendeu até onde não podia mais. Lá evidentemente encontro o escansioneiro novamente. Mas, decerto, o quadro poético contemporâneo não foi de muito agrado geral… As pessoas não estão devidamente preparadas para as explicitudes literárias, e bem sabemos que poetas são bichos instáveis, impulsivos e incompreensíveis. Uns mais, outros menos, mas todos em alguma escala… [Talvez um fosse mais assim, mas o outro era mais firmezinha.]

Eis então o segundo sufoco…

Nossa!!! Quase que dormi numa enrolada ocupação, não fosse achar alma caridosa que me acolhesse em seu humilde antro residencial. Esta passei a procurar na QuinteBreja [detalhe: passei o evento sem engolir uma gota de álcool = odisséico!], único evento que saberia que não haveria problema, pois gente ali havia de monte, mas quase nenhum que conhecesse, e, a despeito de meu descaramento matutino, tenho bloqueio noturno em conhecer as pessoas… [Amiga misteriosa… Você tem de resolver esse problema o quanto antes! Eu admito!] Pois bem… Tal alma, após muita conversa, obteve condução para mim a um lugar confortável – nas vias da possibilidade – para eu “tentar” repousar. Tentar… Porque dormi em vigília (o mesmo que não dormir), por ela ser mulher [ah, não, cara! Não vai dizer que você ficou com medo de abusos noturnos?!!] e por ter certo caimento por mim [é impressão minha ou me sinto ser disputado aqui e acolá?]

Certo é que cinco e meia, estava eu à ativa novamente, seguindo o caminho do tatu para recolher minhas coisas e ainda voltar à Universitária para fazer a refeição do dia e encontrar um colega de estima.

Por isso que eu digo, da próxima vez, reservo uns trezentos reais e vou pousar num hotel. E pra variar, outubro logo estará aí e será a vez da FENAPO em Osasco. E desta vez quero participar…



Ouvindo... Nelly Furtado: Turn Off The Light [Chris Vrenna vs. Tweaker Remix]

Publicado por Potingatu

Estudante de Língua Portuguesa e Linguística pela FFLCH - USP (2010-5), entusiasta e experimentador do máximo de artes que for possível.

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